Companheiros históricos do Cidadania homenageiam Francisco Almeida em livro

O militante e dirigente histórico do Cidadania Francisco Inácio de Almeida foi homenageado, na tarde deste sábado (14), em encontro virtual, com o lançamento do livro “Almeida: Um combatente da democracia”, composto por textos e depoimentos de antigos amigos que ao longo de suas vidas pessoais se relacionaram e atuaram politicamente ao lado do jornalista. A obra foi idealizada pelos também militantes históricos Ivan Alves Filho (RJ) e George Gurgel (BA).

Na abertura da live, Gurgel destacou a atuação de Almeida e sua trajetória partidária, que começou no PCB (Partido Comunista Brasileiro), passou pelo PPS (Partido Popular Socialista) e continua hoje no Cidadania.

“O camarada Almeida foi sempre acolhido e reconhecido pelo seu gigantesco trabalho pela democracia e por uma sociedade mais justa e humana. A sociedade precisa construir esse humanismo que ele representa. Essa referência [do Almeida] deixa claro que é possível termos uma sociedade melhor, democrática, fraterna e justa. Estamos emocionados”, disse.

Ivan Alves afirmou que o livro revela o lado humano e combativo do dirigente e o evidencia como um grande articulador político e partidário.

“A ideia partiu do Gurgel para homenagear o nosso querido Almeida. O livro o revela como um grande organizador, formulador, ativista cultural e, sobretudo, um ser humano extremamente solidário. Todos aqui o conhecemos há décadas. Não tem uma pessoa entre nós que não veja o Almeida como sinônimo de solidariedade humana”, pontuou.

Já a coordenadora do Cidadania Mulher e esposa de Francisco Almeida, Tereza Vitale, reforçou a trajetória do dirigente na história política nacional.

“[O livro] tem um retrato muito legal do Almeida como ser humano e um retrato do Brasil com o Almeida militante. Achei emocionante o fato dele fazer parte dessa história. Estou emocionada. É um homem cheio de amigos. Gosta de todos. Conversa com todos. Sempre gentil”, ressaltou.

No encontro, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, lembrou o caráter apaziguador adotado pelo dirigente em toda sua trajetória.

“Almeida é uma figura que todo mundo sabe que nele encontrará palavras com objetivo de pacificar os embates. Algumas vezes, quando pensávamos em fazer algo, ele tomava a frente. Uma pessoa prestativa e solidária. Nos ajudou e ajuda tremendamente. Merece todas as nossas homenagens. Na Fundação [Fundação Astrojildo Pereira], ele dizia que o PCB precisava de um jornal ou revista e por meio da revista rearticulou muito dos nossos intelectuais. Almeida sempre foi um elo entre todos nós”, enalteceu

Em seu depoimento na live, e de maneira emocionada, a socióloga Cleia Schiavo lembrou que, desde garota, era simpática às ideias de esquerda, mas que se filiou ao partido somente em 1992. Explicou que a sua adesão ao PPS muito se deve a a Francisco Almeida e a Ivan.

“Entrei em um momento em que se discutia muito democracia e revisão da teoria marxista. Entrei com muito medo, mas percebi que ali [o partido] era minha casa. Nesse início, fui muito abraçada pelo Ivan e pelo Almeida. Eu sou muito grata”, elogiou.

Almeida também recebeu amplos elogios do ex-governador e ex-senador Cristovam Buarque e de muitos outros amigos que participaram do encontro virtual, a maioria deles com militância iniciada no antigo PCB.

O livro foi uma obra entre amigos e companheiros e não estará à venda nas livrarias. A publicação contou com a colaboração de 33 pessoas e o prefácio foi elaborado pelo pesquisador Luiz Weneck Vianna.

Fernando Gabeira: Os vencedores levam tudo

Mas que briga é aquela que tem acolá? É o filho do homem com o seu general. Não pretendo analisar uma luta interna no governo, cheia de insultos escatológicos.

Pergunto apenas se vale a pena tantos militares no governo, com ataques permanentes contra eles e uma certa ambivalência de Bolsonaro. Se a ideia é apanhar pelo Brasil, talvez não seja a melhor aposta. O risco de desgaste das Forças Armadas é grande. E os resultados até agora, desanimadores.

Os termos que certos setores do bolsonarismo colocam são, na verdade, uma armadilha. Não respondê-los significa um silêncio constrangedor para quem participa do mesmo projeto de governo. Respondê-los é cair numa discussão de baixo nível, um filme onde todos morrem no final.

A única experiência que tive com Olavo de Carvalho foi um trecho de seu livro “O imbecil coletivo”. Nele, Olavo diz que não tenho competência nem para ser sargento do Exército de Uganda ou do Zimbábue, não me lembro.

Foi há muito tempo. Minha reação foi esperar que o Exército de Uganda, ou o do Zimbábue, protestasse. Como não disseram nada, também fiquei na minha.

Todo esse vespeiro no governo Bolsonaro é também resultado da fragilidade da oposição. Mas, observando as consequências, percebo que o Congresso vai preenchendo o vazio de poder não para oferecer uma alternativa mais sensata à sociedade, mas para garantir um retrocesso no aparato de controle da corrupção. Um dos pilares da Lava-Jato é a integração das instituições. O Congresso quer impedir que a Receita Federal e o Ministério Público compartilhem informações. Numa comissão da Câmara, tiraram o Coaf das mãos de Moro, um outro desmanche dos pressupostos da Operação Lava-Jato.

E não é só o Parlamento. O STF sente-se mais tranquilo para blindar os deputados estaduais, que só podem ser presos com autorização das Assembleias. Algo que sabemos muito improvável.

Outro passo: autorizar anistia para crimes de colarinho branco, validando o decreto de Temer.

Bolsonaro se apresentou com a bandeira anticorrupção. No entanto, no mundo real, há vários indícios de retrocesso. Não houve competência nem para evitá-los, quanto mais avançar numa agenda que interessou a milhões de eleitores.

Os tropeços de Bolsonaro e dos seus ardentes defensores abrem um espaço de poder, até agora percorrido pelo Congresso com seus objetivos claros.

Enquanto isso, ele se diverte dando tiros de retórica. Ele prometeu que vai fazer de Angra dos Reis uma Cancún brasileira. São ideias de quem está no mar e pisou pouco em terra firme, nos morros e favelas de Angra.

Esta semana, houve tiroteio, dias depois da passagem do governador Wilson Witzel. Ele foi a Angra num helicóptero e disse: “Vou acabar com a bandidagem.” Deu uns tiros, inclusive em tendas de oração, felizmente desertas, hospedou-se num hotel de luxo e voltou para o Rio.

Outra fixação de Bolsonaro é acabar com a Estação Ecológica de Tamoios, próxima ao lugar onde foi multado por pesca. Estação ecológica é de acesso limitado aos cientistas porque é uma permanente fonte de pesquisa.

No passado, critiquei publicamente o senador Ney Suassuna, que comprou um barraco de um posseiro dentro da Estação de Tamoios e nela queria construir sua mansão. Uma década depois, a ideia do senador acaba se impondo sobre a minha. Cancún implica construir muitas mansões e hotéis, e mandar para o espaço nossa riqueza biológica concentrada ali naquela unidade de conservação.

A política de meio ambiente de Bolsonaro parte da negação do aquecimento global, e em todas as áreas ambientais tem dado sinais negativos. O consolo é que há mais gente lutando para proteger seu território. No entanto, certos danos podem ser irreversíveis. O licenciamento de agrotóxicos é o mais liberal da história, num momento em que o mundo se preocupa não apenas com a saúde humana, mas também com o desaparecimento das abelhas, dos insetos e das borboletas.

O processo vai ser acentuado também no Brasil. E, sem abelhas, como é que vão polinizar nossas plantas? Dando tiros de espingarda? Se apenas brigassem entre si, os bolsonaristas provocariam menos danos que a briga permanente do governo contra a natureza.

Governos passados nos levaram a esperança e alguns bilhões de dólares. Bolsonaro ameaça levar pedaços vivos do Brasil. (O Globo – 13/05/2019)