Reforma da Previdência: Eliziane Gama diz que abono salarial não é privilégio

Segundo a líder do Cidadania no Senado, o argumento de que famílias de classe alta podem estar recebendo o abono “não convence” (Foto: Pedro França/Agência Senado)

 

Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” publicada nesta quinta-feira (3), a líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), defendeu a emenda de destaque apresentada por ela no texto-base da reforma da Previdência que resultou na manutenção das atuais regras do abono salarial (veja aqui).

“Quem recebe até dois salários mínimos é uma pessoa que não tem privilégio. Independente de onde ele more, ele ganha pouco e perderia mais um salário”, diz a senadora.

Segundo ela, o argumento de que famílias de classe alta podem estar recebendo o abono “não convence”.

Beneficiados por região

A decisão do Senado de manter na votação em primeiro turno da reforma da Previdência inalteradas as regras do abono salarial vai beneficiar mais os trabalhadores do Sul e do Sudeste, conforme dados do Ministério da Economia obtidos pelo Estadão.

Dos 8,3 milhões de trabalhadores formais que ganham entre R$ 1,4 mil e R$ 2 mil mensais e perderiam o benefício, caso o texto da Câmara dos Deputados tivesse sido aprovado no Senado, 4,2 milhões estão no Sudeste e 1,7 milhão no Sul , mais de dois terços dos afetados.

Eliziane Gama reconhece que é natural que as regiões Sul e Sudeste concentrem a maior parte dos trabalhadores formais porque recebem mais investimentos e possuem mais fábricas e indústrias.

“Entretanto, mesmo com um nível de formalidade menor no Nordeste, só no estado do Maranhão 100 mil pessoas seriam impactadas pela alteração”, disse.

Estudo elaborado pela consultoria do Senado revela que a Bahia tem mais de 380 mil trabalhadores que recebem entre 1,5 e 2 salários mínimos. Pernambuco tem 263.282 trabalhadores nessa condição e o Ceará mais de 196 mil trabalhadores formais que perderiam esse benefício.

A senadora maranhense disse que vai trabalhar intensamente para garantir que esse destaque não sofra revés na votação do segundo turno da reforma da Previdência, prevista para a próxima semana, no plenário do Senado.

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