Roberto Freire divulga nota de pesar pelo falecimento de Abigail Páscoa

Nascida no bairro carioca da Tijuca, a 27 de fevereiro de 1939, filha de um professor, Abigail Páscoa faleceu hoje no Rio de Janeiro. Em 1964, já integrava o Partido Comunista Brasileiro, o velho Partidão. Posteriormente, apoiaria o sucessor do PCB, isto é, o Partido Popular Socialista (PPS), hoje Cidadania 23. Ligada ao grupo católico Ação Popular no começo da sua juventude, de Abigail podemos dizer que tinha a Democracia e os embates pelos direitos humanos na massa do sangue. Socióloga, deixou textos importantes sobre a questão negra e foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), ainda sob as difíceis condições de ditadura militar. No movimento negro atuou ao lado de homens como Geraldo Rodrigues dos Santos e Januário Garcia. Foi, também, uma pioneira das lutas feministas no país. Ou seja, lutou todos os combates de seu tempo, e o fez durante mais de seis décadas. Para nós, do Cidadania 23, é uma questão de honra prosseguir nessa luta pelas liberdades democráticas. Estendemos nossos sentimentos de pesar aos seus três filhos. Abigail Páscoa seguirá sendo uma referência para todos nós democratas.

Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania

Roberto Freire: O Cidadania e a Primavera Negra

O Cidadania entende a decisão sobre os critérios raciais para divisão de tempo de propaganda no rádio e na televisão e do fundo eleitoral no pleito municipal deste ano como uma medida justa e estruturante. Uma decisão que muda para melhor o país. Esse passo, que ocorre em meio a uma campanha nacional e internacional denominada “Primavera Negra”, merece e terá todo o respeito e aval da nossa legenda.

Contamos com o suporte do coletivo Igualdade 23 nos esforços para que essa decisão seja cumprida e valorizada em todas as instâncias do partido. Compreendo que essa não será uma missão árdua em razão do histórico que, iniciado na fase do PCB, o partido sempre teve sobre a importância de promover a igualdade racial e combater o racismo.

Um dos núcleos pioneiros do PCB se chamava Grupo Comunista Zumbi, liderado por Astrojildo Pereira, dirigente reconhecido como um pilar, uma “alma” da legenda. Ele foi um dos primeiros intelectuais a “apontar para a grandeza épica” dos Quilombos dos Palmares, chamando Zumbi de “o nosso Spartacus negro”, como resgata o historiador Ivan Alves Filho.

O PCB contou com expoentes como Edson Carneiro e Décio de Freitas, autor de uma das mais importantes obras sobre o Quilombo de Palmares. O primeiro deputado negro do Brasil, Claudino José da Silva, eleito constituinte em 1946, era do PCB.
Outro marco que deve ser valorizado ocorreu também em 1946, quando o então deputado federal Jorge Amado, eleito pelo PCB-SP, propôs a emenda 3.218 à Constituição, aprovada e promulgada, que tratou do livre exercício da crença religiosa com foco na proteção das religiões de matriz africana. A se ressaltar que, como eu, ele era declaradamente ateu.

Nesse período em que se verificam tentativas de desconstrução da pauta e das conquistas dos movimentos negros, penso que é relevante valorizarmos esses marcos de luta e de vanguarda social e racial. Até porque nós sempre estivemos comprometidos com esses valores da cidadania afrodescendente.

Não seria diferente agora em que esse trágico assassinato ocorrido nos Estados Unidos – me refiro a George Floyd, que pereceu sob o joelho racista de um policial branco – despertou não só naquele país, mas ao redor do mundo, incluindo o Brasil, um sentimento de integração entre as populações negras, revolta contra as injustiças e de protestos por direitos há muito negados a esses cidadãos.

Todos esses levantes da assim chamada Primavera Negra integrados, em grande medida, também por cidadãos brancos e de outras etnias. O antirracismo, afinal, não pode ter cor, uma vez que o apelo que se faz é à nossa humanidade, que é plural, embora uma só.

No caso brasileiro, há um movimento que ganha força dia após dia, em todo o país, que clama por maior representatividade, sem a qual a democracia corre risco e o desenvolvimento econômico e social será permanentemente limitado. Esse resgate da cidadania ao qual nos lançamos passa, necessariamente, por uma mudança de composição nos legislativos e executivos do país afora, em sintonia com esse clamor.

A maior presença de afrodescendentes na política nacional representa, para nós do antigo PCB, um resgate e tem até mesmo uma dimensão revolucionária, embora sem armas. Uma revolução social feita com espírito republicano, por meio das regras democráticas, em linha com o que defende hoje o Cidadania. Os tempos mudam e nós mudamos com eles.

É nesse contexto que o papel do nosso coletivo Igualdade 23 torna-se ainda mais relevante. Que possa, como parte dessa Primavera Negra, levar para o centro das decisões, nas Câmaras Municipais e nas sedes de governo, as múltiplas cores do Brasil real, cooperando com a construção do Cidadania e da sociedade.

E que a diversidade, a criatividade, a inteligência e a vivência de negros e negras, que já fazem a diferença em diversas áreas, façam também na política, com um outro olhar para a construção de uma nação verdadeiramente melhor para todos.

Roberto Freire
Presidente do Cidadania

Nota do Cidadania e do Igualdade 23 em homenagem ao Dia dos Professores

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, e o coordenador do Igualdade 23, Romero Rocha, homenageiam, em nota divulgada hoje, os professores pelo dia 15 de outubro. Eles celebram a deputada Antonieta de Barros, eleita em 1934, responsável pela criação da data, e também a atual deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), ambas de Santa Catarina e ambas professoras.

Leia a nota abaixo:

Que a voz das professoras nunca se cale

Num país ainda tão racista e machista, é de se lembrar e celebrar neste 15 de outubro de 2020, Dia do Professor, a história e a importância para a valorização do magistério da atuação de Antonieta de Barros, mulher, negra e deputada federal eleita em 1934, a quem devemos a comemoração da data até os dias de hoje.

Em sua luta contra muito e muitos, aprendeu a ler tardiamente e pôs de pé, aos 17 anos, um curso para combater o analfabetismo entre adultos. “Tinha voz em uma época em que as mulheres eram silenciadas”, lembra primorosa coluna de Aline Torres no jornal El País nesta quinta-feira (15).

Antonieta era de Santa Catarina como Carmen Zanotto, deputada federal, enfermeira e professora, que nos honra no Cidadania como candidata à prefeitura de Lages. É dela Projeto de Lei 5875/2019, que combate o racismo estrutural no Brasil. Duas histórias separadas no tempo, mas que convergem em objetivos comuns: liberdade para aprender, ler, viver e ser, independentemente de onde vêm ou da cor da pele de quem aprende ou de quem leciona.

Mostram que não precisa ser negro pra defender essa causa e levantar a bandeira da igualdade, nem professor pra defender a valorização de quem ensina e investimentos em Educação. O que precisamos é de pessoas na sociedade com esse olhar, negros, brancos ou índios. É uma pauta de todos.

Nestes tempos obscuros, em que os professores são perseguidos pela ignorância, lembremos que o professor é aquele que ensina, transmite conhecimento, transforma vidas. O amor pelo ato de educar é o que os move. Seu papel não se resume a entrar numa sala de aula. O que nos tornamos na vida adulta vem desse aprendizado.

Que esse amor pela profissão nunca acabe, que o sonho em transformar o mundo pelo ensinamento continue e que o Brasil reconheça e valorize esse profissional fundamental para o crescimento do país. Em honra e memória de Antonieta de Barros. Viva o ensino, viva o professor!

Roberto Freire
Presidente nacional do Cidadania

Romero Rocha
Coordenador do Igualdade 23 Não

Igualdade 23 divulga nota de repúdio contra decisão racista de juíza de Curitiba

Em nota divulgada nesta quarta-feira (12), o coordenador do núcleo Igualdade 23, Romero Rocha, manifestou repúdio à decisão racista da juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, e pediu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adote as providencias cabíveis contra a magistrada. Em sentença que ganhou repercussão hoje, Zarpelon usa a cor do réu Natan Vieira da Paz, um cidadão negro, para aumentar a pena a que o condenou.

Leia abaixo:

Nota de repúdio

O Igualdade23 manifesta total repúdio aos termos inadmissíveis e criminosamente racistas contidos na sentença proferida pela juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, na qual vincula “raça” a uma conduta específica, depreciativa e relacionada à prática criminosa, dando a entender que todo negro é “seguramente integrante de grupo criminoso”.

Este conceito usado pela juíza é tão introjetado na sociedade brasileira que a mesma não vê óbice algum em utilizá-lo para definir uma pena de 14 anos e 2 meses de prisão por furto e organização criminosa. Não lhe causa nem embaraço basear uma sentença expondo ao sistema judiciário conceito tão nefasto, ancorado no racismo estrutural da sociedade brasileira.

Temos no Congresso Nacional Projeto de Lei numero PL 5875/2019 de autoria da Exma. Deputada Federal Carmem Zanotto @carmenzanotto_deputada de Santa Catarina que dispõe sobre o conceito de racismo estrutural e sobre o combate desta modalidade de discriminação racial nas organizações públicas e privadas. O CIDADANIA cumpre sua função social de Partido político no legislativo ao tratar com responsabilidade a pauta em tela.

O Igualdade 23 exige, amparado em lei, que sejam tomadas providências urgentes pelas autoridades competentes, em especial pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Romero Rocha
Coordenador do Igualdade23

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O Igualdade23 manifesta total repúdio aos termos inadmissíveis e criminosamente racistas contidos na sentença proferida pela juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, na qual vincula “raça" a uma conduta específica, depreciativa e relacionada à prática criminosa, dando a entender que todo negro é “seguramente integrante de grupo criminoso”. Este conceito usado pela juíza é tão introjetado na sociedade brasileira que a mesma não vê óbice algum em utilizá-lo para definir uma pena de 14 anos e 2 meses de prisão por furto e organização criminosa. Não lhe causa nem embaraço basear uma sentença expondo ao sistema judiciário conceito tão nefasto, ancorado no racismo estrutural da sociedade brasileira. Temos no Congresso Nacional Projeto de Lei numero PL 5875/2019 de autoria da Exma. Deputada Federal Carmem Zanotto @carmenzanotto_deputada de Santa Catarina que dispõe sobre o conceito de racismo estrutural e sobre o combate desta modalidade de discriminação racial nas organizações públicas e privadas. O CIDADANIA cumpre sua função social de Partido político no legislativo ao tratar com responsabilidade a pauta em tela. O Igualdade 23 exige, amparado em lei, que sejam tomadas providências urgentes pelas autoridades competentes, em especial pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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Roberto Freire vê possibilidade de candidatura coletiva antirracismo pelo Cidadania

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, elogiou na noite desta segunda-feira (10) a iniciativa do partido no Rio de Janeiro de lançar uma pré-candidatura temática e coletiva na disputa por uma vaga de vereador nas eleições de novembro. Na avaliação dele, o modelo da chamada Bancada do Livro é inovador e difere de tentativas semelhantes porque o coletivo foi formado com objetivo de defender um conjunto específico de ideias. 

“Antes, em outros partidos, era apenas o fracionamento de uma unidade, porque eram alguns do mesmo partido que se juntavam e se autodenominavam um coletivo. Agora, vieram para o Cidadania pessoas que se juntaram em torno de uma temática para a disputa”, argumentou, em live com pré-candidatos da seção fluminense do partido.

Ele lembro que hoje há bancadas suprapartidárias em atuação no Congresso, mas formadas após as eleições, e citou o exemplo de Frentes Parlamentares como a do Agronegócio e de coletivos informais como a chamada bancada da Bíblia. Freire observou que essa experiência pode servir de exemplo para outras pautas que também levem às urnas a defesa, no mandato, de uma bandeira compartilhada.

“Isso pode começar a surgir em outras áreas, como uma bancada antirracismo. Estive conversando com o Igualdare23 e é algo a se avaliar, pode ser uma boa ideia reunir – e não apenas negros, porque é uma questão de todos – grupos contra o preconceito, o racismo, a xenofobia, pessoas que compartilham essas mesmas bandeiras e esses mesmos ideais”, apontou.

Freire falou das mudanças pelas quais o partido vem passando desde que passou a ser o Cidadania, abrindo-se aos movimentos de renovação política, mas ponderou que os valores de humanismo e solidariedade permanecem presentes. “Queremos criar um espaço em que liberais progressistas e sociais-democratas construam uma organização preocupada com o futuro”, sustentou.

Durante a live, o presidente do Cidadania-RJ, Comte Bittencourt, disse que o partido já tem 1.200 pré-candidatos no Estado, o que vai ao encontro do objetivo de aproximar a legenda da sociedade.

Cidadania entra com representação contra o presidente da Fundação Palmares

Desde que assumiu a presidência da instituição, Sérgio Camargo tem se manifestado com declarações impregnadas de sentimento racista

O Cidadania entrou com uma representação na Comissão de Ética da Fundação Palmares nesta quarta-feira (3) contra o presidente da instituição, Sérgio Camargo. A ação é assinada conjuntamente com a Secretaria de Igualdade do partido (Igualdade 23). Na avaliação do presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, Camargo demonstra total inaptidão para o cargo.

“Um bolsonarista racista que jamais deveria estar presidindo uma instituição tão importante para o país”, disse o ex-parlamentar.

Desde que assumiu o cargo, Camargo tem feito afirmações impregnadas de racismo que vão na contramão da função da instituição, voltada para a promoção e preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira.

“Sérgio Camargo é um desqualificado que presta um desserviço à pauta que deveria defender enquanto presidente da Fundação Palmares, bem como ao Brasil”, criticou o coordenador do núcleo Igualdade 23, Romero Rocha.

O jornal O Estado de São Paulo divulgou áudio de uma reunião com servidores no dia 30 de abril, em que Camargo classifica o movimento negro como “escória maldita” que abriga “vagabundos” e chamou Zumbi dos Palmares de “filho da p* que escravizava pretos”. Ele também mostrou desprezo pela agenda da Consciência Negra, chamando uma mãe de santo de “macumbeira”.

Camargo assumiu a presidência da Fundação Palmares em novembro de 2019. Diversas vezes se manifestou para relativizar o racismo, afirmando que a escravidão foi “benéfica para os descendentes”, que o racismo no Brasil é “Nutella” e que “a negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”.

Na ação, o Cidadania cita o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, instituído pelo Decreto 1.117/1994, e reitera que a conduta do presidente da Fundação Cultural Palmares não pode passar despercebida pela Comissão de Ética, merecendo uma análise isenta e uma resposta contundente.

Igualdade23 homenageia líder abolicionista negro Luís Gama

O Igualdade23 divulgou nota para marcar a abolição da escravatura, no dia 13 de maio, com uma homenagem ao líder abolicionista negro Luís Gama. Jornalista, maçom e funcionário público, Gama foi responsável, como advogado, pela libertação de centenas de negros escravizados.

Em carta a um amigo, lembra a nota, Gama escreveu que promovia “processos em favor de pessoas livres criminosamente escravizadas”, auxiliando “licitamente, na medida de meus esforços, a alforria de escravos, porque detesto o cativeiro e todos os senhores”.

Leia a nota abaixo:

Luís: ícone do abolicionismo e da “advocacia” em prol dos escravizados

Luís Gama é um daqueles personagens históricos que por tantas contribuições e em várias áreas conta com respeito e admiração, praticamente, unânimes.

A trajetória de luta vem de berço, pois a mãe, Luiza Mahin, é reconhecida como ícone de luta contra a opressão. Sabe-se que ela uma africana livre, da Costa Mina (Nagô de Nação), foi uma mulher altiva, quitandeira, muito laboriosa, que acabou presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreições de negros escravizados.

Filho de um descendente de portugueses com escrava liberta, acabou vendido aos dez anos como escravo pelo próprio pai, que precisava de dinheiro para pagar dívidas de jogo.

Considerado como um dos mais importantes abolicionistas do Brasil, Luís Gama apesar de ter se alfabetizado aos 17 anos de idade, conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos cativos. Calcula-se que Gama tenha conseguido alforriar, pela via judicial, centenas de escravos.

“Dizem que a quantidade de processos em que ele se envolveu foi enorme. Sob a guarda do arquivo do Tribunal de Justiça de São Paulo, encontram-se menos de 500. Mas isso deve ser analisado com cautela, pois muitos podem ter sido perdidos”, diz o historiador e escritor Paulo Rezzutti, estudioso de personalidades brasileiras do século 19.

Uma das mais antigas e detalhadas biografias de Gama, O precursor do Abolicionismo no Brasil, foi escrita pelo sociólogo e jornalista Sud Menucci (1892-1948) e publicada em 1938. Na obra, o advogado dos escravizados conseguia sucesso ao buscar ilegalidades na relação entre o senhor e o cativo que defendia, para assim justificar perante a lei a necessidade da alforria.

Em carta a um amigo, Gama escreveu que promovia “processos em favor de pessoas livres criminosamente escravizadas”, auxiliando “licitamente, na medida de meus esforços, a alforria de escravos, porque detesto o cativeiro e todos os senhores”.

Passados 133 anos da morte de Luís Gama, em 2015, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo, concedeu-lhe o título de “advogado”, uma vez que não era formado e atuava como “provisionado” ou rábula, o que não o impediu de na época atuar e libertar vários escravizados negros.

Luis Gama foi proeminente jornalista, maçom e funcionário público. Na imprensa, iniciou a carreira com o caricaturista Ângelo Agostini, com quem fundou em 1864 o primeiro jornal ilustrado humorístico de São Paulo, o Diabo Coxo.

Ambos integravam a loja maçônica América fundada por Luiz Gama e Ruy Barbosa e dela também teria feito parte Joaquim Nabuco.

“Sua coragem e determinação fizeram com que as demais pessoas acreditassem que seria possível libertar o Brasil, acabar com o jugo escravista”, aponta ele, que está lançando neste mês o livro José do Patrocínio: A pena da abolição. “Gama deu ao Movimento Social Negro pela liberdade um sentido de que, mesmo escravizados, podiam ser agentes e protagonistas de sua liberdade.”

Entendemos que o espirito de luta por libertação dos cativos em vários sentidos se faz necessário ainda hoje, vemos gama nas pessoas que lutam cotidianamente por sua liberdade bem como pela liberdade dos seus iguais.

Igualdade 23

Igualdade Racial 23 do Maranhão debateu em live realidade dos negros em meio à pandemia

O coordenador do Igualdade Racial 23 do Cidadania de Maranhão, Walter Maresia, realizou, na noite desta quarta-feira (12), live na internet para debater a perspetiva da população negra no Brasil após o fim da pandemia de Covid-19. No foco, a questão fundiária de populações tradicionais, como os quilombolas, e o ensino a distância deficitário para os menos favorecidos, sobretudo, os negros de todo o País.

A conversa contou com a participação da mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP como mediadora, Marinildes Martins; da advogada e assessora jurídica da Comissão de Territórios Tradicionais da INTERMAsócio, Mônica Borges; e do professor de licenciatura em Estudos Africanos e Afro-brasileiros e doutor em Políticas Públicas, Richard Martins.

Para Maresia, é importante debater as desigualdades e vulnerabilidades enfrentadas pela população e tratar de perspectivas pós-pandemia a fim de “garantir os direitos dos menos favorecidos”. A advogada Mônica Borges, em sua exposição, levantou preocupação com a aprovação, pelo Senado Federal, da MP 910/19, que trata da regularização fundiária do País.

“A MP traz, entre vários pontos negativos, o marco temporal que serve para regularizar terras ocupadas entre 2011 e 2018. Uma pequena parcela de pessoas que ocupou terras durante esse período poderá ter suas terras regularizadas, enquanto comunidades quilombolas que aguardam regularização ocupam seus territórios há mais de 100 anos”, apontou.

Monica também criticou a dispensa de vistoria prevista na MP. “Esse dispositivo permite que os estados abdiquem de fazer vistorias de propriedades de até 1500 hectares beneficiando o agronegócio diretamente deixando de lado as comunidades tradicionais”, sustentou.

Já o professor Richard Christian apontou os problemas enfrentados pelos jovens negros no acesso a internet e a equipamentos de informática necessários para aulas de EAD. “Como darei conta das atividades se não tenho como acessar a internet, livros ou custear determinados gastos de acesso às redes e equipamentos”, questionou.

Embora não veja perspectiva nesse sentido, ele cobrou que o governo federal adota programas de inclusão digital, a fim de ampliar o acesso a internet para todos e “dinamizar a economia” a partir da redução de obstáculos ao desenvolvimento dos mais vulneráveis.

Cidadania-RS apresenta núcleo estadual do Igualdade23

O presidente do núcleo é Vagner Garcez, professor de geografia da rede estadual de ensino (Foto: Assessoria Cidadania-RS)

O Cidadania-RS apresentou nesta segunda-feira (02), em Porto Alegre, o núcleo estadual temático Igualdade 23. Este é o primeiro núcleo reativado pelo partido no estado. O objetivo é fortalecer o debate sobre a representatividade do povo negro na política e ampliar as discussões em torno de políticas públicas inclusivas.

O presidente do Igualdade 23 é Vagner Garcez. Professor de geografia da rede estadual de ensino, Vagner foi candidato a deputado federal na última eleição. Ele também é liderança Renova BR e tem forte atuação nas discussões sobre educação, economia e comunidades.

“Encontramos um espaço dentro dessa nova estrutura do Cidadania pra discutir temas que são importantes pra gente e apoio pra dar voz às nossas necessidades”, afirmou Vagner. Também fazem parte do núcleo Daia Santos, Rene Martins, Gerson da Silva e Júlio Freitas. “A criação do núcleo Igualdade mostra o quão democrático é o Cidadania, um partido que busca na diversidade construir uma nova política”, comemorou a deputada estadual do Cidadania Any Ortiz. (Assessoria Cidadania-RS)

Igualdade23 repudia racismo institucional contra servidora da Prefeitura de Belo Horizonte

O Igualdade23, núcleo do Cidadania, divulgou nota pública (veja abaixo) de repúdio contra atitude de racismo institucional sofrido pela servidora da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Etiene Martins.

Em novembro do ano passado, quando a servidora atuava como gerente de prevenção à violência da Secretaria de Segurança e Prevenção da capital mineira, Etiene afirma que um guarda municipal se dirigiu a ela para dizer, em ambiente de trabalho, que “preto bom é preto morto”.

Após o ocorrido, ela diz ter procurado a corregedoria da guarda e que, seis meses depois, a conclusão do inquérito foi de que “a fala não configura dolo, mas uma fala inapropriada para o local de trabalho”.

Já em maio deste ano, Etiene teria recebido um e-mail ligado à chefia imediata dela imediata dizendo que “para representar a secretaria, é necessário um gerente branco. Lugar de negra é limpando chão”.

Etiene argumenta que a não punição do guarda alimentou outro episódio de racismo e pediu exoneração da secretaria. Ele afirma ainda que o secretário da pasta, Genilson Zerefino, pediu para que ela não desse publicidade ao caso.

Igualdade23 repudia racismo institucional da Prefeitura de Belo Horizonte e se solidariza com a servidora Etiene Martins

A Coordenação Nacional do Igualdade 23, tendo ciência do fato ocorrido contra a servidora da PBH (Prefeitura Municipal de Belo Horizonte), Etiene Martins, se solidariza com ela e vem por meio desta nota pública cobrar explicações da Prefeitura em relação à apuração dos fatos e a instauração do devido processo administrativo disciplinar.

É inadmissível que esse tipo de atitude ocorra principalmente em um órgão público. Muito além de posições políticas, o Igualdade23 acredita que os agentes políticos envolvidos devem ser afastados imediatamente dos cargos para a apuração dos fatos.

Caso haja a confirmação sobre a autoria do crime, defendemos que os envolvidos sejam impedidos de retornarem a administração pública. Além das medidas administrativas, defendemos que as medidas judiciais sejam realizadas, visando a defesa da honra da servidora e o cumprimento da lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

A construção de uma sociedade justa se faz pela defesa intransigente da dignidade humana e temos certeza que os fatos serão apurados com eficiência e rapidez.

Coordenação Nacional Igualdade 23

1º Encontro de Mulheres Indígenas e Negras celebra acordo de cooperação com Igualdade 23

O 1º Encontro de Mulheres Indígenas e Negras celebrou, no encerramento de encontro neste domingo (23), em Brasília, um Acordo de Mútua Cooperação (veja aqui) entre os coletivos das Mulheres 23 e o Igualdade 23. A parceria visa cooperação técnica e política entre as duas instâncias partidárias para a execução de programas de trabalho, projetos, atividades e eventos de interesses recíprocos. O documento foi assinado pela Coordenadora Executiva do Igualdade 23, Jullyana Vieira de Sousa, e a secretária nacional de Mulheres do Cidadania, Raquel Dias. 

No evento também foram debatidos temas como empreendedorismo, formulação de políticas públicas e elaboração de legislação específicas. O encontro inédito começou no sábado (22) e discutiu a participação feminina da política (veja aqui), com apresentação de dança, exibição de documentários e roda de conversa com as participantes. 

A idealizadora do encontro e fundadora do Igualdade 23, Raquel Dias, destacou que o Acordo servirá como uma ferramenta para ser utilizada pelas participantes do evento em seus estados e municípios.

“Apresentamos um acordo que será uma ferramenta para serem utilizadas pelas mulheres alvo desse encontro em seus estados. O documento estabelece que a cada dois anos realizaremos encontros como esse. Elas terão um ano para que essas mulheres participantes possam se evidenciar em suas cidades atraindo mais pessoas para o partido e o movimento político. O Igualdade, que agrega os segmentos dos negros e indígenas, formulará um planejamento baseado nas conversas que aqui tivemos. Começamos aqui”, afirmou.

Especificidades

A organizadora do evento e secretária do Mulheres 23, Tereza Vitale, afirmou que o encontro “superou as expectativas” e possibilitou o entendimento das dificuldades enfrentadas pelas mulheres negras e indígenas no País.

“Empoderamento de todas”

“Apesar de todos os problemas que tivemos, valeu muito a pena. Ouvimos coisas inacreditáveis. Algo que nós, brancos, não temos condições de ouvir em lugar nenhum. Trouxeram as suas culturas para perto da gente. Com esse encontro, o Mulheres 23 está mais bem preparado para lidar com as políticas públicas voltadas para mulheres negras e indígenas. Temos que entender que as mulheres não são as mesmas. Cada grupo e etnia possuem especificidades. Temos que conhecê-las para trabalhar em prol do empoderamento de todas elas. Isso significa dar condições para que elas possam lutar junto das suas comunidades”, disse.

Segundo a dirigente, as participantes agora serão “encorajas em verbalizar em suas regiões tudo o que foi debatido no encontro” e disse que o Mulheres 23 apoiará, com mais enfase, iniciativas das mulheres negras e indígenas do Cidadania.

“Essas mulheres vão levar para os seus estados e municípios tudo o que foi conversado aqui. Nós estamos fazendo um pacto entre o Mulheres 23 e essas mulheres. Somos um organismo com mais tempo de existência e por esse motivo iremos apoiar a volta dessas mulheres para os seus espaços, para que possam contribuir com o partido. O Cidadania precisa de todos, mas é preciso um olhar especial para essa parcela da sociedade”, defendeu.

Indígenas na política

Para dirigente partidária e principal representante indígena do partido, há 11 anos no PPS – hoje Cidadania -, e defensora dos direitos indígenas, Silvana Terena, o evento possibilitou o acumulo de experiências e trocas de cultura com mulheres indígenas de outras etnias e negras.

“Inédito e histórico”

“Eu acredito que esse primeiro encontro vai ficar na nossa história. Estou há 11 anos no partido e ele me empoderou muito como mulher e indígena no meu estado [Mato Grosso do Sul]. Antigamente os povos indígenas não compreendiam porque as pessoas brigavam tanto por um partido político, mas hoje é diferente. Quando ingressei o partido me agregou muitas coisas dentro da minha própria militância. Se você tem na sua comunidade o voto, consegue conquistar espaço de poder e decisão, e para as mulheres indígenas isso não é diferente. Esse primeiro encontro é inédito e histórico. Saímos daqui com uma bagagem de experiência e trocas de cultura aperfeiçoando tudo que acumulamos ao longo da vida. Levaremos e compartilharemos em nossas regiões essa bagagem”, disse a integrante da etnia Terena.

Passo importante

Já para Raquel Dias, ao falar das mulheres negras, avaliou que o encontro representa um passo importante por possibilitar a compreensão do cotidiano da comunidade negra feminina.

“Compreender o cotidiano de luta”

“Um passo importante e fundamental [o encontro]. Nos possibilitou visualizar as questões relacionadas as especificidades de luta dessas mulheres. Podemos irmanar experiências com o Mulheres 23 para que tudo que foi debatido seja levado para as suas comunidades. Por meio das representações que tivemos nesse encontro poderemos estabelecer novas demandas, novas pautas e novos momentos. Agora desejamos que elas repassem tudo que foi construído aqui para que possamos atrais mais mulheres para a causa e o partido. Elas agora possuem a força e munição necessárias para reproduzirem a essência desse encontro nos diretórios municipais e estaduais do Cidadania e produzir, dentro dessas especificidades, pautas em seu poder local”, avaliou.

Igualdade 23 destaca Seminário de promoção da igualdade racial em Montes Claros (MG)

O Coletivo Igualdade 23 destaca em nota pública (veja abaixo) a realização do “Seminário Promoção da Igualdade Racial” nesta sexta-feira (5), iniciativa da prefeitura de Montes Claros (MG), cidade do Norte de Minas Gerais governada pelo prefeito Humberto Solto, do Cidadania.

Nota Pública

A Coordenação Nacional do Coletivo Igualdade 23, do Cidadania 23, parabeniza o município de Montes Claros (MG) em nome do prefeito Humberto Souto (Cidadania) pela iniciativa de promover o “Seminário Promoção da Igualdade Racial” nesta sexta-feira, dia 5 de abril.

Conforme divulgado, a proposta faz referência ao Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Desigualdade Racial, celebrado em 21 de março. O evento tem como realizadores a Coordenadoria de Igualdade Social da Prefeitura de Montes Claros, em parceria com a Escola do Legislativo.

Desejamos que a atividade tenha pleno sucesso e alcance o objetivo de informar e sensibilizar o público presente sobre a relevância das políticas públicas de igualdade racial tão importantes numa nação como o Brasil, que ainda tem muito a enfrentar quando se trata do anseio em termos uma sociedade de fato igualitária.

Coordenação Nacional do Coletivo Igualdade 23 – Cidadania 23