Indicadores econômicos de novembro frustram expectativas

Ao longo de 2019, economia registrou sinais contraditórios de retomada do aquecimento. Vendas do comércio na Black Friday foram abaixo do esperado (Foto: Reprodução)

Jornal Nacional – O Globo

A trajetória de crescimento da economia brasileira diminuiu de ritmo no fim de 2019. Em novembro, alguns números ficaram abaixo das expectativas.

No chão da fábrica, pé no freio. Depois de três meses seguidos de produção em alta, o ritmo caiu em novembro na comparação com outubro – pouco mais de 1% de queda.

O resultado afetou o setor de serviços. A queda de 0,1% foi puxada especialmente pelo setor de transportes. Com menos produtos saindo das fábricas, os caminhões também circularam menos no fim de 2019.

“No caso da indústria, você produz muito em outubro e consome estoques ao longo de novembro e dezembro, isso é um processo natural. Houve um repique da inflação também, isso piora as condições de renda e consumo, atrapalha”, disse Roberto Padovani, economista-chefe do BV.

As vendas do comércio em novembro subiram 0,6% em relação a outubro. Apesar do resultado positivo, foi bem menor do que muitos previam para um mês com Black Friday.

Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, os dados de novembro deram um banho de água fria nas projeções do mercado e colocam em dúvida a velocidade de crescimento do PIB – o conjunto de todos bens e serviços produzidos pelo país num determinado período. Mas isso não indica que a economia parou

“Os números de novembro colocam certo alerta de que o ritmo seja um pouquinho menor do que se imaginava. Vamos pensar assim: a gente está com uma economia que, na média, em 2019 cresceu em torno de 1%. Ou seja, ainda é um crescimento muito baixo. Quando a gente tem crescimentos baixos assim é normal alguns meses virem pior do que outros e negativos, como a gente viu de fato acontecer, no caso da indústria em novembro”.

Nesta quinta-feira (16), o Banco Central divulgou o índice de atividade econômica que dá um termômetro de como anda o crescimento do país porque leva em conta todos os segmentos da economia. Esse indicador é calculado pelo BC e é considerado uma prévia do PIB.

Em novembro, esse índice subiu 0,18%, resultado que também surpreendeu os analistas, mas desta vez positivamente – muitos acreditavam que haveria queda de atividade nesse período.

“O dinamismo da economia brasileira está vindo via setor privado, através do consumo e de uma recuperação moderada do investimento. Então, a gente deve esperar duas coisas: uma recuperação forte do setor privado, que é ampliação das vendas nível de varejo, e uma retomada dos investimentos produtivos”, disse o professor da Faculdade de Economia da USP Simão Silber.

IBGE: Vendas do comércio varejista crescem 0,6% em novembro

Resultado do setor é a sétima alta consecutiva, que acumula alta de 3,3% no período (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,6% na passagem de outubro para novembro de 2019. Segundo dados da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), divulgada nesta quarta-feira (15) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), esta é a sétima alta consecutiva do indicador, que acumula alta de 3,3% no período.

O comércio também teve altas na média móvel trimestral (0,5%), na comparação com novembro de 2018 (2,9%), no acumulado de janeiro a novembro de 2019 (1,7%) e no acumulado de 12 meses (1,6%).

A alta de outubro para novembro foi puxada por quatro das oito atividades pesquisadas, com destaque para artigos farmacêuticos, médicos, de perfumaria e cosméticos (4,1%). Também tiveram alta outros artigos de uso pessoal e doméstico (1%), móveis e eletrodomésticos (0,5%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,8%).

Três atividades tiveram queda no volume de vendas de outubro para novembro: tecidos, vestuário e calçados (-0,2%), combustíveis e lubrificantes (-0,3%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-4,7%). O setor de supermercados, alimentos, bebidas e fumo manteve em novembro o mesmo patamar de vendas do mês anterior.

A receita nominal do varejo também cresceu em todos os tipos de comparação: em relação a outubro (0,9%), na comparação com novembro de 2018 (4,9%), na média móvel trimestral (0,7%), no acumulado de janeiro a novembro (4,7%) e no acumulado de 12 meses (4,6%).

Varejo ampliado

O varejo ampliado, que agrega os segmentos de veículos e materiais de construção aos oito segmentos do varejo, teve queda de 0,5% na passagem de outubro para novembro, devido ao recuo de 1% na atividade de veículos, motos, partes e peças. Os materiais de construção tiveram variação positiva de 0,1%.

Nos demais tipos de comparação, no entanto, o varejo ampliado teve altas: média móvel trimestral (0,4%), comparação com novembro de 2018 (3,8%), acumulado dos onze primeiros meses de 2019 (3,8%) e acumulado de 12 meses (3,6%).

A receita nominal caiu 0,3% na comparação com outubro, mas cresceu 0,5% na média móvel trimestral, 5,5% em relação a novembro de 2018, 6,3% no acumulado de janeiro a novembro de 2019 e 6,1% no acumulado de 12 meses. (Agência Brasil)

Produção industrial recua em 11 locais em novembro

Segundo a PIM (Pesquisa Industrial Mensal), a maior queda foi observada no Paraná (Foto: Reprodução)

A produção industrial recuou em 11 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na passagem de outubro para novembro de 2019. Segundo a PIM (Pesquisa Industrial Mensal), divulgada nesta terça-feira (14), a maior queda foi observada no Paraná (-8%).

Outros locais que tiveram queda acima da média nacional (-1,2%) foram o Espírito Santo (-4,9%), Pernambuco (-4,1%), a Bahia (-3,5%), Minas Gerais (-3,4%), São Paulo (-2,6%), Goiás (-2,1%), o Pará (-1,8%) e Rio Grande do Sul (-1,5%). Também tiveram queda a Região Nordeste (-1%) e Santa Catarina (-0,4%).

Por outro lado, três estados tiveram alta na produção no período: Rio de Janeiro (3,7%), Ceará (3,4%) e Mato Grosso (2,7%). O Amazonas manteve o mesmo nível de produção nos dois meses.

Outras comparações

Na comparação com novembro de 2018, houve quedas em dez locais, com destaque para o Espírito Santo (-24,3%). Cinco locais tiveram alta. Os maiores crescimentos na produção foram registrados no Rio de Janeiro (13,3%), Amazonas (11,5%) e em Goiás (10,3%).

No acumulado de 12 meses, foram registradas quedas em oito locais. O Espírito Santo também foi o destaque negativo nesse tipo de comparação, ao recuar 13,5%. Sete locais tiveram alta, com destaque para o Paraná (5%). (Agência Brasil)

IBGE: Setor de Serviços registra queda de 0,1% em novembro

Na comparação com novembro de 2018, no entanto, o volume cresceu 1,8% (Foto: Reprodução)

O volume de serviços no País caiu 0,1% em novembro de 2019 na comparação com o mês anterior. A queda veio depois de uma alta acumulada de 2,2% nos meses de setembro e outubro, segundo a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), divulgada nesta terça-feira (14), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na comparação com novembro de 2018, no entanto, o volume cresceu 1,8%. Também houve altas de 0,9% no acumulado de janeiro a novembro de 2019 e no acumulado de 12 meses.

Na passagem de outubro para novembro, três das cinco atividades do setor de serviços tiveram queda no volume: transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-0,7%), serviços prestados às famílias (-1,5%) e serviços de informação e comunicação (-0,4%).

Por outro lado, duas atividades tiveram alta, o de outros serviços (1,7%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (0,1%).

Em relação à receita nominal, os serviços tiveram queda de 0,5% na comparação com outubro. Na comparação com novembro do ano anterior foi observada uma alta de 5%. Já nos acumulados de janeiro a novembro de 2019 e de 12 meses, foram registradas altas de 4,4%. (Agência Brasil)

Criação de empregos com carteira assinada em novembro tem melhor resultado desde 2010

Caged registra abertura de 99,2 mil postos de trabalho no mês passado (Foto: )

Beneficiada pelo comércio e pelos serviços, a criação de empregos com carteira assinada atingiu, em novembro, o oitavo mês seguido de crescimento. Segundo dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, 99.232 postos formais de trabalho foram criados no último mês. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

Este foi o melhor nível de abertura de postos de trabalho para novembro desde 2010, quando as admissões superaram as dispensas em 138.247. A criação de empregos totaliza 948.344 de janeiro a novembro, 10,5% a mais que no mesmo período do ano passado.

A geração de empregos atingiu o maior nível para os 11 primeiros meses do ano desde 2013, quando tinham sido abertas 1.546.999 vagas no acumulado de 11 meses.

Setores

Apesar da alta, a criação de empregos em novembro concentrou-se em poucos setores. Na divisão por ramos de atividade, apenas três dos oito setores pesquisados criaram empregos formais no último mês. O campeão foi o comércio, com a abertura de 106.834 postos, seguido pelos serviços (44.287 postos). Em terceiro lugar vêm os serviços industriais de utilidade pública, categoria que engloba energia e saneamento (419 postos).

O nível de emprego caiu na indústria de transformação (-24.815 postos), na agropecuária (-19.161 postos) e na construção civil (-7.390 postos). A administração pública fechou 652 postos, e a indústria extrativa mineral encerrou 290 postos formais.

A geração de emprego em novembro costuma ser marcada pelo reforço no comércio para as contratações de fim de ano. No entanto, a indústria, que reforçou a produção em agosto e em setembro por causa do Natal, desacelera. A agropecuária também dispensa empregados por causa da entressafra de diversos produtos, como a cana-de-açúcar.

Destaques

No comércio, a criação de empregos foi puxada pelo segmento varejista, com a abertura de 100.393 postos formais. O comércio atacadista gerou a abertura de 6.441 vagas. Nos serviços, os destaques foram venda e administração de imóveis (30.695 postos), serviços de alojamento, alimentação, reparação e manutenção (15.839 postos) e serviços médicos, odontológicos e veterinários (4.786 postos).

Na indústria de transformação, puxaram a queda no emprego as indústrias de produtos químicos, farmacêuticos, veterinários e de perfumaria (-7.140 postos); de produtos alimentícios e de bebidas (-7.040 postos); têxtil e vestuário (-5.309 postos) e a indústria de calçados (-2.399 postos). (Agência Brasil)

Inflação sobe para 0,51% em novembro, a maior taxa para o mês desde 2015

No ano, índice de preços aumentou 3,12%, aponta IBGE (Foto: Reprodução)

A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,51% em novembro deste ano. A taxa é superior às registradas em outubro deste ano (0,10%) e em novembro do ano passado, quando havia sido observada uma deflação (queda de preços) de 0,21%.

Esse é o maior resultado para um mês de novembro desde 2015 (1,01%). Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA acumula taxas de 3,12% no ano e de 3,27% em 12 meses.

O avanço de preços dos alimentos, incluindo as carnes, energia elétrica e jogos de azar tiveram impacto no resultado de novembro, segundo o IBGE. (Com informações das agências de notícias)