Cidadania lamenta a morte do militante histórico Antônio Ribeiro Granja

O militante histórico do PCB/PPS – hoje Cidadania – desde 1930 dedicou sua vida ao socialismo e à democracia sem nunca deixar de acreditar na política como instrumento transformador da sociedade (Foto: Álbum de família)

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, lamentou, nesta segunda-feira (11), em nome do partido, o falecimento, aos 106 anos , do presidente de honra do Cidadania, Antônio Ribeiro Granja, mais conhecido como Granja. Freire destacou a trajetória do militante histórico que desde 1930 dedicou sua vida ao socialismo e à democracia sem nunca deixar de acreditar na política como instrumento transformador da sociedade.

Nota de pesar

É com grande pesar que em meu nome e de todos os que fazem o Cidadania23 informo o falecimento de Antônio Ribeiro Granja, nosso Presidente de Honra, aos 106 anos de uma vida dedicada à causa do socialismo e da democracia, em prol de uma pátria democrática, justa e fraterna.

Natural de Exu, em Pernambuco, na adolescência Granja seguiu o caminho de muitos de seus conterrâneos que iam buscar emprego em São Paulo. Foi lá que, em 1930, aos 17 anos, começou sua militância, ao entrar para a Aliança Liberal.

Dali, Granja passou a atuar no movimento sindical e entrou para o Partido Comunista, em 1934. Trabalhou como pedreiro e operário em São Paulo, até ser chamado para a construção da ferrovia Brasil-Bolívia. Com a criação da Vale do Rio Doce, em 1942, veio para o Espírito Santo para trabalhar na oficina de vagões da companhia, em Cariacica.

No Estado, liderou o movimento sindical dos ferroviários, acompanhou a criação das primeiras leis trabalhistas e participou do surgimento das primeiras centrais sindicais do Brasil. Organizando greves e se opondo ao governo getulista do Estado Novo, Granja chegou a ser detido algumas vezes pela polícia no período.

Com o fim da Era Vargas (1930-1945), o partido voltou à legalidade. Em 1947, Granja foi eleito vereador de Cariacica pelo PCB. Neste período, também ajudou a fundar a “Folha Capixaba”, o jornal dos comunistas no Espírito Santo. Na Câmara de Cariacica, ele ficou até 1952.

Com o termino do mandato, começou sua perseguição motivo que o fez deixar o Estado. Foram 27 anos de perseguição. Depois do início da ditadura, ficaram 18 dirigentes do Comitê Central em todo o Brasil. Onze deles foram presos e assassinados. Naquela época, Granja teve mais de 40 nomes diferentes. José Amaro, Luiz, Baiano e Francisco foram alguns deles. Este último lhe rendeu o apelido de Chiquinho, nome que a atual esposa, Silnéia do Espírito Santo, de 68 anos, o chama até hoje. Só voltou a ser chamado de Antônio Ribeiro Granja com a Lei da Anistia (1979).

Com o fim da ditadura, Granja voltou a trabalhar para jornais do partido e foi convidado a escrever para a revista “Internacional”, com sede em Praga, na antiga Tchecoslováquia, hoje República Tcheca. Lá, viveu os últimos anos da União Soviética, voltando para o Brasil no início da década de 1990.

Com o fim da União Soviética, o Partido Comunista Brasileiro se dividiu em três correntes. Parte dos dirigentes defendia uma grande mudança, tirando da bandeira símbolos históricos como a cor vermelha e a foice com o martelo. Desse grupo surgiu o Partido Popular Socialista (PPS).

Militante histórico acompanhou a transformação do PPS recentemente em uma nova forma partido com o surgimento do Cidadania23, que guarda semelhança com sua primeira experiência política em torno da Aliança Liberal, agora com o surgimento de movimentos cívicos que encontraram no novo partido, oriundo do mais velho, surgido em 1922, aberto às correntes liberais comprometidas com a Democracia, e na construção de uma sociedade equânime, fraterna e justa.

Esta, em breves linhas, uma pequena síntese da vida do companheiro que nos deixou, legando-nos sua história de honradez e militância partidária, orientada pela convicção que a Democracia é o solo firme em que devemos atuar de forma decidida, na construção de um país que seja a “Mãe gentil” de seu povo, ainda tão sofrido.

Que a lição de vida de Granja possa inspirar as novas gerações que encontram no Cidadania23, o espaço do exercício da política, em função dos ideais republicanos e da democracia.

Salve Antônio Ribeiro Granja que nunca deixou de acreditar na Política como instrumento transformador da sociedade.

Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania

Cidadania lamenta a morte de Arildo Salles Doria

O Cidadania divulgou nota de pesar (veja abaixo) pela morte do militante histórico do PPS-PCB, Arildo Salles Doria, aos 85 anos, ocorrida neste domingo (23), em Brasília. Ele foi funcionário do Banco do Brasil, nasceu no Espírito Santo e muito jovem ainda foi morar no Rio de Janeiro, participando ativamente do movimento estudantil como presidente do Diretório Acadêmico da antiga Universidade do Distrito Federal, onde concluiu os cursos superiores de Direito e de Letras.

Arildo também foi militante sindical e no Sindicato dos Bancários de Brasília tornou-se a alma do Cebolão, jornal que redigia e serviu de referência para todo o movimento sindical dos bancários. Também trabalhou na Câmara dos Deputados e foi um empreendedor na criação e montagem da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), vinculada ao Cidadania, tendo assumido o cargo de diretor-geral executivo da instituição.

“Construtor de sonhos, alguns dos quais ele, com outros, coletivamente, conseguiu transformar em algo palpável e consumível na sua antiga, constante e justa batalha por um mundo cada vez mais íntegro, sempre mais participativo, convivendo num ambiente de crescentes liberdades e em que se materializem oportunidades iguais para todos, este observador atento das “coisas do mundo” e intelectual de mente brilhante e solidária tinha na humildade um dos traços mais marcantes da sua personalidade. Seu livro de memórias, Essas Coisas, reflete bem quem ele foi”, diz a nota.

Arildo Salles Dória: Um personagem singular

Vítima de problemas cardíacos, faleceu ontem, aos 85 anos, em seu apartamento na Asa Sul, de Brasília, o querido companheiro Arildo Salles Dória, filho de um oficial da Polícia Militar e de uma professora primária. Figura singular, sob qualquer ângulo em que se examine sua vida, ele nasceu no Espírito Santo e muito jovem ainda foi para a então capital da República, a cidade do Rio de Janeiro, a fim de dar continuidade aos seus estudos, e onde as ideias e projetos revolucionários lhe conquistaram a mente e o coração no tumultuado período histórico em que de adolescente se fez adulto. Participou ativamente do movimento estudantil de então como presidente do Diretório Acadêmico da antiga Universidade do Distrito Federal, onde concluiu os cursos superiores de Direito e de Letras.

Aprovado em concurso público do Banco do Brasil, tornou-se seu funcionário e por conta disso envolveu-se na luta sindical. Logo depois do golpe militar de 1964, foi forçado pela direção do BB a passar, durante dois anos, “um doce exílio” em Picos, no Piauí. Ao retornar à Cidade Maravilhosa, passou a exercer funções importantes no Partidão e na luta sindical no Rio, sendo depois transferido para Brasília, para reorganizar o Partido.

Começou a trabalhar na Câmara dos Deputados em 1987, no gabinete do então deputado pelo PCB e ex-companheiro do Sindicato dos Bancários, Augusto Carvalho, e em seguida passou a atuar na Liderança do PPS, onde permaneceu até recentemente, não sem antes ser homenageado por aquela Casa com a Medalha do Mérito Legislativo, pelos serviços prestados à democracia.

Contamos com sua cabeça privilegiada e seu espírito empreendedor na criação e montagem da Fundação Astrojildo Pereira, no ano 2000, tendo aceito e assumido o cargo de diretor-geral executivo da instituição. Sua contribuição está reconhecida publicamente pela FAP e pelo Partido, com a criação do Espaço Arildo Dória, onde funcionam a Biblioteca Salomão Malina, o Cine-Clube Vladimir Carvalho e um auditório para palestras e ciclos de debates, no Conic.

Tendo construído ao longo do tempo uma vasta cultura, por meio de habitual e constante leitura de autores clássicos e populares, sejam obras complexas de filosofia, economia, sociologia e política, sejam obras leves de escritores e poetas, sejam artigos de revistas e jornais, sejam notícias sobre o cotidiano, Arildo era um cidadão antenado com o seu espaço físico e seu tempo.

Construtor de sonhos, alguns dos quais ele, com outros, coletivamente, conseguiu transformar em algo palpável e consumível na sua antiga, constante e justa batalha por um mundo cada vez mais íntegro, sempre mais participativo, convivendo num ambiente de crescentes liberdades e em que se materializem oportunidades iguais para todos, este observador atento das “coisas do mundo” e intelectual de mente brilhante e solidária tinha na humildade um dos traços mais marcantes da sua personalidade. Seu livro de memórias, Essas Coisas, reflete bem quem ele foi.

Brasília, 24 de junho de 2019

Roberto Freire
Presidente nacional do Cidadania

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