Deputado Marcelo Calero: “Bolsonaro insiste em tratar a Cultura como inimiga”

O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) analisou, em entrevista à CNN, nesta quinta-feira (21), os rumos da Cultura no Brasil, após a demissão da atriz Regina Duarte da Secretaria Especial. Na visão do parlamentar, que já foi ministro da Cultura, o “obscurantismo” assumido do governo Jair Bolsonaro, associado à crise proveniente da pandemia do Coronavírus, impuseram forte retrocesso a setor.

Para Calero, a Cultura “é a base da nossa identidade nacional” e deve ser encarada como política de estado, e não de governo. Porém, segundo ele, o governo “insiste em tratar a Cultura como adversária, inimiga”. “Bolsonaro vê inimigos em toda parte e a Cultura acaba sendo alvo preferencial desse seu ímpeto conflitivo”, colocou.

Por fim, o deputado disse que falta visão estratégica do governo, que não entende a importância da Cultura, responsável por 2,5% do PIB e gera mais de um milhão de empregos. “Ficar mudando de ministério, fazer as coisas ao sabor do capricho e voluntarismo do presidente é inacreditável. Infelizmente o Brasil está perdendo o bonde da história”, completou.

Calero: Regina Duarte deixa “rastro de violência” e total disfuncionalidade na Cultura

O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ), ex-ministro da Cultura, afirmou nesta quarta-feria (20), em vídeo para a Veja Rio, que Regina Duarte não deixa qualquer legado cultural após sua passagem pela Secretaria de Cultura. “Ao contrário, ela deixa um rastro de violência, de agressão, de uma total disfuncionalidade, falta de planejamento, falta de plano, que seriam especialmente importantes nesse momento de pandemia”, disse.

Na avaliação de Calero, a saída da atriz do governo “reflete a total falta de compromisso de Bolsonaro com esse setor, que é importante não apenas do ponto de vista da nossa memória histórica, mas também do ponto de vista econômico, porque gera emprego e renda”. Ele lembrou que essa já é a quarta mudança em curto período de tempo.

“A gente tem de lembrar que já são quatro gestores que passaram por essa pasta no governo Bolsonaro. É lamentável que um setor que dá tanta visibilidade ao Brasil no exterior, que faz com que a gente se identifique como brasileiros, seja tratado dessa forma leviana por Bolsonaro”, criticou.

Regina Duarte deve substituir no comando da Cinemateca de São Paulo Olga Futemma, mestre em Cinema pela Universidade de São Paulo com 36 anos de Casa. Para o lugar dela, Jair Bolsonaro teria convidado o ex-ator de Malhação, novela para adolescentes da Globo, Mário Frias.

Eliziane Gama diz que Regina Duarte compreende a importância do Recine

Senadora foi a relatora no Senado do projeto que prorrogava até 2024 o prazo para utilização do Recine (Foto: William Borgmann)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), se reuniu com a Secretária de Cultura, Regina Duarte, nesta quarta-feira (11), acompanhada de um grupo de parlamentares, para discutir políticas públicas e investimento em cultura como importante instrumento de desenvolvimento humano.

Na pauta dos parlamentares estava o Veto 62, que prorroga o prazo de utilização do Recine (Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica), programa de incentivo e fomento para estimular a criação de novas salas de cinema e a geração de empregos e renda no País.

A senadora foi a relatora no Senado do projeto de lei do deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) que prorrogava até 2024 o prazo para utilização do Recine e também os incentivos fiscais da Lei do Audiovisual. O presidente vetou a proposta sob o argumento de que a medida fere a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Os parlamentares presentes na reunião contestaram os argumentos do presidente.

Para Eliziane Gama, a vinda de Regina Duarte para o governo federal dá ares de que o setor cultural será bem cuidado e de que a comunicação com a área ficará mais tranquila.

“A Regina é muito carismática e tem muito amor pela cultura”, afirmou a parlamentar que disse estar confiante que o veto do Recine será derrubado.

Além de Eliziane Gama, estiveram presentes as senadoras Leila (PSB-DF) e Mara Gabrilli (PSDB-SP) e os deputados federais Marcelo Calero (Cidadania-RJ), Carmem Zanotto (Cidadania-SC), Daniel Coelho (Cidadania-PE), Soraya Santos (MDB-RJ) e Paula Belmonte (Cidadania-DF).

Regina Duarte aceita convite para ser secretária de Cultura

Regina Duarte foi convidada pelo presidente para assumir o cargo (Foto: Sérgio Lima/Poder360)

A atriz Regina Duarte, de 72 anos, será a nova secretária especial de Cultura do governo federal. Após se reunir com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira (29), ela confirmou a jornalistas ter aceitado o convite para o cargo, que integra o Ministério do Turismo.

“Sim [aceitei], só que agora vão ocorrer os proclamas [trâmites formais] antes do casamento”, afirmou, sem dizer a data em que deverá ser nomeada. Ela estava acompanhada da reverenda Jane Silva, que foi nomeada secretária especial adjunta de Cultura.

Regina Duarte foi convidada pelo presidente para assumir o cargo de secretária especial da Cultura após a exoneração do dramaturgo Roberto Alvim, no último dia 17 de janeiro. Alvim caiu após a repercussão negativa de um discurso em que usou frases semelhantes às usadas por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do governo de Adolf Hitler, na Alemanha nazista.

Bolsonaro afirmou que Regina Duarte terá liberdade para montar sua equipe. “Para mim seria excepcional, para ela, ela tem a oportunidade de mostrar realmente como é fazer cultura no Brasil”, disse.

Regina Duarte nasceu no dia 5 de fevereiro de 1947. Com 55 anos de carreira, é uma das atrizes mais famosas do País, com dezenas de novelas no currículo. Para assumir o cargo de secretária especial, a atriz terá que suspender seu contrato com a TV Globo, segundo informou a própria emissora.

A nomeação oficial de Regina Duarte ainda terá de ser publicada no Diário Oficial da União. (Com informações das agências de notícias)