Presidente do Comsefaz diz a Eliziane Gama que fundos são essenciais para compensar estados e municípios

Para senadora, o ministro Paulo Guedes não tem demonstrado disposição na criação dos fundos (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Ao ser questionado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre a sinalização do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a pasta estaria relutante em relação a criação de fundos para compensar estados e municípios com as mudanças na cobrança de impostos,  o presidente do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e DF), Rafael Fonteles, disse que esses mecanismos são ‘essenciais’.

“O ministro da Economia agora não demonstra disposição na criação desses fundos. Como é que o Comsefaz vê isso e, ao mesmo tempo, de que forma nós poderemos trabalhar estrategicamente para que ter a compensação em relação aos estados”, perguntou a parlamentar, na reunião remota da comissão mista da reforma tributária, nesta quarta-feira (12).

“Nós colocamos os fundos como essenciais e estamos preocupados neste momento em garantir o funding [fonte de recursos] para esses fundos. E não entramos na discussão de como será distribuído, isso seria para uma lei complementar, um outro debate. Quem tem que resolver é o Congresso Nacional, porque realmente é um debate político que faz parte do ambiente democrático em que vivemos. Então, estamos preocupados em garantir o funding para isso”, disse Fonteles.

O Comsefaz propõe a criação de um fundo de desenvolvimento regional e compensação das exportações. Para a União, o fundo deveria ser formado pelas receitas do petróleo. Mas Fonteles sugere como fonte de financiamento as parcelas da União no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e no Imposto Seletivo, a ser cobrado sobre cigarros e bebidas alcoólicas, de acordo com a proposta defendida pelo Comsefaz.

“Seriam R$ 485 bilhões até 2032. Os estados querem que essa fonte seja o tributo, e não as receitas de petróleo, que oscilam para mais ou menos. O ente da Federação que tem mais condição de suportar esse risco é a União, que pode se financiar com a emissão de títulos públicos. Estados e municípios não podem”, afirmou.

Imposto seletivo

Eliziane Gama também indagou Fonteles sobre a opinião dele quanto ao chamado imposto seletivo.

“Se o seletivo for apenas extrafiscal, para desestimular o consumo de bens que têm externalidades negativas, como cigarro e bebida alcoólica, ele não vai ter potencial arrecadatório, mas se ele tiver uma base mais ampla, se entrar em combustível, automóvel ou outros setores, há um potencial arrecadatório”, explicou.

Segundo ele, ‘o que os estados querem’ é que esse tributo também seja gerido por um comitê gestor e partilhado entre estados e municípios.

“Isso possibilitaria, inclusive, uma alíquota de IBS menor. Resolveria talvez uma outra situação. Mas a proposta do Consefaz é apenas um seletivo extrafiscal, base apenas em bebidas alcoólicas e cigarros”, completou o presidente do Comsefaz.

Progressividade

Com relação à progressividade, outro questionamento da senadora do Cidadania, Fonteles disse que ‘vários Estados já conseguem devolver o tributo para as populações de baixa renda’.

“Isso não é nenhum mistério. Temos tecnologia, sim, para fazer isso com relativa facilidade, relativa tranquilidade”, afirmou.