Respondendo a Paula Belmonte, Levy diz que decisão sobre empréstimos do BNDES era política

O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy disse que não autorizou operações que lhe causaram “desconforto” quando ele estava na presidência do BNDES. Levy fez a declaração quando respondia a pergunta da deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) na CPI que investiga irregularidades no banco. Ela se referia a empréstimos feitos pelo banco entre 2003 e 2015 a países que passaram a ter problemas para pagá-los.

Segundo a parlamentar, foram R$ 40 bilhões em empréstimos, com 10% de perda e 5% de inadimplência.

“Quando fui confrontado para decidir sobre um dos casos, não dei sinal verde”, afirmou o ex-presidente do banco.

O ex-ministro confirmou uma suspeita da comissão que não tinha sido atestada por nenhum dos dirigentes que depuseram: a decisão de fazer empréstimos a Cuba, Venezuela, Angola e Moçambique era política. Outros presidentes do banco disseram à CPI que o critério era técnico.

Paula Belmonte questionou também os aportes do dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) no banco. Levy disse que por um tempo 60% desses recursos foram colocados no BNDES. O percentual diminuiu para 40%, enquanto o aporte do tesouro nacional foi elevado.

“As consequências disso são controvertidas. Do ponto de vista fiscal, criou muita pressão”, disse, respondendo a Paula Belmonte.

Joaquim Levy afirmou ainda que há “enorme desconforto” com ilicitudes ocorridas no banco.

“Que as companhias de construção civil fizeram ilícitos não há dúvida. Não só com o BNDES”, disse, sem especificar sobre quais ilegalidades estava falando.

Roberto Freire: Faltou compostura de Bolsonaro na demissão de Joaquim Levy do BNDES

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, disse que faltou compostura ao presidente da República, Jair Bolsonaro, pela forma que fez o anúncio da demissão de Joaquim Levy da presidência do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social). Para Freire, o chefe do Executivo tem necessidade de fazer humilhações públicas.

“Esse é o Bolsonaro. Pode demitir com tranquilidade o auxiliar mas necessita – quem sabe por um complexo qualquer – humilhar publicamente antes da demissão. Quanto a Levy espero que reaja a deslealdade e a falta de compostura presidencial”, disse nas redes sociais.

Demissão

Na última sexta-feira (14), Jair Bolsonaro demonstrou incomodo, em entrevista coletiva a jornalistas, com a atuação de Levy à frente do BNDES e por ter indicado Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. O incomodo seria pelo fato de Barbosa ter atuado como assessor do BNDES no governo PT.

Na entrevista, Bolsonaro teria dito que Joaquim Levy estaria com “a cabeça a prêmio”. Por conta das declarações, o ex-presidente do BNDES pediu a sua demissão do cargo ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi asseito de imediato.

http://www.pps.org.br/2019/06/17/com-saida-de-joaquim-levy-bndes-deve-ter-funcao-redefinida-diz-jornal/

Com saída de Joaquim Levy, BNDES deve ter função redefinida, diz jornal

Levy sai do BNDES e o banco deve ter função redefinida

Fabio Graner, Claudia Safatle e Carla Araújo – Valor Econômico

A “usina de crises” do governo entrou em ação novamente no fim de semana. A bola da vez foi Joaquim Levy, que ocupava a presidência do BNDES. No sábado, o presidente Jair Bolsonaro fez um ataque direto a Levy, cobrando que revertesse a nomeação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de mercado de capitais do banco porque ele havia trabalhado no governo do PT. As falas do presidente da República levaram ao pedido de demissão dos dois executivos, Barbosa e Levy.

Embora parte da equipe econômica já demonstrasse insatisfação com a gestão de Levy, a ação de Bolsonaro pode ser vista também como mais uma ingerência direta na área econômica, atropelando o ministro Paulo Guedes. Ele já interferiu antes na política de preços da Petrobras, na propaganda do Branco do Brasil e em sua política de juros.

Ex-presidente liderava discussão interna sobre tamanho necessário da instituição
A principal reclamação contra Levy era pela suposta lentidão dele em duas iniciativas: devolver recursos do banco ao Tesouro – Guedes quer R$ 126 bilhões neste ano – e vender ações da carteira do BNDESPar. Cobrava-se também de Levy a abertura de suposta “caixa-preta” do banco, onde estariam comprovados desvios ocorridos no governo do PT.

O ataque derradeiro, no sábado, veio em declaração pública de Bolsonaro com embalagem ideológica. O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga considerou “um absurdo” o veto ideológico a Barbosa, com quem já trabalhou.

Discreto, Levy pediu demissão a Guedes, divulgou nota e recusou-se a comentar a renúncia. “Esse assunto acabou”, disse ao Valor e informou que pretende se dedicar a alguns cursos que já vinha “namorando” desde o ano passado, sobre inteligência artificial e blockchain.

Ao escolher o novo presidente do BNDES, o governo terá de definir o que pretende fazer com o banco e seu papel no desenvolvimento do país, que perdeu importância nos últimos três anos – os financiamentos anuais caíram de R$ 180 bilhões para R$ 70 bilhões. No governo, há quem defenda a extinção do banco.

Nomes para o lugar de Levy começam a ser ventilados, como os dos secretários do Ministério da Economia Salim Mattar e Carlos da Costa, do ex-presidente do BC Gustavo Franco, que preside o conselho do BNDES, e de Solange Paiva Vieira, superintendente da Susep.