País abre 48,4 mil vagas com carteira assinada, melhor resultado para junho desde 2013

A criação de empregos com carteira assinada teve saldo positivo em junho, com a criação de 48.436 vagas. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) foram divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Ministério da Economia.

O indicador mede a diferença entre contratações e demissões. O saldo positivo em junho foi resultado de 1.248.106 admissões contra 1.199.670 desligamentos ocorridos no período.

O resultado de junho foi o melhor para o período desde 2013, quando, no mesmo mês, foram geradas 123.836 vagas. Em junho de 2018 foram registradas mais demissões do que contratações, gerando saldo negativo de 661 vagas.

No primeiro semestre deste ano, foram criados mais 408.500 postos de trabalho ( 8.221.237 admissões e 7.812.737 desligamentos), o maior saldo para o período desde 2014 quando foram criadas 588.671 vagas. No mesmo período do ano passado, o saldo foi de 392.461 vagas.

Setores

Houve crescimento em seis dos oito setores econômicos no sexto mês de 2019. Com aumento no nível de emprego, apareceram agropecuária (22.702 vagas criadas), administração pública (483 postos abertos), serviços (saldo positivo de 23.020 vagas), construção civil (13.136 vagas abertas), serviços industriais de utilidade pública (2.525 postos criados) e extrativa mineral (565 vagas abertas).

Por outro lado, houve corte de 10.988 pontos na indústria e fechamento de 3.007 vagas no comércio.

Regiões

O Sudeste puxou a criação de vagas em junho, conforme o Caged. A região registrou um saldo líquido positivo de 31.054 postos no período.

Em seguida, apareceram Centro-Oeste (criação de 10.952 postos), Nordeste (5.142 vagas) e Norte (4.002 postos).

Já a região Sul foi a única a registrar saldo negativo, com o fechamento de 2.714 postos. (Com informações das agências de notícias)

IBGE: Inflação oficial fica em 0,01% em junho

A inflação oficial do País medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,01% em junho, divulgou nesta quarta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa é inferior ao 0,13% registrado em maio e aos 1,26% registrados no mesmo período do ano passado. Segundo o IBGE, o índice é o menor percentual mensal desde novembro de 2018, quando ficou em -0,21%.

O IPCA acumula inflação de 2,23% no ano e de 3,37% em 12 meses. O índice foi influenciado pela queda dos preços dos alimentos (0,25%) e transportes (0,31%), que contiveram a inflação no mês.

Os itens que mais influenciaram os preços dos alimentos foram as frutas (6,14%) e o feijão carioca (-14,8%). Já no grupo de transportes, a deflação veio dos combustíveis (-2,41%), com destaque para a queda de 2,04% no preço da gasolina.

O custo de saúde e cuidados pessoais, por outro lado, apresentou aumento de 0,64% e foi decisivo para evitar que o IPCA ficasse negativo.

INPC

O  INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação para as famílias com renda até cinco salários mínimos, registrou a mesma taxa do IPCA, de 0,01% em junho. O índice é inferior ao 0,15% registrado em maio deste ano e do mesmo período de 2018 (1,43%).

A inflação para essa faixa da população é 3,31% em 12 meses, percentual inferior aos 3,37% do IPCA. Pelo INPC, os produtos alimentícios tiveram deflação de 0,18% em junho, enquanto os não alimentícios tiveram inflação de 0,09%. (Com informações do IBGE e agências de notícias)

Desmatamento na Amazônia aumenta 57% em junho, diz Inpe

O desmatamento na Amazônia em junho foi cerca de 57% maior do que no mesmo mês do ano passado, segundo dados do Deter, sistema de alertas de desmatamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os dados do mês passado, por enquanto, só vão até o dia 28 – o que pode ainda causar alterações no crescimento da taxa.

No mês de junho, foram desmatados cerca de 769 km2, ante aproximadamente 488 km2 em 2018, segundo o Deter.

As taxas apontadas pelo Deter são diferentes do nível de desmatamento consolidado publicado anualmente por meio do Prodes, também do Inpe.

“O Deter é um dado oficial que pega o pulso do desmatamento mensal”, diz Carlos Souza, da ONG Imazon. Ele explica que, no caso do Prodes, as melhores imagens de satélite (com menor interferência de nuvens) são selecionadas e analisadas para que dados mais precisos sejam obtidos.

Segundo análise ainda em processo da Imazon, de agosto do ano passado a junho deste ano, houve um aumento de desmatamento de cerca de 8%, quando comparado ao mesmo período anterior.

O desmate na Amazônia vem apresentando tendência de expansão desde 2012, quando atingiu seu menor valor histórico.

No ano passado (considerando o período entre 2017 e 2018), a destruição da Amazônia atingiu o maior patamar da última década, com 7.900 km2 de floresta derrubados, 14% mais que no período anterior (2016-2017).

Souza afirma que é alta a probabilidade de novo aumento no desmatamento em relação ao período anterior. (Com informações da Folhapress)

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Inpe: Desmatamento na Amazônia cresce 60% na comparação com junho de 2018

Desmatamento cresce 60% na Amazônia

Destruição da floresta aumenta 60% em junho, na comparação com 2018

ANA LUCIA AZEVEDO E JOHANNS ELLER* – O GLOBO

O desmatamento na Amazônia aumentou, em junho, quase 60% em relação ao mesmo mês em 2018. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a floresta perdeu, no mês passado, 762,3 km2 de mata nativa, o equivalente a duas vezes a área de Belo Horizonte.

No mesmo período, em junho de 2018, o desmatamento havia sido de 488,4 km2. No acumulado de 2019, o Brasil viu uma redução de aproximadamente 1,5 vez o território da cidade de São Paulo: 2.273,6 km2. Este é o pior registro desde 2016.

Na comparação mês a mês com relação a 2018, os dados estavam estáveis até abril. De abril a maio, o desmatamento deu um salto, de 247,2 km2 a 735,8 km2 de floresta destruída.

Considerados válidos e comprovados pela comunidade científica nacional e internacional (por poderem ser aferidos de forma independente), os dados do Inpe já foram postos em dúvida em uma ocasião pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O Inpe usa dois sistemas para monitorar o desmata-mento. O instituto tem o Prodes, com maior resolução e anual, que oferece um cenário preciso. E o Deter, mensal, que só detecta áreas maiores e não ocultas por nuvens comuns na Amazônia, mas que é considerado uma ferramenta importante para a fiscalização. Os dados divulgados agora são do Deter.

O Inpe usa em suas análises satélites internacionais qualificados, como, por exemplo, os do sistema Landsat. O ministro propôs análises por uma empresa privada, mas não informou qual nem que sistema de satélites usaria.

Os números levam em conta desmatamentos com solo exposto, com vegetação remanescente e derrubadas resultantes de atividades ligadas à mineração, metodologia adotada e analisada pelo Observatório do Clima.

Na série histórica da plataforma Terra Brasilis, disponibilizada pelo Inpe e iniciada em 2015, os números deste ano até agora só são superados pelos de 2016, que registrou, até junho daquele ano, 3.183 km2 de áreas desmatadas, no consolidado do ano. Naquela ocasião, os índices foram os piores desde 2008.

O cenário coloca em risco as metas do Brasil para o Acordo de Paris, assinado em 2015. No documento, o país se compromete a zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.

Procurado pelo GLOBO, o Ministério do Meio Ambiente não respondeu aos questionamentos até a conclusão desta edição.

Para Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, o quadro mostra que o discurso oficial de “combater a indústria de multas” e contrário à destruição legal de equipamentos de desmatadores acabam por favorecer o desflorestamento.

— Se você diz que vai tirar o governo das costas de quem quer produzir, estamos, na verdade, tirando o governo das costas de quem está cometendo crimes ambientais — avalia Rittl.

“EQUIPES EM CAMPO”

Sobre as críticas de Salles ao monitoramento do Inpe, o ambientalista é taxativo: — O sistema mensal do Inpe visa a alertar os órgãos ambientais para que vão a campo para acabar com o desmatamento. Ele não detecta o desmatamento em sua totalidade. Esses números mostram uma tendência muito forte, mas não permitem dizer que foi só isso que foi desmatado — explica o secretário-executivo.

O pesquisador do Instituto Socioambiental Antonio Oviedo pontua que a “retomada do desmatamento” teve início no governo de Michel Temer, com a publicação de medidas legais, como a chamada lei da grilagem. No atual governo, segundo o pesquisador, há uma “narrativa” que, entre outras coisas, “desautoriza operações
em andamento contra madeira ilegal”.

— São sinais que, no campo, se refletem em aumento do desmatamento. Agora temos um setor muito interessado na pilhagem da Amazônia, na conversão da floresta em lavoura e pecuária — afirma Oviedo. Ele explica ainda que essas taxas de desatamento devem aumentar nos próximos meses, pois começará o período seco da Amazônia, em que a atividade de exploração madeireira também se intensifica.

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado na última sexta-feira, tem condicionantes ambientais. Porém, o Fundo Amazônia, iniciativa financiada pelos governos da Alemanha e da Noruega voltada para a proteção do bioma, está paralisado.

O comitê organizador do fundo não foi renovado no decreto presidencial da última sexta-feira, enquanto o governo negocia um novo formato com os dois países europeus. Boa parte do financiamento do Ibama, por exemplo, deriva atualmente do fundo.

O endurecimento do discurso de lideranças euro-peias como o presidente da França, Emmanuel Macron, não impedirá que o desmatamento ilegal avance, teme Rittl. Para ele, o bloco europeu “assinou um cheque em branco” em relação ao aumento da violência contra povos indígenas e do desmatamento. Ainda na opinião de Rittl, o próprio acordo com a União Europeia pode ficar na berlinda se o desmatamento continuar a aumentar: — Temos no acordo referências a questões de proteção do meio ambiente, como no Acordo de Paris. Tudo isso é bonito no papel. Como traduzir isso em mecanismos? O que vai assegurar que esse país cumprirá? Se o acordo entrar em pleno vigor em dois ou três anos, corremos o risco de perder muita floresta. (* Estagiário, sob supervisão de Cristina Fibe)