Eliziane Gama: Bolsonaro constrange STF ao pressionar por fim da quarentena contra Covid-19

Senadora também classificou de ‘despropósito’ o que chamou de ‘marcha para pressionar o STF’ (Foto: Reprodução/Youtube)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse que o presidente Jair Bolsonaro constrange o STF (Supremo Tribunal Federal) com a visita inesperada à Corte, nesta quinta-feira (7), acompanhado de ministros e empresários, para apresentar os impactos na economia do isolamento social em decorrência da pandemia da Covid-19.

“Um dia depois de batermos mais um recorde de mortes pela Covid-19 e o ministro da Saúde prever lockdown em vários estados brasileiros, é inconcebível se pressionar o STF pela abertura do comércio. Está correto o presidente do Supremo quando diz que a responsabilidade é do governo federal de apresentar um plano de ação para superação da crise. O presidente não pode constranger os demais poderes quando o governo está omisso na sua responsabilidade de enfrentamento dessa crise”, disse.

Eliziane Gama também classificou de ‘despropósito’ nas redes sociais o que chamou de ‘marcha para pressionar o STF’.

Senadora diz que governo joga responsabilidade para outro Poderes (Foto: Waldemir Barreto)

“Sem planos e no auge da pandemia, o governo tenta jogar sua responsabilidade para outros Poderes. Até hoje, não temos o planejamento do governo para reabertura. Não adianta reclamar com [o ministro Dias] Toffoli”, disse a senadora em seu perfil no Twitter.

O presidente do STF cobrou no encontro que não estava agendado coordenação do governo federal com os outros Poderes e os entes da federação e disse que ser necessário fazer um planejamento para a volta do funcionamento das indústrias.

Na reunião no STF, Bolsonaro voltou a dizer que os efeitos do isolamento social não podem ser maiores do que os problemas causados Covid-19 e que ‘economia também é vida’. 

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, argumentou no encontro que o Brasil pode enfrentar a mesma situação de países vizinhos se não mudar de estratégia no enfrentamento à doença, sob risco de a economia brasileira entrar em colapso. 

Nelson Proença diz que Bolsonaro precisa garantir conforto ao País

Proença:”Bolsonaro perdeu a oportunidade de se dirigir ao país com uma palavra de conforto”

Blog Miguelito Medeiros

“É preciso fazer um balanço entre os que radicais da quarentena e aqueles que não querem a quarentena. Com a economia parada do jeito que está não tem como ficar. Continuando assim, vai ser o fim da economia como a gente conhece no mundo”, diz Nelson Proença, ex-deputado federal, ex-secretário de Estado do Desenvolvimento no Rio Grande do Sul. Um dos negociadores para a vinda de empresas como a Dell, a GM e a Ford para o Rio Grande do Sul na década de 1990. Retirado da política desde que terminou seu quinto mandato em 2010, Proença mantém o faro do político e do homem de negócios. Está sempre conectado. Agora está às voltas com grupos unindo empresários, epidemiologistas, economistas e outros tentando ajudar na produção de respiradores mecânicos para unidades de terapia intensiva. “Estamos a caminho de um equipamento que sirva a mais de um paciente ao mesmo tempo”.

Para Proença, a quarentena radical, do jeito como está agora, pode ajudar a retardar, a atrasar a chegada de mais doentes aos leitos de uti, dando um tempo para que a indústria possa fazer respiradores e os laboratórios possam achar um remédio que cure os infectados. Ao mesmo tempo, segundo ele, a quarentena sem data para acabar pode terminar com a economia não apenas de um país, mas de boa parte do mundo.

Otimista com a formulação de um medicamento para curar os enfermos de Covid19, Proença acredita que o Presidente da República Jair Bolsonaro perdeu o tempo de liderar a nação, quando não chamou para si – já nos primeiros momentos – a responsabilidade de organizar as forças da nação.

Proença envia áudios para os amigos bolsonaristas. Neles, diz que o Presidente perdeu o tempo em não ter se dirigido à nação como um grande articulador. “Até agora, ninguém viu Bolsonaro se dirigir ao país com uma palavra de conforto, de incentivo e de consolo para a população”, diz. “Não enviou uma palavra para os médicos, enfermeiros, profissionais de saúde como um todo que estão na linha de frente, que estão enfrentando o problema na ponta”.

Para Proença, o Presidente errou barbaramente ao perder este tempo.

Mesmo com as notícias ruins chegando a todo momento de várias partes do mundo, Proença está otimista. Ele acredita que a droga que vem sendo testada massivamente nos Estados Unidos, a hidroxicloroquina, possa ser a solução para diminuir o tempo em que os pacientes fiquem na dependência de um respirador. “Estão falando hoje em 12 dias, é o que o paciente ficaria hoje precisando de um respirador”, diz. “Com o novo remédio, esse tempo pode diminuir para quatro ou cinco dias de respirador”. O que já daria um tremendo alívio para um sistema de saúde que não tem como atender a todos os infectados por tanto tempo.

De qualquer forma, sobre a quarentena, ela ainda é o melhor jeito para conter o avanço do vírus. Com o passar dos dias, espera-se um afrouxamento, inclusive com mais informações sobre o comportamento do vírus e das pessoas que irão tendo a cura. (Blog do Miguelito Medeiros)

Nota da redação: Nelson Proença foi deputado federal pelo PPS, antecessor do Cidadania.

Fonte: Fonte: http://miguelito-medeiros.blogspot.com/2020/03/proenca-bolsonaro-perdeu-oportunidade.html

Câmara aprova parecer de Carmen Zanotto sobre ações de isolamento do coronavírus

A medida chancelada pelo plenário da Casa segue para a apreciação do Senado Federal (Foto: Robson Gonçalves)  

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (04), o substitutivo de autoria da deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) favorável à proposta (PL 23/2020) sobre as ações de prevenção do coronavírus  a serem adotadas pelo Ministério da Saúde em todo o País.  A iniciativa do Executivo também regulamenta as regras de isolamento por causa do coronavírus.

A votação ocorreu de forma simbólica, sem registro em painel. A matéria segue para a apreciação do Senado Federal.

Os brasileiros que se encontram em Wuhan, na China, onde se dá o epicentro da contaminação do coronavírus,  que se dispuserem a retornar ao País, deverão ser submetidos ao isolamento sanitário, de acordo com as regras aprovadas pelo Parlamento. A medida valerá enquanto durar a crise sanitária.  

Na leitura do substitutivo, Carmen Zanottto, que também é presidente da Frente Parlamentar Mista de Saúde, destacou a construção do consenso  que possibilitou a votação célere da proposta.

“Esta Casa, unida, está dando uma resposta rápida para o enfrentamento a esse momento emergencial. Sempre que for necessário, o Parlamento nunca faltará ao país”afirmou a parlamentar.  

No substitutivo,  Carmen Zanotto fez algumas alterações ao texto original, de acordo com as sugestões  apresentadas pelos deputados.   

 Dentre as ações de emergências, o texto prevê quarentena e isolamento, fechamento de portos, rodovias e aeroportos.   

Durante as negociações, ficou acordado que o governo encaminhará, nos próximos dias, ao Congresso Nacional, uma proposta mais abrangente sobre emergência sanitária a ser adotada no país.  

Transparência

Como o projeto do Executivo prevê dispensa de licitação para a compra de bens, serviços e insumos de saúde, Carmen Zanotto fez complementação de voto determinando  que todas as contratações  sejam realizadas “com total transparência”,  com divulgação  em site específico na internet, contendo o nome do contratado, o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), prazo e o valor do contrato.