Ao responder a Eliziane Gama, Nelson Teich diz que tragédia em Manaus poderia ter sido evitada com informação

O ex-ministro disse a Eliziane Gama que a postura negacionista de Bolsonaro pesou em sua decisão de deixar o Ministério da Saúde (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Em depoimento nesta quarta-feira (05) na CPI da Pandemia, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, ao responder à pergunta da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre o colapso de saúde em Manaus, disse que faltaram informações precisas e antecipadas da parte das autoridades de saúde sobre o que estava acontecendo na capital do Amazonas.

“Mais do que uma visita ao local, é necessário  ter dados, fazer um diagnóstico preciso para se antecipar [aos fatos], inclusive  se vai faltar oxigênio ou não. Sem isso, as chances de se antecipar aos fatos, evitar uma tragédia, são muito poucas. Isso foi o que aconteceu em Manaus”, afirmou.

O ex-ministro disse a Eliziane Gama que  a postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia também pesou em sua decisão de deixar o Ministério da Saúde em menos de um mês de gestão.

“A cloroquina foi o principal motivo, mas isso aí teve peso sim”, afirmou Teich à senadora.

Entrevistas coletivas

Nelson Teich negou ainda que tenha suspendido as coletivas de imprensa diárias que eram dadas na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.

“As informações continuaram acontecendo, mesmo com a mudança de formato das  coletivas, que ao meu ver estavam tendo um tom não técnico. Da minha parte, nunca houve cerceamento à informação”, justificou, ao responder questionado da senadora maranhense. (Assessoria da parlamentar)

Veja abaixo as perguntas de Eliziane Gama e as respostas do ex-ministro Nelson Teich na CPI da Pandemia.

Eliziane Gama: Ministro, eu queria iniciar com o senhor pelo que foi questionado, agora há pouco, tanto pelo Relator da Comissão, quanto pelo Vice-Presidente da Comissão, acerca da questão do uso da cloroquina. O senhor citou, por exemplo, uma reunião com empresários que se deu, depois teve uma live e, na sequência, V. Exa. fez o pedido de sua demissão. Nesse ínterim, Ministro, entre a reunião com a classe empresarial, que é o que me parece, seriam empresários da área farmacêutica… É isso?

Nelson Teich: Eu não sei dizer para a senhora. Na verdade, eu ouvi isso depois. Então, eu não sei dizer exatamente com quem foi a reunião. Isso eu ouvi na mídia, para te falar a verdade.

Eliziane Gama: Nesse ínterim, entre a reunião da classe empresarial e o seu pedido de demissão, o senhor teve alguma conversa anterior com o Presidente Bolsonaro? O senhor recebeu, por exemplo, algum tipo de pressão que levasse, nesse ínterim, ao seu pedido de demissão?

Nelson Teich: Não.

Eliziane Gama: Certo.
O senhor ficou muito pouco tempo no Ministério, algo aí em torno… Menos, na verdade, de 30 dias.

Nelson Teich: Hã-hã.

Eliziane Gama: E aí os colegas já fizeram as várias perguntas referentes às razões que o levaram a fazer o pedido de demissão. Eu diria ao senhor, eu estaria, por exemplo, falando errado ao dizer que o seu pedido de demissão se deu, além da questão da cloroquina, também pela posição negacionista do presidente Bolsonaro?

Nelson Teich: Objetivamente, não. Eu quero deixar bem claro: a minha saída foi porque eu não tinha autonomia para implementar aquilo que eu achava que era certo. Todas as coisas que levavam a esse conceito tiveram peso, mas, especificamente, a razão essencial foi que eu precisava de autonomia e precisava de liderança. Sem isso, eu não ia conseguir fazer o que eu tinha que fazer em termos de estratégia, ação, tudo. Então, essencialmente, foi isso. A cloroquina foi realmente pontual, mas existiam outras coisas que aconteceram que já foram colocadas, mas a minha saída essencialmente foi porque eu não teria a autonomia e a liderança para conduzir da forma que eu achava que devia.

Eliziane Gama: Certo.

Nós tivemos ontem, aqui, a presença do Ministro Mandetta, e ele falou acerca desse aconselhamento paralelo, parece que um governo paralelo, não é? O senhor disse agora que o senhor não teve o conhecimento. O senhor, inclusive, deixou claro que, talvez, teve conhecimento aqui, com essa informação ontem, do Mandetta, mas nós temos, na verdade, algumas fotografias de reuniões, com a presença, por exemplo, de um dos filhos do presidente da República que não integra o governo – seria um vereador.

O senhor chegou a participar de algumas das reuniões ministeriais com o governo, com a equipe do Governo, com a presença do filho do presidente da República?

Nelson Teich: As reuniões dos ministros, não. Eu tive algumas reuniões com o presidente, mas lembrar da presença de um deles na reunião eu não lembro, é difícil; tem um ano também, é difícil lembrar. Eu nunca me dirigi a eles, eu nunca conversei com eles, nunca discuti nada com eles. Se existia alguma… Eles podiam estar, em algum momento fisicamente ali, mas eles não tiveram nenhuma interferência em qualquer reunião que eu tivesse feito com o presidente.

Elizane Gama: O senhor não lembra ou o senhor afirma que não havia a presença de nenhum deles? É bom lembrar até porque a gente está aqui com o senhor na condição de testemunha. Não é isso? Só para confirmar, presidente.

Nelson Teich: Isso.

Randolfe Rodrigues: É o art. 203 do Código de Processo Penal.

Eliziane Gama: Exatamente!

Nelson Teich: Eu não lembro, eu não lembro.

Eliziane Gama: Então, o senhor não lembra?

Nelson Teich: Não.

Eliziane Gama: Ou seja, o senhor pode ter participado de reuniões com a presença dos filhos do presidente.

Nelson Teich: Se eles estavam na reunião, não foram pessoas que tiveram alguma participação ativa, senão eu lembraria.

Eliziane Gama: Certo.

Sr. Presidente, ou melhor, Sr. Ministro, acerca da questão das vacinas, o Randolfe fez uma pergunta agora há pouco. Lá atrás – o senhor esteve no ministério de abril a maio, esteve por pouco tempo ali –, já se começava, na verdade, o debate. O senhor faz referência aos laboratórios Janssen e Moderna. Mais na frente, nós tivemos um debate muito acirrado, inclusive de forma muito clara, colocando que o Presidente da República, o Governo brasileiro não teria levado adiante as tratativas que deveriam ser levadas para termos, por exemplo, acesso à vacina. A gente já poderia ter tido vacina no final do ano passado, e, portanto, hoje, haveria uma quantidade bem maior, não é?

O senhor, pelo pouco tempo que o senhor ali passou… Mas, lá atrás, o senhor já iniciou as conversas. Por exemplo, há uma fala sua em uma coletiva. O senhor disse o seguinte: “A gente está conversando com possíveis laboratórios que vão produzir vacina, para que a gente consiga garantir, caso surja, uma vacina, para que o Brasil tenha uma cota, uma parte”. O senhor sai em seguida, depois de terem iniciado essas tratativas.

Considerando a experiência que o senhor viveu e, ao mesmo tempo, o cenário em que nós chegamos à vacina, apenas agora no mês de janeiro para fevereiro, o senhor acha que a gente poderia ter agilizado mais? O Brasil poderia ter tido acesso mais rápido a essas vacinas?

Nelson Teich: Senadora, eu não tenho acesso ao que aconteceu no ministério depois que eu saí. Todas as informações que eu tenho são informações que eu vejo na mídia. Eu acho que uma opinião dessas, baseada em fatos da mídia, seria superficial. Eu acho que eu não tenho dado forte o bastante para opinar sobre isso.

Eliziane Gama: Certo.

Durante a sua rápida passagem pelo ministério, o senhor, na verdade, realizou algumas ações importantes, entre elas um plano de diretrizes para o distanciamento. Eu pergunto ao senhor: o senhor obteve algum tipo de engajamento do Presidente da República? Ao mesmo tempo, esse plano teve, além de algum engajamento dele, o engajamento, por exemplo, de alguns dos ministros, do Ministro da Economia, por exemplo? Qual era a posição deles em relação a esse plano? E, ao mesmo tempo, qual é a sua avaliação? Por que esse plano foi totalmente abandonado com a sua saída?

Nelson Teich: Bom, esse plano fazia parte – acho que esta é uma coisa importante de a gente colocar – de um programa para controlar o distanciamento, controlar a transmissão, perdão! O que é que acontece? Quando a gente olha, como eu falei, os países que tiveram sucesso, eles controlaram a transmissão. Então, esse projeto foi feito justamente para que a gente começasse uma discussão sobre estratégias de distanciamento. Uma coisa que eu deixei clara na época era que isso não era ou para começar a distanciar ou para sair do distanciamento; era um programa para a gente começar a entender melhor.

Eu até vou lhe explicar um pouco isso. Por exemplo, hoje, o que é que acontece? Hoje, os distanciamentos acontecem, normalmente, nos programas que a gente tem chamado de lockdown, quando a cidade fica em uma situação muito crítica. Então, você tem uma sobrecarga dos hospitais, você tem uma sobrecarga da UTI. E o que acontece na prática? A gente não tem aprendido, a gente não aprende com o que a gente está fazendo.
(Intervenção fora do microfone)
Então, o que acontece hoje? Hoje, o que é o ideal? O ideal é, quando você faz qualquer medida de distanciamento, que você tente entender qual é o impacto daquilo que você está fazendo. Vou dar um exemplo prático. Hoje às vezes a gente se bloqueia à noite, bloqueia o final de semana, mas você não sabe, por exemplo, o que acontece durante o dia. Eu vi o maior número que saiu na imprensa dizendo que 86% das pessoas não conseguem fazer home office, o que quer dizer que a maioria delas tem que interagir durante o dia, talvez indo para o trabalho. Então, se você não sabe exatamente o que está acontecendo, a sua implantação é mais uma medida, porque você não tem o que fazer, porque está no limite do que você realmente tem alguma coisa de estratégia.

Então, a ideia disso, de você ter testagem, de você ter um programa de distanciamento mais cientificamente trabalhado, o projeto era esse. E esse projeto que a gente começou no período em que eu fiquei é o que há até hoje no site do Conass e Conasems. Quem trabalhou muito à frente disso foi o Denizar Vianna, que na época era meu assessor. Então, o projeto, hoje, ainda existe; se eu não estou enganado, eu vi isso essa semana, no site do Conass e o Conasems, com algum ajuste. O Conass e o Conasams hoje ainda têm isso como referência.

Eliziane Gama: Muito bem.

Ministro, eu resgatei aqui também uma outra fala do senhor que diz o seguinte: “É fundamental estar na ponta, entender o que acontece no dia a dia, ver o que está sendo feito. Esse entendimento foi importante para desenho de ações implementadas em seguida. Cada cidade a que a gente vai e a gente está mais bem preparado para o desafio”.

Eu quero fazer uma pergunta sobre essa questão da ponta, especificamente sobre o caso de Manaus, em que nós tivemos a falta aí do oxigênio e infelizmente várias pessoas vieram à óbito com esse colapso na falta de oxigênio.

Se essa sua defesa tivesse sido colocada na prática. a gente evitaria, por exemplo, o que a gente vivenciou e acompanhou em relação a Amazonas?

Nelson Teich: Em relação a Amazonas, em relação ao que aconteceu, eu acho que o grande impacto é a informação, você pode visitar uma cidade onde vai fazer um diagnóstico e saber se vai faltar oxigênio ou não.

Eu tinha colocado cinco pontos e um dos pontos em que a gente ia começar uma discussão era justamente sobre informação. A falta de informação impede que você faça um diagnóstico do momento. E, quanto mais detalhada ela for, mais você consegue ver uma linha de tendência e antecipar uma coisa que vai evoluir, porque, ao fazer um diagnóstico daquilo que já está acontecendo, a chance de você mudar aquilo é muito pequena.

Então, o programa de informação é fundamental para que você consiga antecipar movimentos. Nesse caso, mais importante que uma visita no lugar é ter uma estrutura de informação em tempo real mais complexa. Isso que eu acho que faria grande diferença, porque você consegue antecipar.

Eliziane Gama: E, nessa mesma linha, Ministro, o Ministro Mandetta, por exemplo, que o antecedeu, dava entrevista, se não me falha a memória, diariamente, dava entrevista coletiva para a sociedade, dava os números, passava orientação, enfim. Já na sua gestão, a prática das entrevistas foi suplantada. E isto o senhor coloca muito bem: informação é fundamental para o enfrentamento de um caso que é novo, de um vírus que é novo; ninguém sabe o que é, qual o tipo de tratamento, qual o tipo de medicamento, principalmente no momento em que o senhor estava na gestão, em que nem sequer se vislumbrou a prática em relação à vacina vislumbre mais prático em relação à vacina tinha já naquele momento, tanto que a gente já teve em outros países do mundo já perto do final do ano.

Por que o senhor suspendeu as entrevistas?

Nelson Teich: Na verdade, elas não foram suspensas, aconteceram coletivas. Num primeiro momento…

Eliziane Gama: Não no mesmo ritmo.

Nelson Teich: Não no mesmo ritmo, mas elas aconteceram.

Num primeiro momento, como eu coloquei, primeiro eu queria entender o que estava acontecendo, queria entender melhor o ministério. As informações continuavam saindo diariamente, só que não em coletiva, mas elas existiam diariamente.

E, ali, a minha preocupação era, como eu falei… Eu achava que aquela… Mais do que passar os números, era tentar interpretar um pouco melhor, então, a ideia era tentar, vamos dizer assim, melhorar um pouco a comunicação até, por incrível que pareça, mas eu também não esperava sair em 30 dias.

Então, tem um período ali em que eu estava avaliando a melhor forma de conduzir, mas nunca houve um objetivo de reduzir a comunicação, nunca. Nunca, pelo contrário, eu sempre fui uma pessoa que defendeu a informação muito.

Então, reduziram, realmente, naquele período, mas nunca houve um objetivo de reduzir ou…

Renan Calheiros (Fora do microfone): Da sua parte.

Nelson Teich: É, da minha parte.

Eliziane Gama: É, mas foi feita alguma recomendação em relação à suspensão dessa temporalidade…

Nelson Teich: Não, senhora.

Eliziane Gama … da continuidade das…

Nelson Teich: Não, não.

Eliziane Gama… das coletivas?

Nelson Teich: Ali eu realmente estava tentando entender porque, querendo ou não, você… Era um momento muito difícil, muito complexo e eu tinha que minimamente entender o que estava acontecendo.

No espaço de uma semana, oito, nove dias, foi o tempo que eu precisava para minimamente começar a me comunicar com as pessoas.

Eliziane Gama: E para finalizar, Presidente Randolfe, nós tivemos… Eu queria fazer uma pergunta para o senhor de forma mais direta.

No seu Governo, havia ali a indicação do general Pazuello. O general Pazuello, ministro, foi imposto como uma condição?

Por que eu pergunto isso? Porque, na sequência, quando ele estava no ministério, ele falou uma frase ao lado do Presidente da República e disse: “Olha, manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Mais ou menos algo dessa natureza.

A presença dele no ministério… O senhor chegou – e aí é muito bom a gente lembrar –, quando o senhor foi colocado como Ministro da Saúde, houve uma expectativa nacional pelo seu perfil técnico, pela sua postura, pelo seu histórico.

E aí, depois, veio a colocação do secretário e o senhor saiu logo, quer dizer, o senhor não passou nem um mês no ministério, tudo muito rápido. A gente até ficou se questionando: “Meu Deus, o que de fato aconteceu?”.

O general Pazuello foi imposto? Foi colocado como condição? Porque depois ele falou exatamente essa frase, ou seja, ele estava dentro do perfil que, em tese, teria que ser feito, independentemente de questões da ciência ou avaliações técnicas.

Ele foi imposto?

Nelson Teich: A resposta bem objetiva é não.

Eliziane Gama: Ele foi imposto?

Nelson Teich: Se ele tivesse sido imposto, eu saia com uma semana em vez de um mês. Entendeu?

Eliziane Gama: Obrigada.

Nelson Teich: Uso de cloroquina como tratamento precoce contra Covid-19 é responsabilidade direta do presidente

‘Eu saí em função disso e ele [Bolsonaro] mantém a posição dele”, disse ex-ministro da Saúde em resposta ao senador Alessandro Vieira (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A persistência na recomendação do uso generalizado de cloroquina e hidroxicloroquina, substâncias com ineficácia cientificamente comprovada para a Covid-19, e gastos na fabricação desses remédios, reconhecidamente inúteis no  tratamento da doença, são de responsabilidade direta do presidente Jair Bolsonaro. A afirmação é do ex-ministro da Saúde Nelson Teich, respondendo a perguntas do líder do Cidadania, Alessandro Vieira (SE), durante sessão da CPI da Pandemia, nesta quarta-feira (05).

“O presidente tem aposição dele de defender a cloroquina, eu saí em função disso e ele mantém a posição dele”, resumiu Teich, confirmando que não existe nenhum estudo clínico, sério, referendado mundialmente, que apregoe utilizar esses medicamentos no tratamento de Covid-19.

O ex-ministro da Saúde reconheceu em resposta a Alessandro Vieira que se o Brasil tivesse entrado mais cedo, numa ‘estratégia de governo’, no disputado mercado de venda de vacinas, então ainda em desenvolvimento, o Brasil certamente teria agora mais vacinas agora, e poderia evitar tantas mortes.

Autonomia do médico

O ex-ministro da Saúde explicou ainda a diferença entre a autonomia do médico na relação com o paciente, na discussão do melhor tratamento, e o desenvolvimento de uma política pública, com gastos elevados, baseada em teorias sem nenhum lastro científico sério, como é o caso da fabricação e uso de cloroquina.

“Quando você fala em dinheiro público, aí não se pode usar em coisas que sabidamente não funcionam”, disse Teich.

Medicamentos sem eficácia

Ao inquerir o ex-ministro, Alessandro Vieira citou frase dita hoje (05) pelo presidente Bolsonaro, que chamou de “canalha” quem é contra o tratamento precoce contra a Covid-19, com uso de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina.

A promoção do tratamento precoce é um dos alvos da CPI, com o objetivo de investigar as ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia, além do repasse de recursos federais a estados.

Bolsonaro também voltou a fazer um novo ataque à China, sugerindo que o país asiático teria se beneficiado economicamente da pandemia, afirmando que a Covid-19 pode ter sido criada em laboratório — tese que não encontra respaldo científico.

“Não concordo com nada disso”, disse Teich, demonstrando desânimo com as declarações do presidente da República.

Muito preocupante, diz Paula Belmonte sobre demissão de Nelson Teich

A deputada Paula Belmonte (Cidadania), membro da comissão externa da Câmara dos Deputados que trata do acompanhamento de ações do enfrentamento ao coronavírus, classificou de “muito preocupante” a saída do ministro da Saúde, Nelson Teich, que pediu demissão nesta sexta-feira (15). “A população está assustada”, afirmou a parlamentar.

“Estamos precisando de um líder que acalente as pessoas que estão em pânico, mas também auxilie aquelas que estão querendo reabrir (seus negócios)”, disse Paula Belmonte. Esse líder, segundo a parlamentar, “deve trazer convergências que estão faltando em nosso país neste momento”.  

A deputada não concorda com as iniciativas, durante a pandemia, de quem “não têm competência para decidir as coisas”. Ela falava da Justiça do Distrito Federal, que determinou que a economia volte à carga aos poucos. “Não tem competência nenhuma”, reagiu. O governador Ibaneis Rocha defende a retomada total na próxima segunda-feira.

Poema do Stepan: um “cavaleiro da morte cavalga feliz pisoteando cadáveres”

No dia em que o Brasil assistiu estupefato à saída de mais um ministro da Saúde do cargo, na gestão Jair Bolsonaro, desta vez o médico Nelson Teich, o ator e ex-deputado Stepan Nercessian publicou um poema em seu perfil no Facebook, no qual menciona um “cavaleiro da morte” que “cavalga feliz/pisoteando cadáveres”.

Leia abaixo:

O Cavaleiro da Morte
Cavalga feliz
Pisoteando cadáveres
Ele se alimenta
De sangue
Dor
E sanguinolência
Despreza a ciência
Espalha a estupidez
Tudo
De uma só vez.
O ódio
Lhe escorre na testa
E faz do luto
A sua festa
Funesto carnaval
Vestido de mal
Prometendo
Piorar.
A morte
Avisa
Que não está
Ao lado do
Cavaleiro
A morte
Diz que mata
Mas não tripudia
O cavaleiro
Da morte
Não respeita
Nem a própria
Morte
Ele odeia a vida
Ele é um suicida.
Fiquem em casa
Até que o Cavaleiro
Da Morte
Se desfaça
Embebido
Em sua própria
Desgraça.
Stepan Nercessian
Maio 2020.

Para Liderança do Cidadania na Câmara, saída de Teich expõe Brasil e limita capacidade de superar a crise

Em nota divulgada pela Liderança do Cidadania na Câmara, o líder do partido na Casa, deputado Arnaldo Jardim (SP), diz que a saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde “expõe a imagem do País a um verdadeiro vexame no cenário mundial” e que a “perda exponencial de nossa credibilidade limita ainda mais a nossa capacidade de superar a crise” da Covid-19. Para a bancada de deputados, Bolsonaro alimenta crises em vez de buscar “condições minimamente razoáveis” para combater a pandemia.

Leia a íntegra:

Nota à imprensa

A saída do ministro da Saúde, Nelson Teich, menos de um mês após tomar posse no cargo, escancara a completa falta de planejamento e bom senso, por parte do governo do presidente Jair Bolsonaro. Em meio a uma grave pandemia, que já vitimou mais de 14 mil brasileiros, esta segunda baixa na pasta expõe a imagem do País a um verdadeiro vexame no cenário mundial. E a perda exponencial de nossa credibilidade limita ainda mais a nossa capacidade de superar a crise vigente.

Vale o alerta contra o autoritarismo assumido deste governo, que não consegue lidar com vozes divergentes dentro de sua própria equipe. Este tipo de postura, que já gerou inúmeras instabilidades, denuncia os danosos propósitos do chefe do Executivo. Ao invés de criar condições minimamente razoáveis para combater o Coronavírus, prefere alimentar disputas, teorias conspiratórias e tratamentos sem qualquer segurança científica.

Nós, da bancada do Cidadania na Câmara, lamentamos profundamente que o Brasil tenha que conviver com a sobreposição de agendas negativas desta proporção, enquanto chora a perda de seus entes queridos. Não merecemos. Não podemos aceitar tamanha ofensa.

Arnaldo Jardim (SP)
Líder do Cidadania na Câmara dos Deputados

Saída de Teich “é uma triste notícia para a saúde”, diz Carmen Zanotto

“É uma triste notícia para saúde brasileira neste momento de grave crise sanitária no Brasil”, disse, nesta sexta-feira (15), a relatora da Comissão Externa de Enfrentamento do Coronavírus, deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), ao manifestar preocupação com a exoneração do ministro da Saúde, Nelson Teich.

Zanotto considerou “lamentável” que o país perca, em menos de dois meses, o segundo ministro da área em meio à pandemia do coronavírus. De acordo com a parlamentar, Teich vinha seguindo o caminho da ciência e do diálogo, inclusive buscando aproximação com os governadores e prefeitos. “Chegou a apresentar um plano de saída gradual e responsável do isolamento social, de acordo com os índices de saúde de cada município”, elogiou Zanotto.

Demissão de Teich: Precisamos de saúde mental na presidência, diz vice-presidente do Cidadania

O vice-presidente nacional do Cidadania, deputado federal Rubens Bueno (PR), classificou como uma tragédia e exposição pública dos equívocos do presidente da República, Jair Bolsonaro, o pedido de deminssão do ministro da Saúde, Nelson Teich. Para o parlamentar, o Planalto está presicando urgentemente de saúde mental.

“Temos uma pessoa desequilibrada na presidência. Precisamos urgentemente de saúde mental. Não dá, pra no meio de uma pandemia, trocarmos dois ministros que estavam fazendo um bom trabalho em virtude de caprichos de um presidente. É preciso ciência neste momento”, defendeu Rubens Bueno.

Para o parlamentar, o presidente coloca a vida da população brasileira em risco com suas fanfarras. “Não estamos no Jardim de Infância. Ele precisa saber os efeitos de seus atos. E se não souber, vamos atuar!”, finalizou.

País precisa de pacto federativo para enfrentamento da pandemia, diz Carmen

Em audiência nesta quinta-feira (7) com o ministro da Saúde, Nelson Teich, a relatora da Comissão Externa de Enfrentamento ao Coronavírus, deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC), defendeu a necessidade de um pacto federativo para combate mais efetivo à pandemia de Covid-19.

Preocupada com o aumento de contaminação e óbitos – só nas últimas 48 horas, o vírus ceifou a vida de mais de 1.215 brasileiros -, Zanotto fez um apelo. “Só poderemos enfrentar essa pandemia com união do governo federal, dos estados e municípios. Mais do que nunca, é preciso que os entes federativos trabalhem em sintonia para reduzir os danos”.

A parlamentar também afirmou que os três poderes, com o apoio dos órgãos e entidades da administração indireta, precisam estar unidos “neste momento difícil da nação”. O Brasil já é o sexto país em número de mortes provocadas pela Covid-19, conforme dados apresentados na reunião pelo Ministério da Saúde.

Zanotto disse a Teich que também está preocupada com a proteção dos trabalhadores que estão na linha de frente do atendimento dos pacientes e com a falta de leitos de UTI e de enfermaria nos estados onde a pandemia está em estágio mais avançado. “Essas são as principais reclamações que chegam à comissão”, reforçou.

Vacinação

Carmen Zanotto pediu ainda prioridade para a vacinação de cuidadores de idosos e de pessoas com deficiência que trabalham em abrigos de longa permanência; defendeu a descentralização laboratorial no processamento do diagnóstico de Covid-19; e, por fim, que Nelson Teich fizesse um esforço para ampliar os centros de triagem em todo o país.

Senadores do Cidadania questionam, mas Teich é evasivo sobre ações de contenção à pandemia de Covid-19

“Faltaram explicações e sobraram dúvidas sobre os rumos que o governo está tomando no combate a essa doença terrível”, afirma a líder da bancada, Eliziane Gama (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Os senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA), Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) questionaram nesta quarta-feira (29) o ministro da Saúde, Nelson Teich, sobre as ações do governo federal para conter a pandemia do novo coronavírus durante videoconferência realizada pelo Senado, mas de forma geral o novo titular da pasta apresentou respostas evasivas para as perguntas dos parlamentares.

“Ao final, faltaram explicações e sobraram dúvidas sobre os rumos que o governo está tomando no combate a essa doença terrível. Só sabemos que o isolamento social tem caído em vários estados e os números de doentes e mortes só aumentam. Lamentável!”, afirmou Eliziane Gama, líder da bancada na Casa.

A parlamentar quis saber se o ministro é a favor do isolamento vertical – em tese destinado a indivíduos acima de 60 anos, portadores de diabetes, hipertensão e doenças cardíacas ou pulmonares – defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, porque em entrevistas à imprensa Teich tem dito que a avaliação do Ministério da Saúde em relação à quarentena será feita por regiões.

“Para mim isso deixa claro que a ideia defendida pelo ministro é de um isolamento vertical que já deu errado em outros países porque é uma iniciativa que aumenta o contágio. O senhor disse aqui que o governo tem o entendimento da importância do isolamento social, mas não é verdade”, assinalou a senadora.

Para Eliziane Gama, a percepção que se tem das ações do governo para combater a pandemia de Covid-19 se contrasta com as declarações em sentido contrário de integrantes do governo e do próprio presidente.

Para a senadora, presidente desdenha das mortes pela Covid-19 (Foto: Waldemir Barreto)

“Nós temos um presidente que desdenha das mortes no dia em que chegamos a 5 mil mortos por Covid-19. Ao invés de se solidarizar, disse que não faz milagres. Nós temos um outro ministro [Ernesto Araújo, das Relações Exteriores] que compara o isolamento a campos de concentração, com um total desrespeito, inclusive à comunidade judaica. Nós temos de forma clara a percepção de que o outro ministro da Saúde [Luiz Henrique Mandetta] caiu porque defendia o isolamento social. Então é importante sabermos a opinião do ministro”, cobrou.

Mas apesar da insistência da senadora maranhense e de vários senadores, Teich foi evasivo ao responder sobre a sua opinião em relação ao isolamento social, o que levou Eliziane Gama a manifestar insatisfação com as respostas evasivas de Teich ao longo da videoconferência.

Sem resposta

Ficou sem resposta também a pergunta de Eliziane Gma sobre a possibilidade de o governo liberar os jogos de futebol sem público. A parlamentar questionou como o governo vai garantir a saúde dos jogadores e como será o procedimento para garantir a segurança em campo.

UTIs

A parlamentar também questionou o ministro da Saúde se há previsão do governo federal liberar mais leitos de UTI no hospital da UFMA (Universidade Federal do Maranhão) porque estão faltando leitos de UTI no estado tanto na rede pública quanto na privada. Porém não houve resposta.

Bolsonaro, o ‘paciente’ que mais preocupa

Presidente acumula declarações irresponsáveis sobre a pandemia, diz senador (Foto: L Silva)

O senador Alessandro Vieira disse ao ministro Nelson Teich que ele tem não um, mas dois pacientes. O primeiro, o Brasil. O segundo, “que mais me preocupa”, disse o senador, é o presidente Jair Bolsonaro.

“É necessário que vossa excelência, como ministro da Saúde, como maior autoridade de saúde do Brasil, oriente o seu paciente no sentido de adotar aquilo que é necessário como medida séria”, afirmou o senador do Cidadania, lembrando que o presidente tem acumulado “declarações absolutamente irresponsáveis”.

Bolsonaro, insistiu Alessandro Vieira, “não pode obrigar o Brasil a cumprir ordens ilegais, irracionais, desmedidas”.

“É muito claro que a ação do presidente da República prejudica a saúde pública brasileira, na medida em que ele ataca, agride, aqueles governadores e prefeitos que estão tentando manter uma contenção, uma barreira [para o coronavírus], que é o distanciamento social”, disse o parlamentar.

Ele também cobrou uma posição mais “firme e contundente” do ministro da Saúde. Ao se referir às mais de 5 mil mortes já registradas no País, Alessandro Vieira disse que esses óbitos “entrarão nos currículos ministro da Saúde, do presidente da República, e de todos nós que assumimos um compromisso com a Nação”.

Médicos

Kajuru quis saber a opinião do ministro sobre o percentual de isolamento (Foto: W Barreto)

O senador Jorge Kajuru manifestou ao ministro da Saúde preocupação com a pesquisa da APM (Associação Paulista de Medicina) mostrando que 50% dos médicos que atuam no combate contra o Covid-19 enfrentam no local de trabalho a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs).

Ele questionou Teich sobre os números apresentados pela APM e quis saber qual era a opinião dele sobre o percentual de isolamento social.

“Anteontem, na primeira coletiva que o senhor deu na imprensa, disse que a saída do isolamento social não deve ser intempestiva. Quando e como isso, então, terá início? O novo Secretário Executivo do Ministério, Eduardo Pazuello, declarou que a palavra de ordem agora é não linearidade, que as orientações devem ser diferentes para cada região. Há suficiente entendimento com os governadores para a coesão entre as ações federais e estaduais. Aproveito para perguntar ao senhor: há essa coesão, na sua opinião?”, questionou o senador.

Jorge Kajuru também perguntou sobre a previsão do pico de infecções e mortes pela Covid-19.

“O senhor diria às pessoas que o pior está por vir ou que o melhor está por vir?”, quis saber, mas Teich não respondeu diretamente as indagações do senador do Cidadania.