Jorge Kajuru faz apelo por sanção do auxílio emergencial: ‘a fome não espera’

Para o parlamentar, “nada é mais vergonhoso do que a fome num País” (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) fez um apelo ao presidente Jair Bolsonaro na sessão remota do Senado, nesta terça-feira (31), para que o mandatário sancione o mais breve possível o auxílio emergencial de R$ 600 aos trabalhadores informais e autônomos já aprovado pelo Congresso Nacional.

“A fome não espera, e nada é mais vergonhoso do que a fome num País. E ela não pode esperar 16 dias. Sancione esse projeto ‘corona voucher’ “, pediu o parlamentar.

Kajuru também fez um pedido aos brasileiros para trocarem “a palavra ódio pela palavra amor”.

“Nunca o nosso País precisou tanto de amor, amor ao próximo, e sem ódio, presidente Bolsonaro”, disse.

O auxílio emergencial (veja aqui) foi aprovado nesta segunda-feira (30) e será concedido durante a pandemia do novo coronavírus A medida durará, a princípio, três meses, mas poderá ser prorrogada.

O benefício será destinado a cidadãos maiores de idade sem emprego formal, mas que estão na condição de trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI) ou contribuintes da Previdência Social. Também é necessário ter renda familiar mensal inferior a meio salário mínimo per capita ou três salários mínimos no total e não ser beneficiário de outros programas sociais ou do seguro-desemprego.

Para cada família beneficiada, a concessão do auxílio ficará limitada a dois membros, de modo que cada grupo familiar poderá receber até R$ 1.200. Depois da sanção, o início dos pagamentos dependerá de regulamentação do Poder Executivo.

Senado aprova relatório de Alessandro Vieira ao projeto do auxílio de R$ 600 a informais

O parlamentar do Cidadania de Sergipe cobrou a rápida sanção e regulamentação do benefício pelo governo federal (Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O Senado aprovou em votação por videoconferência nesta segunda-feira (30) o relatório do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) ao projeto (PL 1066/2020) que prevê o auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores informais de baixa renda, a ser concedido durante a pandemia do novo coronavírus A medida durará, a princípio, três meses, mas poderá ser prorrogada. O projeto segue agora para a sanção presidencial.

O benefício será destinado a cidadãos maiores de idade sem emprego formal, mas que estão na condição de trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI) ou contribuintes da Previdência Social. Também é necessário ter renda familiar mensal inferior a meio salário mínimo per capita ou três salários mínimos no total e não ser beneficiário de outros programas sociais ou do seguro-desemprego.

Para cada família beneficiada, a concessão do auxílio ficará limitada a dois membros, de modo que cada grupo familiar poderá receber até R$ 1.200. Depois da sanção, o início dos pagamentos dependerá de regulamentação do Poder Executivo.

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse que o gasto público com as populações minoritárias no País precisa ocorrer e elogiou o relatório do parlamentar do Cidadania de Sergipe.

Nossos cumprimentos ao senador Alessandro e ao Congresso Nacional. Esta é uma luta que resulta de uma ação do Congresso Nacional que, no meu entendimento, levou o Governo Federal a admitir o valor de R$600,00. É, portanto, mérito de todos, porque a flexibilidade do governo também precisa ser valorizada por todos nós”, disse.

Ajustes de redação

O projeto foi aprovado com ajustes de redação feitos por Alessandro Vieira, para eliminar dúvidas quanto à aplicação de alguns dispositivos. Como as mudanças não alteram o conteúdo do texto, ele não precisará voltar para a Câmara dos Deputados, onde teve origem.

Os benefícios do Bolsa Família são os únicos que não excluem a possibilidade de receber o auxílio. Nesse caso, quando o valor do auxílio for mais vantajoso para uma família inscrita no programa Bolsa Família, o auxílio o substituirá automaticamente enquanto durar essa distribuição de renda emergencial.

Os pagamentos serão feitos pelos bancos públicos federais – Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – em três parcelas mensais, no mínimo. Os beneficiários receberão o valor em contas criadas especialmente para esse fim, que não exigirão a apresentação de documentos e não terão taxas de manutenção. Será possível fazer uma movimentação gratuita por mês para qualquer outra conta bancária.

Trabalhadores em contratos intermitentes que não estejam em atividade também poderão receber o auxílio, enquanto durar essa condição. Mães solteiras receberão, automaticamente, duas cotas do benefício.

A verificação de renda para receber o auxílio será feita pelo Cadastro Único do Ministério da Cidadania. Trabalhadores informais que não estavam inscritos no Cadastro antes do dia 20 de março poderão participar por autodeclaração.

A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado estima que o auxílio emergencial vai beneficiar diretamente 30,5 milhões de cidadãos — cerca de 14% da população do País, segundo os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E a estimativa de seu custo é de R$ 59,9 bilhões em 2020 — o equivalente a 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto ) do País no ano passado.

Discussão

O senador Alessandro Vieira destacou que o novo coronavírus precipitou a “maior crise sanitária dos últimos 100 anos” para o mundo, o que terá inevitáveis reflexos econômicos sobre a vida da população. Dessa forma, argumentou ele, é preciso garantir recursos para proteger as vidas dos cidadãos.

É preciso garantir recursos para proteger os cidadãos na maior crise sanitária dos últimos 100 anos

“Nós não podemos escolher entre ter ou não ter essa crise. Ela está aí, é um fato. Nós podemos, sim, escolher como enfrentá-la e como sair dela. O auxílio é essencial para evitar que, diante de uma situação de desespero, os trabalhadores deixem as suas casas e se exponham à doença para trazer comida para a sua família”, disse.

O parlamentar do Cidadania de Sergipe também cobrou a rápida sanção e regulamentação da iniciativa, e defendeu que o Congresso pressione o Executivo pela implementação do auxílio.

“O recurso não vai chegar lá na ponta por graça dos nossos discursos, ele não vai chegar lá por “mitada” na internet. É preciso muito trabalho duro no mundo real para garantir que isso aconteça”, ressaltou

Emendas

O projeto recebeu várias emendas de senadores para que o auxílio fosse estendido a categorias profissionais vulnerabilizadas pela crise, como taxistas, pescadores artesanais, agricultores familiares e catadores.

Alessandro Vieira preferiu rejeitar todas as propostas para evitar que o projeto precisasse voltar para a Câmara, mas ressaltou que essas emendas poderão ser incorporadas a projetos que tramitam no Senado e que também tratam de programas de renda mínima. É caso do PL 873/2020, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que poderá ser votado nesta terça-feira (31).

Valor

O papel do governo federal na aprovação do auxílio emergencial foi motivo de discordâncias durante a votação do respectivo projeto. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), atribuiu ao presidente Jair Bolsonaro o valor final de R$ 600, afirmando que o Congresso havia, inicialmente, decidido pelo valor de R$ 500.

“Isso mostra a sensibilidade e o empenho do presidente para levar um valor maior a todos que serão atingidos pelas consequências do combate ao coronavírus”, avaliou.

Senadores da oposição, no entanto, lembraram que a iniciativa original do Ministério da Economia previa apenas R$ 200 para cada trabalhador informal, e que o governo não se mobilizou para encaminhar uma proposta formalizada ao Congresso.

Os senadores Randolfe Rodrigues e Paulo Paim (PT-RS) observaram que o presidente poderia ter encaminhado o auxílio emergencial na forma de medida provisória, que já teria validade imediata, mas não o fez. O projeto aprovado nesta segunda-feira teve origem em um texto que já tramitava na Câmara dos Deputados, e só terá validade depois de sanção presidencial e regulamentação pelo Executivo.

Já o senador Humberto Costa (PT-PE) classificou o governo como “fracassado” na reação à pandemia.

“Este governo continua sendo incapaz, incompetente e despreparado. O Congresso precisa estar unido para tentar impedir que o conjunto de ações tresloucadas feitas por esse presidente não venha a prosperar”, criticou.

Mudanças no BPC

Além do auxílio emergencial, o projeto também trata do BPC (Benefício de Prestação Continuada). Um de seus efeitos será, na prática, o adiamento das novas regras de concessão para 2021.

Segundo regra promulgada na semana passada, após derrubada de veto presidencial pelo Congresso Nacional, o BPC deve passar a ser concedido a idosos e pessoas com deficiência de famílias que recebam até meio salário mínimo per capita. No entanto, o PL 1.066/2020 indica que essa mudança só valeria a partir de 2021.

Isso ocorre porque, originalmente, o único conteúdo do projeto se referia a essa mudança no BPC — quando o texto foi apresentado, o Congresso ainda não havia feito as mudanças que foram aprovadas nesta segunda-feira. O projeto foi usado como veículo para o auxílio emergencial, mas manteve também suas medidas originais.

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) havia apresentado requerimento para que o Senado suprimisse esse dispositivo, presente no texto original, para não prejudicar a aplicação imediata das novas regras para o BPC.

No entanto, se houvesse a retirada do dispositivo, o projeto teria que retornar à Câmara dos Deputados, conforme explicaram o senador Alessandro Vieira e o presidente em exercício do Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG). Zenaide, então, optou por retirar o destaque, para que a questão seja abordada em uma outra proposta a ser apresentada no futuro.

O projeto aprovado até prevê a possibilidade da aplicação antecipada das novas regras, mas somente para casos específicos e apenas enquanto durar o estado de calamidade pública.​ Assim, a aplicação das novas regras não seria universal (não valeria para todos os beneficiários) e teria de seguir critérios como grau de deficiência, grau de dependência da família e comprometimento da renda com despesas médicas. (Com informações da Agência Senado)

Rubens Bueno comemora aprovação de auxílio de R$ 600 a informais

O deputado Rubens Bueno (Cidadania/PR) comemorou a aprovação, pela Câmara, do auxílio de R$ 600 a trabalhadores informais. De início, o governo só se dispôs a pagar R$ 200. “Fizemos a nossa parte para socorrer a população. Triplicamos o valor. Esperamos que o presidente também atue”, afirmou o parlamentar nas redes sociais.

De acordo com a proposta, que será analisada pelo Senado, mães chefes de família poderão receber duas cotas do auxílio, ou seja, R$ 1200. Nas primeiras negociações com o governo, os parlamentares conseguiram elevar o valor do benefício de R$ 200 para R$ 500. Depois, chegaram a R$ 600.

O pagamento do auxílio poderá ser prorrogado enquanto durar a pandemia. Rubens Bueno defendeu que o Congresso continue a se debruçar sobre os impactos da Covid-19 para proteger os vulneráveis.

Alessandro Vieira trabalha para ampliar benefícios a informais

Medidas econômicas para combater o coronavírus são insuficientes, avalia

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) defendeu nesta quinta-feira (19) que o governo amplie as medidas econômicas anunciadas para os trabalhadores informais. Em carta enviada ao presidente Jair Bolsonaro, o senador e outros parlamentares sugerem que o benefício extraordinário de R$ 200, pago por três meses, passe a ser de R$ 300 por quatro meses.

“As medidas, além de fornecerem recursos suficientes para compra de alimentos e outros itens de sobrevivência, serão uma injeção direta no consumo, impactando positivamente o PIB. Os recursos viriam das emendas de relator do orçamento da União”, disse o senador.

Para enfrentar a pandemia do coronavírus, Vieira também solicitou a criação de um benefício extraordinário universal no valor de R$ 500 mensais para famílias de baixa renda, inscritas no Cadastro Único e que não recebam o “voucher” destinado aos trabalhadores informais.

“Se medidas duras não forem tomadas, a recessão que será enfrentada pela maioria dos países do mundo pode se tornar a maior depressão econômica de todos os tempos. É necessário garantir o mínimo, especialmente para aqueles que mais precisam”, reforçou Vieira.

Nesta sexta, o governo federal reduziu a zero a projeção de crescimento para a economia brasileira neste ano em decorrência do coronavírus. Há dez dias, a previsão foi reduzida de 2,4% para 2,1%. Agora é de 0,02%. Já a Fundação Getúlio Vargas (FGV) é bem menos otimista: projeta uma queda de até 4,4% do PIB.