45% reprovam atuação de deputados e senadores, mostra pesquisa Datafolha

Reprovação é 10 pontos percentuais a mais do que no final de agosto (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Reprovação a deputados e senadores volta a subir e atinge 45%, diz Datafolha

Índice dos que consideram ruim ou péssimo o trabalho de congressistas era de 35% no final de agosto

Ranier Bragon – Folha de S. Paulo

Tendo assumido o mandato em meio a uma onda renovadora, antissistema e de forte apelo conservador, os atuais congressistas não conseguiram até agora alterar o histórico cenário de descrédito popular.

De acordo com pesquisa do Datafolha realizada no início deste mês, 45% dos eleitores reprovam o trabalho de deputados federais e senadores, dez pontos percentuais a mais do que no final de agosto —apenas 14% o aprovam, oscilação negativa de dois pontos percentuais em relação ao último levantamento.

Os números do instituto mostram uma piora no quadro no decorrer deste primeiro ano da nova legislatura.

No final de 2018, a onda que elegeu Jair Bolsonaro levou a população brasileira a demonstrar expectativa otimista: 56% dos entrevistados diziam acreditar que os novos congressistas teriam um desempenho ótimo ou bom, número superior ao verificado antes das duas legislaturas anteriores (49% e 40%).

Após a posse, em fevereiro de 2019, o Datafolha já realizou quatro pesquisas sobre o desempenho dos congressistas. Enquanto o índice dos que consideram ótimo ou bom o trabalho de deputados e senadores caiu de 22% para 14%, a rejeição foi de 32% para 45%.

Em outubro de 2018, os eleitores patrocinaram a maior renovação na Câmara desde pelo menos 1998, reduzindo o rol de reeleitos a menos da metade das 513 cadeiras.

Até então nanico, o então partido de Bolsonaro, o PSL, elegeu 52 deputados, tornando-se a segunda maior bancada da Casa. A primeira continuou sendo a do oposicionista PT.

O resultado das urnas mexeu também com o perfil da Câmara, elevando a representação de militares e líderes evangélicos, enquanto a de professores e médicos registrou queda.

O principal projeto aprovado por deputados e senadores em 2019 foi a reforma da Previdência, cuja votação foi concluída na Câmara em agosto e, no Senado, em outubro.

Em meio à falta de articulação do governo Bolsonaro, o Congresso foi protagonista não só nas mudanças previdenciárias, mas assumiu a frente de outras decisões no campo econômico, além de barrar várias medidas do Planalto no campo dos costumes.

Sob o comando do deputado Rodrigo Maia (RJ) e do senador Davi Alcolumbre (AP), ambos do DEM, o Congresso amenizou, por exemplo, a flexibilização de porte e posse de armas e rejeitou ou engavetou —tornando-as sem efeito— várias medidas provisórias editadas pelo presidente da República, assim como derrubou vetos dele a leis aprovadas pelos parlamentares.

Bolsonaro assumiu com o discurso de que alteraria a forma de se relacionar com o Executivo e tentou negociar com frentes parlamentares (como a evangélica e a ruralista) em vez de partidos. O modelo tem mostrado limitações e ocasionou derrotas governistas ao longo do ano.

Crítico durante a campanha eleitoral do chamado toma lá, dá cá, ele reduziu a nomeação de apadrinhados dos parlamentares para cargos públicos, mas incrementou a promessa de liberação de verbas do Orçamento para deputados e senadores.

Os atuais números de avaliação popular do Congresso ainda são melhores do que os picos de reprovação registrados no final de 2017 (60%), pouco após a Câmara barrar pela segunda vez o afastamento do presidente Michel Temer (MDB), e em 1993 (56%), ano de hiperinflação e data da revelação do desvio de recursos federais para o bolso de políticos, escândalo que ficou conhecido como o dos anões do Orçamento.

Mas estão ligeiramente piores do que a média das 70 avaliações realizadas pelo Datafolha nos últimos 26 anos —15% de aprovação e 39% de rejeição. No período, a única vez que a avaliação positiva esteve numericamente acima da negativa foi em dezembro de 2003, primeiro ano da primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

“É um desgaste natural diante do ambiente negativo em relação aos partidos e políticos em geral, que persiste desde 2013”, avalia o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino. “Evidência disso é a taxa de eleitores sem partido de preferência, que permanece acima de 60%.”

Na comparação com o final do primeiro ano de cada uma das seis legislaturas anteriores, a avaliação popular do atual Congresso tem números piores dos que os de 1995, 1999 e 2003.

É similar aos de 2007 e só é melhor do que os de 2015, época em que a Câmara havia dado início ao processo que resultaria, meses depois, no impeachment de Dilma Rousseff (PT). O instituto não realizou pesquisa no final de 2011.

Na atual pesquisa, o Datafolha ouviu 2.948 pessoas em todo o Brasil, nos dias 5 e 6 de dezembro. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/12/reprovacao-a-deputados-e-senadores-volta-a-subir-e-atinge-45-diz-datafolha.shtml

Reprovação de Bolsonaro chega a 38% em 8 meses, diz Datafolha

Reprovação de Bolsonaro cresce para 38% em meio a crises, mostra Datafolha

Percentual que avalia governo como ruim ou péssimo supera o daqueles que o considera ótimo ou bom

Igor Gielow – Folha de S. Paulo

Pesquisa nacional feita pelo Datafolha aponta a erosão da popularidade de Jair Bolsonaro (PSL) em pouco menos de dois meses.

A reprovação do presidente subiu de 33% para 38% em relação ao levantamento anterior do instituto, feito no início de julho, e diversos indicadores apontam uma deterioração de sua imagem. Foram ouvidas 2.878 pessoas com mais de 16 anos em 175 municípios.

A aprovação de Bolsonaro também caiu, dentro do limite da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos, de 33% em julho para 29% agora.

A avaliação do governo como regular ficou estável, passando de 31% para 30%.

Na pesquisa de julho e na anterior, de abril, estava consolidado um cenário em que o país se dividia em três partes iguais: quem achava Bolsonaro ótimo ou bom, ruim ou péssimo e regular.

De dois meses para cá, o presidente viu aprovada na Câmara a reforma da Previdência, sua principal bandeira de governo. Ato contínuo, iniciou uma escalada de radicalização, acenando a seu eleitorado mais ideológico com uma sucessão de polêmicas.

Neste período, Bolsonaro sugeriu que o pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) havia sido morto por colegas de luta armada na ditadura, indicou o filho Eduardo para a embaixada brasileira em Washington e criticou governadores do Nordeste —a quem também chamou de “paraíbas”.

O último item coincide com a região em que mais disparou a rejeição a Bolsonaro. O Nordeste sempre foi uma fortaleza do voto antibolsonarista, mas seu índice de ruim e péssimo subiu de 41% para 52% na região de julho para cá.

O período viu o presidente bater de frente com o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) acerca de mudanças na Polícia Federal e extinguir o Coaf (órgão de investigação financeira em atuação desde 1998), recriado de forma ainda incerta sob o Banco Central —medidas lidas como tentativas de coibir investigações sobre seu filho Flávio, senador pelo PSL-RJ.

Também nesses dois meses explodiu a maior crise internacional do governo até aqui, sobre o desmatamento e as queimadas da Amazônia. Como a Folha mostrou no domingo (1º), há grande rejeição à condução de Bolsonaro no quesito (51% a consideram ruim ou péssima).

Aqui, a crise teve demissão do diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) por falta de concordância do presidente com os números de desmate aferidos pelo órgão e bate-boca internacional com o presidente francês Emmanuel Macron.

A perda de apoio de Bolsonaro também foi acentuada entre aqueles mais ricos, com renda mensal acima de 10 salários mínimos. Neste segmento, a aprovação ao presidente caiu de 52% em julho para 37% agora —bastante significativa, ainda que se mantenha acima da média.

A pior avaliação do mandatário é entre os mais pobres, que ganham até dois salários mínimos (22%), os mais jovens (16 a 24 anos, 24%) e com escolaridade baixa (só ensino fundamental, 26%).

Voltando ao corte regional, a disparada de rejeição no Nordeste é acompanhada também em áreas tradicionalmente bolsonaristas. A região Sul, por exemplo, teve um aumento de 25% para 31% entre os que avaliam o governo como ruim ou péssimo.

As mulheres seguem rejeitando mais o mandatário do que os homens: 43% delas o acham ruim ou péssimo, ante 34% dos homens.

Com tudo isso, Bolsonaro segue sendo o presidente eleito mais mal avaliado em um primeiro mandato, considerando FHC, Lula e Dilma.

Há outros indicativos dos motivos do azedume da população com o presidente, cujo governo ganhou nota 5,1 dos entrevistados.

Nada menos que 44% dos brasileiros não confia na palavra do presidente, enquanto 36% confiam eventualmente e 19%, sempre.

O estilo presidencial, que o entorno de Bolsonaro tenta vender como autêntico e direto, não está lhe rendendo também boa avaliação.

É preponderante a percepção de que o presidente nunca se comporta conforme o cargo exige. Subiu de 25% para 32% o contingente que pensa assim —em abril, eram 23%. Já os que acham que Bolsonaro cumpre a liturgia do cargo caíram de 22% para 15%, ante 27% em abril.

Ao mesmo tempo, cai a expectativa sobre o governo. Acreditavam em abril que Bolsonaro faria uma gestão ótima ou boa à frente 59%. Em julho, eram 51% e agora, 45%. Na mão contrária, creem numa administração ruim ou péssima 32% —eram 24% em julho e 23%, em abril.

Já a opinião sobre o que o presidente já fez pelo Brasil segue estável, negativamente: 62% creem que ele fez menos do que o esperado, 21% acham que ele correspondeu às expectativas e 11%, que fez mais do que o previsto.

Previsivelmente, quem votou em Bolsonaro no segundo turno de 2018 é quem mais está satisfeito com o governo: 57% o acham ótimo ou bom. Na via inversa, quem apoiou Fernando Haddad (PT) o reprova mais: 69%.

O corte partidário traz uma curiosidade: no momento em que o governador João Doria (PSDB-SP) vem assumindo um papel antagonista ao antes aliado Bolsonaro, os entrevistados que se dizem tucanos aumentaram sua aprovação ao governo. Eram 35% em julho, são 42% agora.

O aumento veio da desidratação de quem o acha regular (48% para 31%), com consequente aumento também na rejeição, de 17% para 27%.

O Datafolha também apresentou alguns assuntos para avaliar em quais áreas o governo vai melhor e pior.
Para 17%, a relação com presidentes estrangeiros e com a população brasileira é o destaque. Já 15% acham que é o relacionamento com os ministros, 12%, com a imprensa e 10%, com o Congresso. Nove por cento acham que ele vai melhor nas declarações sobre o governo.

Já na avaliação negativa, 33% apontam a relação com a população, 22%, com a imprensa e 13%, com presidentes de outros países. Depois vêm as declarações sobre o governo (9%), diálogo com Congresso (6%) e ministros (4%).

Aprovação de Bolsonaro cai e aumenta a reprovação do presidente, mostra Ibope

Pesquisa Ibope: governo Bolsonaro tem queda na aprovação e reprovação sobe para 32%

Pela primeira vez, porcentual de entrevistados que desaprovam forma de governar é maior que a quantidade de pessoas que aprovam

Daniel Weterman – O Estado de S.Paulo

A avaliação positiva (ótimo e bom) do governo do presidente Jair Bolsonaro passou de 35% em abril para 32% em junho, em uma tendência de queda, mostra pesquisa feita pelo Ibope e divulgada nesta quinta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A avaliação negativa (ruim e péssimo), por sua vez, subiu de 27% para 32% no mesmo período.

Dos entrevistados, 32% consideram o governo regular (eram 31% na pesquisa anterior). Desde o início do governo, em janeiro, o porcentual de pessoas que consideram o governo ótimo ou bom caiu 17 pontos, de 49% para 32%, mostra a série histórica do Ibope. Já a avaliação negativa subiu 21 pontos nesse período, de 11% para 32%.

A avaliação dos brasileiros sobre a maneira do presidente Jair Bolsonaro governar o País piorou. O índice de pessoas que desaprovam a maneira de Bolsonaro governar subiu de 40% em abril para 48% em junho. A aprovação, por sua vez, caiu de 51% para 46% no mesmo período. Na série história, esta é a primeira pesquisa em que o porcentual de entrevistados que desaprovam o governo Bolsonaro é marginalmente maior do que a quantidade de pessoas que aprovam a gestão.

Em outro quesito do levantamento, 51% dos entrevistados dizem não confiar no presidente Jair Bolsonaro. O índice era de 45% em abril. Já os que confiam caíram de 51% para 46% entre um mês e outro.

O Ibope ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre 20 e 26 de junho. O levantamento anterior havia sido realizado de 12 a 15 de abril. O nível de confiança do levantamento é de 95%.

Ensino público sob risco: Desperdício com evasão escolar e reprovação supera cortes na educação

O fracasso do sistema educacional brasileiro se traduz também no abandono e na evasão escolar. E o prejuízo é bilionário. De acordo com pesquisa do IAS (Instituto Ayrton Senna) e  Insper, somente no ensino médio são R$ 7 bilhões em dinheiro público jogados fora com adolescentes que abandonam os bancos escolares ou são reprovados. O fenômeno se repete todos os anos. Esse desperdício representa quase 11% do gasto público com a última etapa da educação básica no Brasil. É o dinheiro dos brasileiros arrecadado com os impostos sendo literalmente abandonado.

O valor desperdiçado é superior ao corte no orçamento das instituições federais de educação anunciado pelo governo Bolsonaro, de R$ 5,8 bilhões neste ano. Vai faltar dinheiro para pagar bolsas de estudo nas universidades, auxílios a pesquisadores, compra de ônibus escolares, livros didáticos e até para o pagamento de contas de água e energia elétrica das instituições de ensino, segundo levantamento feito pela “Folha de S. Paulo”.

O País já enfrentou essa situação há quatro anos. Em 2015, o governo Dilma Rousseff, do PT, cortou mais de R$ 10 bilhões do ensino básico, equivalentes a 10% do orçamento federal destinado à educação naquele ano. Tirou recursos do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), das escolas em tempo integral e até do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), que entrega dinheiro diretamente para as escolas de educação básica. 

Os cortes e o baixo investimento estão deixando cada mais precário o ensino público, refletindo diretamente na formação escolar. Menos de 5% das escolas públicas brasileiras têm a infraestrutura adequada para educar.

No Brasil, de cada 100 crianças que entram na escola, somente 65 conseguem completar todo seu ciclo educacional com um diploma do ensino médio. Se nada for feito para mudar esse quadro, o Brasil precisará de 200 anos para ter todos os jovens na escola. E a competência para resolver a evasão escolar, por meio de boas políticas públicas, é do MEC (Ministério da Educação).

Em audiência pública no Senado neste mês, o ministro da Educação, Abraham Weintraub,  reconheceu que a evasão é um problema, mas não traçou nenhum plano concreto para combatê-la, enquanto já planeja mais cortes nas universidades federais.

Ensino fundamental e infantil

A tesoura do governo no orçamento da educação não está afetando somente o ensino superior, mas o fundamental e o infantil no País inteiro.

“Houve um corte de R$ 2,4 bilhões no ensino infantil e mesmo se a reforma da Previdência for aprovada agora, os efeitos só serão sentidos ao longo dos próximos anos”, disse a senadora Eliziane Gama (MA), líder da bancada do Cidadania no Senado, ao cobrar que o governo Bolsonaro não pode fazer chantagem para a aprovação da mudança no sistema de aposentadoria com os cortes que estão sendo anunciados na educação. 

Ela reconhece, no entanto, que a reforma previdenciária é importante para o equilíbrio das contas públicas, mas cobra que o governo coloque essa questão de “forma clara” para a população.

Um país sem educação custa caro

Para além da evasão de alunos das salas de aulas e dos que sequer estão matriculados no ensino médio, chegamos à cifra de 2,8 milhões adolescentes fora da escola, segundo o estudo do IAS/Insper. Cada um deles representa uma perda de R$ 35 mil  para a economia do País.

Fez as contas? Jovens fora da escola deixam o Brasil R$ 98 bilhões mais pobre todos os anos. O valor é equivalente ao faturamento da terceira maior empresa do Brasil.

Reforma

Para tentar reverter o problema, em 2017 o Congresso aprovou a Reforma do Ensino Médio, que flexibiliza o currículo escolar e dá mais oportunidades para os jovens. As primeiras turmas desse novo ensino médio devem começar já no próximo ano, mas, para que isso aconteça, o MEC precisa acompanhar de perto a implementação da reforma, apoiando os estados e municípios.