Ataque de Olavo a Villas Bôas revela “doença de caráter”, diz Rubens Bueno

O deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) repudiou nesta terça-feira (07) os ataques de Olavo de Carvalho ao ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e a outros militares. Na avaliação do parlamentar, a postura do “guru” da família Bolsonaro já passou de todos os limites e revela sua própria doença.

“Utilizar a doença degenerativa do general para atacá-lo nas redes sociais é um ato covarde, vil e típico daqueles que não possuem escrúpulo e muito menos argumentos e capacidade para o debate. Ao dizer que os militares se escondem ‘atrás de um doente preso a uma cadeira de rodas’, Olavo revela sua própria e triste doença, a ‘doença do caráter’”, disse o deputado.

Rubens Bueno afirmou ainda que a principal baderna que afeta o país não está nas universidades, como alegou dias atrás o ministro da Educação, mas ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

“Trata-se de uma baderna sem controle, tresloucada, sem qualquer limite e sem a mínima educação. A turba capitaneada pelo ‘pornofilósofo’ Olavo de Carvalho, uma das figuras mais sombrias e desequilibradas que já orbitaram o comando da Nação, passou de todos os limites”, afirmou.

O deputado destacou também que o general Villas Bôas tem a consideração de todos os campos políticos do país não só por seus serviços prestados nas Forças Armadas, mas por sua capacidade de diálogo, de pensar nos desafios do Brasil e de contribuir para a construção de um projeto nacional.

O general vinha se mantendo distante dos ataques de Olavo de Carvalho aos militares, mas em entrevista ao Estadão, não se conteve. De maneira cirúrgica, disse que “rebater Olavo de Carvalho seria dar a ele a importância e a relevância que não tem e não merece. Ele está prestando um enorme desserviço ao País. Em um momento em que precisamos de convergências, ele está estimulando as desavenças. Às vezes, ele me dá a impressão de ser uma pessoa doente, que se arvora com mandato para querer tutelar o País”.

Para Rubens Bueno, em um país que clama por reconstrução, por crescimento e por reformas, “dinamitar pontes é o caminho certo para o caos. Cabe ao presidente se posicionar com mais clareza sobre a situação e deixar de fingir que a baderna e a insanidade não lhe rodeiam”.

Luiz Carlos Azedo: Ivan, o Terrível, e o Mestre de Avis

NAS ENTRELINHAS – CORREIO BRAZILIENSE

Por mais que suas diatribes possam parecer fora de qualquer sentido, a metralhadora giratória de Olavo de Carvalho não pode ser ignorada, porque exerce real influência no governo e no discurso do presidente Bolsonaro.

Nem todos no Palácio do Planalto levam a sério o filósofo Olavo de Carvalho, como é o caso do ministro Santos Cruz, general de quatro estrelas que vem sendo ofendido diariamente pelo guru do clã Bolsonaro, mas o fato é que a sua narrativa já não pode ser ignorada, quando nada pela influência que exerce junto ao próprio presidente da República. Olavo de Carvalho foi uma das estrelas do jantar que Bolsonaro ofereceu na embaixada do Brasil em Washington, quando de sua recente visita aos Estados Unidos, para o encontro com o presidente Donald Trump na Casa Branca.

Por mais que suas diatribes possam parecer fora de qualquer sentido, a metralhadora giratória de Olavo de Carvalho não pode ser ignorada, porque exerce real influência no governo e no discurso do presidente Bolsonaro. Na segunda-feira, um post do filósofo no Facebook chamou a atenção pelo significado de suas referências históricas, num momento de grande ativismo de seus partidários nas redes sociais, comandado pelo vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, com a difusão de “memes” contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Disse o filósofo: “O mecanismo político mais eficiente e quase infalível já registrado na História — por exemplo, na origem do reino português ou no triunfo de Ivan, o Terrível — é a aliança do governante com a massa popular para esmagar os poderes intermediários corruptos e aproveitadores. Deus queira que o Bolsonaro entenda ser essa a sua grande oportunidade”. A afirmação de Olavo de Carvalho coincide com a recomendação do presidente da República para que os comandantes militares organizassem as “devidas comemorações” do golpe militar de 1964, em 31 de março próximo, fato que gerou muita polêmica no Congresso. É com um grave desencontro entre o Palácio do Planalto e as principais lideranças da Câmara.

Poder absoluto

A referência a Portugal diz respeito à Revolução do Mestre de Avis, a primeira revolução burguesa do Ocidente, em 1383, na qual se resolveu a crise provocada pela morte de Dom Fernando I, rei de Portugal. A herdeira do trono, a princesa Beatriz, era casada com Dom Juan I de Castela, que reivindicou o trono para o casal, com o apoio da nobreza. A burguesia, a pequena nobreza e o povo não queriam a união com o reino de Castela e decidiram apoiar o irmão bastardo de Dom Fernando I, João, conhecido como o “Mestre de Avis”, que derrotou os castelhanos na Batalha de Aljubarrota. Além de garantir a independência, Dom João, o Mestre de Avis, centralizou o poder, fez uma reforma agrária, implantou uma indústria náutica e iniciou a expansão comercial portuguesa. Foi um dos primeiros regimes absolutistas da Europa, em plena Idade Média.

Ivan, o Terrível, sagrado Ivan IV em 1547, na Catedral da Assunção em Moscou, foi o primeiro czar. Filho de Vassili III e de Helena Glinska, nasceu em 25 de agosto de 1530. Com a morte do pai, sua mãe foi tutelada por uma regência de 20 boiardos, senhores feudais russos, aquém dividiram o poder entre si após envenená-la. Logo após assumir o trono, em 1547, incêndios devastaram Moscou e provocaram milhares de mortos. Ivan se disse abandonado por Deus e decidiu convocar representantes de todas as regiões da Rússia para uma assembleia que só se realizou em 1950, mas mudou a história da Rússia.

Ivan afastou os boiardos, decretou um código civil, reorganizou o clero e criou um Estado centralizado, com uma polícia secreta que perseguiu duramente os seus opositores. Conquistou o Volga e estendeu seu império à Suécia e à Polônia; à frente de um exército de 100 mil homens, ocupou Kazan, a capital dos tártaros. Para celebrar essa vitória, construiu em Moscou a catedral de São Basílio. Em 1558, tentou assegurar uma saída ao Mar Báltico, mas acabou derrotado pela coalizão formada por Polônia, Suécia, Lituânia e os Cavaleiros Teutônicos da Livônia, em 1578. Depois de 25 anos de guerras, com a Rússia assolada por uma epidemia de peste, em 1581, matou seu filho mais velho, Ivan Ivanovich, num acesso de cólera, provavelmente provocado pelo mercúrio usado no tratamento de uma sífilis. Morreu jogando xadrez, em 18 de março de 1584, misteriosamente. (Correio Braziliense – 27/03/2019)