#Suprapartidário: “Filho meu não morreria aí”. Ufa, que alívio!

Ontem perguntamos que tipo de verme comemora os nove jovens mortos em ação da PM no baile da Favela de Paraisópolis?

Tivemos uma amostra bastante simbólica e significativa nos comentários postados aqui. É de embrulhar o estômago.

Indiferença, ódio, preconceito, intolerância, racismo, hipocrisia, autoritarismo, desumanidade. Vimos um pouco de tudo. Sinal dos tempos. Um horror!

Pois estes são os “bandidos”, os “drogados”, os “vagabundos” e a “prostituta” que parte dessa nossa sociedade podre e doente celebrou a morte. Nove mortes, pouco entre mais de cinco mil. Quase o “efeito colateral” de uma necessária e reivindicada ação para acabar com o incômodo dos pancadões, essas festas barulhentas que reúnem música ruim, álcool, bebida, sexo, sujeira e seres indesejáveis por “gente de bem”.

“Meus filhos nunca estariam ali!”. Portanto, como foram os filhos dos outros que morreram pisoteados após a ação desastrada da PM, para alguns não cabe nenhuma empatia. “Eles não deviam estar lá. Se estavam, sabiam do risco que corriam”.

Ora, porque famílias de bem obviamente controlam seus adolescentes. Jamais “filho meu” faria uma coisa errada. Nunca que ele estaria de madrugada numa festa estranha com gente esquisita. Tá certo. Tem pai que é cego, mesmo. Ou gosta de se iludir. Faz parte.

Entre os “vagabundos” que tiveram a vida ceifada aos 14, 16, 18, 20 anos, tínhamos estudantes, jovens aprendizes, um ajudante de oficina, um ajudante de tapeçaria, um atendente de telemarketing, outro que vendia produtos de limpeza.

Limpeza. Essa talvez seja a palavra mais apropriada. Ninguém quer ver tanta sujeita na porta de casa. É compreensível.

Os nove jovens gostavam de música, de festas, de jogos eletrônicos. Sonhavam ser médicos, advogados, professores, jogadores de futebol. Acabou.

Foram pisoteados por gente pobre e indesejada como eles mesmos, num espaço público que não pode ser ocupado pela sujeira de uma juventude incômoda e barulhenta. Espaço muitas vezes ocupado de forma irregular, mas que o poder público deve manter sempre limpo, silencioso e seguro, para tranquilidade das famílias de bem. Amém! (#Suprapartidário)

Revista Política Democrática online faz raio-x da pobreza na maior favela do Brasil localizada no DF

A reportagem especial da sétima edição da revista Política Democrática online (veja aqui) faz um raio-x da maior favela do Brasil. Sol Nascente está localizada na cidade-satélite de Ceilândia, a 35 quilômetros do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. Vive uma explosão populacional sem precedentes na história, de acordo com estimativas da administração local.

A revista é produzida e editada pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira), vinculada ao Cidadania.

Sem infraestrutura básica para a população, Sol Nascente abriga 250.000 pessoas, segundo dados da administração de Ceilândia, a maior cidade-satélite de Brasília. Os moradores são castigados pela falta de serviços de segurança, educação e saúde públicas, por exemplo, conforme relata a reportagem.

Apesar de já ser a mais populosa do DF, a comunidade é a que mais recebe novos moradores de outras regiões do país. Em 2010, abrigava 56.483 pessoas e, naquele ano, só tinha menos habitantes que a Rocinha, no Rio de Janeiro, onde moravam 69.161 pessoas, de acordo com o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que deve realizar novo levantamento no próximo ano.

Devido à sua localização em um morro, segundo a reportagem, a favela carioca passou a ter dificuldade para novas explosões populacionais, após registrar surtos de crescimento nas décadas de 1970 e 1980 e no início dos anos 2000. Sol Nascente, que completou 19 anos no dia 11 de maio, tem uma área plana de 943 mil hectares, o equivalente a 1.320 campos de futebol do tamanho do que existe no Estádio Mané Garrincha. Ceilândia, onde fica a favela, terá 448.000 habitantes em 2020, aponta projeção da Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal) com base em dados do IBGE.(Assessoria FAP/Cleomar Almeida)