Supremo autoriza exibição do especial de Natal do Porta dos Fundos

O especial teve sua veiculação suspensa pela Justiça do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (Reprodução)

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, concedeu nesta quinta-feira (9) decisão liminar que autorizar a Netflix a exibir o Especial de Natal Porta dos Fundos “A Primeira Tentação de Cristo”. O especial teve sua veiculação suspensa pela Justiça do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (8), atendendo ao pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura. O especial do Porta dos Fundos dá a entender que Jesus Cristo teve uma experiência homossexual ao passar 40 dias no deserto.

“Não se descuida da relevância do respeito à fé cristã (assim como de todas as demais crenças religiosas ou a ausência dela). Não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 (dois) mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros”, afirmou o ministro Dias Toffoli.

A decisão de Toffoli é provisória e foi tomada em função do recesso do Judiciário. A relatoria do pedido ficou com o ministro Gilmar Mendes, mas foi redistribuída ao presidente da Corte, em caráter liminar.

Decisão

Ontem (8), Abicalil determinou que a Netflix retire do ar, imediatamente, o Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo, assim como trailers, making of, propagandas, ou qualquer alusão publicitária ao filme. A decisão estabelecia ainda que a produtora e distribuidora Audiovisual Porta dos Fundos se abstivesse de autorizar a exibição e/ou divulgação do especial por qualquer outro meio, sob pena de multa diária de R$ 150 mil.

A Netflix argumentou que a decisão violaria a autoridade do STF além de ser inconstitucional. “[A Corte deixou] claro que são inconstitucionais quaisquer tipos de censura prévia, inclusive judicial; e quaisquer outras restrições à liberdade de expressão não previstas constitucionalmente, inclusive quanto à obrigação de veiculação de aviso que não a classificação indicativa”. (Agência Brasil)

Justiça do Rio censura especial de Natal do Porta dos Fundos

O desembargador Benedicto Abicair determinou nesta quarta-feira (08) que a Netflix retire do ar “A Primeira Tentação de Cristo” da plataforma de streaming (Foto: Reprodução)

Desembargador censura especial de Natal do Porta dos Fundos na Netflix para ‘acalmar ânimos’

Rayanderson Guerra – O Globo

O desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), determinou nesta quarta-feira que a Netflix retire o “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo” da plataforma de streaming, como antecipou o colunista Ancelmo Gois. O magistrado decidiu ainda pela suspensão de trailers, making of, propagandas, “ou qualquer alusão publicitária ao filme” na Netflix e em qualquer outro meio de divulgação.

O pedido de suspensão feito pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura havia sido negado em primeira instância pela juíza Adriana Sucena Monteiro Jara Moura. O centro recorreu da decisão, mas o desembargador de plantão confirmou o entedimento de Adriana e não concedeu a liminar para tirar o especial do Porta dos Fundos do ar.

Com o fim do recesso no Tribunal de Justiça do Rio, o processo foi distribuído para Abicair. Ao decidir pela suspensão do filme, o desembargador afirma que, nessa fase do processo, ainda não há como decidir se houve incitação ao ódio público por parte da produtora e “com quem está a razão”, mas para “acalmar os ânimos” da sociedade entende ser “mais adequado e benéfico” suspender a exibição.

“Por todo o exposto, se me aparenta, portanto, mais adequado e benéfico, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã, até que se julgue o mérito do Agravo, recorrer-se à cautela, para acalmar ânimos, pelo que condedo a liminar na forma requerida”, diz um trecho da decisão. A produtora disse ao GLOBO que ainda não foi oficialmente notificada sobre a suspensão. A Netflix informou que, por enquanto, não irá se manifestar sobre o caso.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou, ao blog do colunista Bernardo Mello Franco, que a decisão judicial caracteriza censura e será derrubada pelos tribunais superiores. Para o ministro, a decisão de retirar do vídeo não tem amparo na Constituição.

— É uma barbaridade. Os ares democráticos não admitem a censura — afirma.

O desembargador diz que só teve conhecimento do especial por meio da mídia e que desconhecia o “trabalho e conceito dos artistas mencionados”. Após ler parte da transcrição dos diálogos do filme e “assistir rapidamente o episódio” constatou que se trata de “uma aparente “sátira” de personagens do cristianismo, extraídos da Bíblia, a obra mais lida no mundo”.

“Vejo com bons olhos todo e qualquer debate ou crítica à religião, racismo, homossexualidade, educação, saúde, segurança pública e liberdade de imprensa, artística e de expressão, desde que preservados a boa educação, o bom senso, a razoabilidade e o respeito à voz do outro. Caso contrário passa-se à agressão verbal, muitas vezes com desdobramentos físicos”, diz Abicair na decisão.

Abicair diz que as liberdades de expressão, artística e de imprensa “são primordiais e essenciais na democracia”. Entretanto, “não podem elas servir de desculpa ou respaldo para toda e qualquer manifestação, quando há dúvidas sobre se tratar de crítica, debate ou achincalhe”.

O especial de Natal do Porta tem causado polêmica e gerou uma série de críticas de grupos religiosos. No filme de 46 minutos, Jesus (Gregório Duvivier) está prestes a completar 30 anos, e é surpreendido com uma festa de aniversário quando voltava do deserto acompanhado do namorado, Orlando (Fabio Porchat). A sátira com um Jesus gay despertou a ira de alguns setores religiosos, que pedem a censura da produção.

Desde 2013, o Porta dos Fundos publica especiais de Natal em dezembro. O filme do ano passado, “Se beber, não ceie”, venceu o Emmy Internacional por melhor comédia no final de novembro. Na véspera da cerimônia que consagrou o filme, Fábio Porchat (que vive Jesus no especial de 2018), comemorou a indicação.

A constitucionalista Vera Chemim, mestre em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que o desembargador analisou o caso com base no conflito entre dois princípios constitucionais: o da liberdade de consciência e de crença (inciso VI do artigo 5º) e o da liberdade de expressão da atividade intelectual e artística, independentemente de censura ou licença (inciso IX do artigo 5º). Ela diz que o magistrado deve fazer uma ponderação e decidir pelo bom senso, o que não ocorreu no caso em questão.

— É de notório saber que o Porta dos Fundos trabalha com sátiras em seus programas. Não há como dizer que houve um desrespeito, do ponto de vista constitucional, por parte do especial de Natal. Pode se até afirmar que houve um desrespeito do ponto de vista moral e religioso por parte de quem se diz ofendido, mas o direito deve se ater à legislação e à Contituição. O próprio STF tem decidido no sentido da ampla liberdade de expressão. Essa liminar deve cair nos tribunais superiores — explica.

Daniel Gerber, mestre em Direito Penal e Processual Penal, avalia a decisão como “um verdadeiro absurdo, retrato de uma censura medieval que não compreende o conceito de liberdade”.

— Não apenas impõe o crucifixo em salas de audiência do Estado Laico como recrimina, em nome da maioria, a liberdade de expressão e, consequentemente, de crença. Decisões assim não passam nem com ‘reza brava’, seja qual for a religião do pedinte — diz Daniel.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, também se posicionou contra a decisão.

Em nota, Santa Cruz afirmou que “a Constituição brasileira garante, entre os direitos e garantias fundamentais, que ‘é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’. Qualquer forma de censura ou ameaça a essa liberdade duramente conquistada significa retrocesso e não pode ser aceita pela sociedade”.

Ataque à produtora do Porta dos Fundos

Em meio às críticas por parte de grupos religiosos ao especial de Natal do Porta dos Fundos, um grupo atacou a sede da produtora com coquetéis-molotov na madrugada do dia 24 de dezembro, véspera do Natal. O fogo foi contido por um segurança que estava no prédio. Apenas o quintal e a recepção sofreram danos materiais com o ato.

A polícia acredita que cinco pessoas estiveram envolvidas diretamente na ação. Elas estavam a bordo de um carro que foi registrado por câmeras de segurança na rua da sede da produtora e em outros bairros do Rio, como Botafogo. Com base em imagens de câmeras de segurança no entorno da produtora, a Polícia Civil identificou o economista e empresário Eduardo Fauzi, de 41 anos, como um dos homens que jogaram coquetéis molotov contra a produtora. Nas imagens obtidas pelos investigadores, ele aparece tirando uma fita que escondia a placa do automóvel.

Perguntas e respostas: O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o ataque ao Porta dos Fundos

Um dia antes da expedição do mandado de prisão contra ele, no dia 30 de dezembro, Fauzi embarcou para Moscou na Rússia. O economista tem família na capital russa: a mulher dele, de origem russo-israelense, e o filho, de três anos, vivem na cidade. Ele é considerado foragido.

Especial Meio Ambiente: Fronteira agrícola brasileira é para geração futura

No ano passado as mídias brasileiras foram inundadas com a informação sobre estudos da Embrapa e da Nasa apontando que apenas 7,6% do território nacional (63,9 milhões de hectares) eram usados para a produção agrícola. Contrariando índices de outros países, sobretudo da Europa, que chegariam a patamares superiores a 80%.

Seria o exemplo final de que o Brasil é um País que protege o seu meio ambiente.

A informação é verdadeira, mas esconde sob o tapete outros dados igualmente verdadeiros. Ela se refere apenas a cultivares e esquece os outros 168 milhões de hectares em pastagens, o que elevaria o desmatamento nestes dois segmentos a quase 280 milhões de hectares, correspondendo a mais de 30% de todo o território nacional.

A agricultura brasileira é algo a ser comemorado: em 63 milhões de hectares produz alimentos para consumo interno e exportação, álcool e biocombustível para a geração de energia e farelos, que respondem pela produção de 13 milhões de toneladas de frango, 4 milhões de toneladas de carne de porco e quase um milhão de toneladas de peixe em cativeiro.

A pecuária tem números que o Congresso Nacional precisa discutir. Dos 168 milhões de hectares, 48 milhões são de pastagens degradadas. E o restante produz apenas 10 milhões de toneladas de carne. Claro, ainda contam o leite e o couro, mas essa é outra questão.

O Brasil não tem necessidade de ampliar suas fronteiras agrícolas na Amazônia para ser uma potência ainda maior na produção de grãos. O momento é de avançar sobre terras degradadas (mais de 50 milhões) e fomentar a produtividade.

As terras com potencial agrícola não desmatadas devem ser estoque de segurança para gerações futuras.

A vitória contra o desmatamento criminoso

O Senado Federal deu uma grande contribuição ao Brasil ao deixar caducar a Medida Provisória 867/2019, que alterava de forma dramática, com as emendas da Câmara dos Deputados, o Código Florestal brasileiro.

A decisão dos senadores tornou sem efeito golpe duro então em marcha contra o meio ambiente.

Se a discussão sobre o tema for retomada, que seja por projeto de lei, permitindo que toda a sociedade participe.

Neste sentido, o Cidadania se coloca contra os projetos em tramitação no Senado e na Câmara dos Deputados que acabam com as reservas legais em propriedades particulares e mitigam as reservas florestais e terras indígenas. Ou que se sustentem na ideia negacionista de mudança do clima global.

Especial Meio Ambiente: Os números do desmatamento no Brasil

Em 2018, o País registrou os maiores números de desmatamento na região amazônica de toda a história. De agosto de 2018 a maio deste ano, a devastação ilegal da Floresta Amazônica atingiu 52 hectares por dia.

Em apenas 15 dias de maio, foram desmatados 6.880 hectares de floresta preservada na Amazônia, o correspondente a 7 mil campos de futebol. São 19 hectares por hora, a taxa mais alta em uma década.

O volume desmatado apenas na primeira quinzena de maio representa 84% de toda a área desmatada entre agosto de 2018 e abril de 2019.

Uma das regiões mais devastadas é a Floresta do Jamanxim, que perdeu nada menos que 3.100 hectares somente neste período.

Apesar do avanço do desmatamento, o Ibama (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)  emitiu 850 multas de agosto a maio, 35% menos do que no mesmo período do ano passado, quando foram 1.290.

Já o ICMBio (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), entre 1º janeiro e 15 maio, aplicou 317 multas na região, praticamente metade do aplicado no mesmo intervalo de 2018.  Os dados foram divulgado pelo  Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real).

A vitória contra o desmatamento criminoso

O Senado Federal deu uma grande contribuição ao Brasil ao deixar caducar a Medida Provisória 867/2019, que alterava de forma dramática, com as emendas da Câmara dos Deputados, o Código Florestal brasileiro.

A decisão dos senadores tornou sem efeito o duro golpe então em marcha contra o meio ambiente.

Se a discussão sobre o tema for retomada, que seja por projeto de lei, permitindo que toda a sociedade participe.

Neste sentido, o Cidadania se coloca contra os projetos em tramitação no Senado e na Câmara dos Deputados que acabam com as reservas legais em propriedades particulares e mitigam as reservas florestais e terras indígenas. Ou que se sustentem na ideia negacionista de mudança do clima global.

Muito além da madeira

O Brasil detém cerca de 12% de toda a água doce disponível no planeta. Este privilégio não é distribuído uniformemente por todo o país: 80% de toda a água brasileira se concentra na Região Norte, o que faz com que ela seja estratégica para a o ciclo de chuvas em toda a América do Sul. Parte da precipitação que ocorre em São Paulo, por exemplo, depende da umidade da floresta amazônica, que atravessa o país pelos chamados “rios voadores”. Pesquisadores afirmam que, em tese, a destruição da Amazônia pode secar o resto do Brasil.

Acordo de Paris

O governo Bolsonaro constrange e retira a credibilidade do Brasil ao bloquear entendimentos firmados internacionalmente em questões relacionadas ao clima, como o Acordo de Paris. Trilha um terreno pantanoso ao promover o enfraquecimento do ordenamento jurídico ambiental brasileiro e ao afrouxar as regras para o licenciamento ambiental.

Em 35 anos, essa é a primeira vez que temos uma postura de desconstrução advinda da parte do governo.

Ao engendrar um alinhamento internacional com os Estados Unidos sem nada receber em troca, o governo Bolsonaro lançou o meio ambiente na vala comum e predestina biomas importantes como da Amazônia e do Cerrado a um futuro desastroso. Destino igual para nossos rios, fauna, restingas e outras áreas de preservação marítimas.

Especial Meio Ambiente: O compromisso do Cidadania com a preservação ambiental no Brasil

Para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado nesta quarta-feira (05), o portal do Cidadania inicia a publicação de uma série de textos e matérias ao longo deste mês abordando temas ambientalistas, chamando a atenção para desafio do desenvolvimento econômico sustentável, o avanço do desmatamento de florestas e biomas e o desmonte da fiscalização ambiental promovido pelo governo Bolsonaro.

A luta pela preservação ambiental é um compromisso do Cidadania que não vê os recursos naturais como uma fronteira para ser explorada de forma estúpida, apenas para sustentar índices positivos de crescimento e a riqueza de alguns, quase sempre contra os interesses mais gerais da sociedade.

Defender o desenvolvimento sustentado é permitir o diálogo entre as necessidades das gerações presentes às das gerações futuras, que ainda não estão entre nós. Não proceder assim é apenas a manifestação de um egoísmo primário e desprezível.

Defender o meio ambiente é andar para a frente, apostar em recursos tecnológicos e científicos, sem preconceitos e sem barreiras de fundo ideológico. Acreditamos ser possível buscar um equilíbrio entre o prover a sociedade com os recursos naturais necessários à sua sobrevivência e a capacidade de a natureza continuar a sustentar a reprodução desses mesmos recursos, principalmente os renováveis.

A defesa da natureza é um projeto mundial, ultrapassa os limites de um país. Daí ser importante o Brasil, território com riquezas naturais incomensuráveis, estar inserido em projetos multilaterais, sendo exemplo e protagonista nas ações.

A cidadania é verde.

Desmonte da fiscalização ambiental leva Brasil a recorde de desmatamento na Amazônia

No interior das florestas brasileiras, servidores do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) têm uma companhia indesejada cada vez mais frequente: o medo. Reféns de um governo que humilha publicamente a agenda ambiental, fiscais pouco podem fazer para conter o pior ritmo de desmatamento em uma década.

O desmonte não é mero acaso. Em abril, circulou nas redes sociais um vídeo em que o presidente da República desautoriza a ação de fiscais ambientais em Jamari (RO). Segundo Bolsonaro, os funcionários não deveriam destruir máquinas e equipamentos apreendidos em ações contra madeireiras ilegais, apesar de a prática ser autorizada pela legislação. Desde então, não há mais a chamada fiscalização ativa, com servidores em campo para vistoriar serrarias ou buscar áreas desmatadas. 

O descaso com a fiscalização acelera o desmatamento. Nos quatro primeiros meses do ano, foram apreendidos apenas 40 metros cúbicos de madeira, o equivalente a dez troncos de árvores grandes.

Enquanto isso, o ICMBio reduziu em 35% o volume de multas aplicadas no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018, segundo levantamento do portal UOL. Em abril, o governo federal substituiu toda a diretoria do órgão por policiais militares, aprofundando a crise no ICMBio.

Crime de responsabilidade

Mais recentemente, o Ibama divulgou com antecedência os locais onde seriam realizadas as operações de fiscalização contra o desmatamento na Amazônia. Até o ano passado, as informações eram mantidas em sigilo, para que não atrapalhassem os resultados das ações. Desta vez, o texto foi disponibilizado, em português e inglês. A mudança de postura pode ser, em tese, enquadrada como crime de responsabilidade.

Reforma da Previdência: Alex Manente anuncia emenda que garante integralidade do benefício a quem ganha menos

Durante reunião da Comissão Especial da Reforma da Previdência, ocorrida nesta quarta-feira (15), o deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP) anunciou que está recolhendo assinatura dos demais parlamentares para apresentar emenda que garante ao trabalhador que ganha menos se aposentar com a integralidade dos proventos em menos tempo que os demais que recebem valores superiores.

O texto de Manente prevê que o brasileiro, que, na ativa, recebe um salário mínimo, por exemplo, terá direito a um acréscimo de 5% no valor da aposentadoria para cada ano que exceder o tempo de vinte anos de contribuição. Desta forma, é possível que o trabalhador tenha direito ao benefício integral com menos de 40 anos de contribuição.

De acordo com o deputado do Cidadania, a lógica do cálculo se embasa na expectativa de sobrevida desses trabalhadores, que costuma ser menor do que a dos trabalhadores que auferem renda maior, por uma série de motivos, desde suas precárias condições de nascimento, acesso à educação e saúde e, hoje, ainda, à dificuldade de acesso a bons postos de trabalho.

“Precisamos garantir aposentadoria digna para todos. Para combater privilégios precisamos apresentar uma régua de acordo com a renda de cada cidadão. Privilégio é de quem ganha mais e não de quem ganha menos”, disse o parlamentar.

Para Alex Manente, o Brasil possui muita desigualdade e, neste sentido, a sua proposta corrige distorções do texto previdenciário em análise na Casa.

“Defendemos desde o primeiro momento a necessidade da reforma. A responsabilidade fiscal é ter segurança daquilo que arrecadamentos e gastamos, mas não podemos ter a frieza apenas dos números e não verificarmos as necessidades de um País com tantas diferenças sociais”, acrescentou.

Elena Landau: É a lama, é a lama

Esta semana o relatório do senador Tasso Jereissati para a MP 868 foi aprovado na Comissão Especial. É um assunto urgente. No Brasil, quase 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada e quase metade da população não tem serviço de coleta de esgoto. Espero que esse quadro vergonhoso sensibilize os nossos parlamentares, porque a votação nas duas Casas tem de ocorrer até dia 3 de junho para que a medida provisória não caduque.

É espantoso como um projeto de lei de tamanha importância possa enfrentar dificuldades para sua aprovação. A resistência maior vem dos ditos “partidos progressistas”. A ampliação do acesso ao saneamento básico é uma questão de justiça social. Vivendo no esgoto não há igualdade de oportunidades possível. Hoje ainda convivemos com dois Brasis: no Sudeste, o índice de abastecimento de água é 91,2% e o de coleta de esgoto 78%; no Norte é 55,4% e 10,5%. Numa ponta, o Amapá tem a pior estatística do País, com investimento per capita de R$ 30, na outra, São Paulo com dez vezes mais.

A MP desenha um novo marco regulatório. É um passo gigante para a superação do fosso entre cidadãos brasileiros. Traz soluções para os problemas que afastam as empresas privadas. Elas atuam em apenas 6% do setor, mas respondem por 20% do investimento total. Ou seja, proporcionalmente, aplicam bem mais que o setor público. A consequência são indicadores de qualidade, em média, melhores do que as estatais.

Os que se opõe ao projeto são, em sua maioria, simplesmente contra a possibilidade de privatização. Ignoram que a insegurança regulatória afeta investimentos tanto públicos quanto privados, que juntos não somam a metade dos gastos necessários para a universalização. Esquecem também da absoluta falta de recursos públicos que não tem solução a curto prazo, mesmo com a aprovação da reforma da Previdência. Deixam em segundo plano a péssima qualidade de vida de milhões de brasileiros para defender velhos interesses corporativos.

A privatização é crucial para reverter essa tragédia nacional. A meta para universalização prevista para 2033 não será alcançada. O investimento anual é menos da metade do necessário. Não é por acaso que, segundo a OMS, estamos em 123.º lugar no ranking do saneamento.

O projeto traz mais segurança jurídica ao setor. Ataca dois pontos relevantes: a multiplicidade de regras e os entraves decorrentes da titularidade municipal. Hoje, cada município pode estipular as próprias condições para a operação, ainda que não tenham competências para fiscalização. O relatório aprovado contorna esses problemas propondo a harmonização das regras e ampliação da atuação da Agência Nacional de Águas (ANA), que deverá definir normas de referência nacional, ajudando a simplificar todo o sistema regulatório. Ao criar o conceito de prestação regionalizada, permite a reunião de diferentes municípios numa única operação, sem eliminar a possibilidade de prestação de interesse local. E ainda garante que os municípios com menor atratividade façam parte dos blocos mais disputados.

Outros fatores importantes para a atração de investidores são a solução de conflitos por mediação e o reembolso de investimentos não amortizados. Em 2016, 18 Estados procuraram o BNDES para apoio na venda de suas empresas de saneamento. Pouco se avançou até o momento por conta de um marco regulatório confuso. A nova lei é necessária para destravar essas operações de venda.

Em meados dos anos 90, vários governadores venderam ativos, na grande maioria, empresas distribuidoras de energia, porque necessitavam de recursos para novos investimentos. Com exceção de poucas distribuidoras que permaneceram estatais, os indicadores de qualidade melhoraram significativamente no setor elétrico. Lucraram os contribuintes e usuários desse serviço que, a exemplo da telefonia, é hoje universal.

Duas décadas depois, o quadro se repete: restrição fiscal e ativos estatais que necessitam de vultosos investimentos. Novamente, a privatização das empresas estaduais é parte da solução. O mesmo choque de qualidade pode acontecer com saneamento. Não dá para deixar essa oportunidade passar quando em pleno 2019 quase metade dos brasileiros vive na lama. (O Estado de S. Paulo – 10/05/2019)

Especial do Dia das Mães e a importância do aleitamento materno no #ProgramaDiferente

Neste especial do Dia das Mães, o #ProgramaDiferente (veja abaixo) fala da importância da amamentação, dos benefícios do leite materno para a saúde do bebê e faz até campanha de doação para os bancos de leite, que muita gente nem sabe que existe, entre outros assuntos fofos e cheios de emoção, não deixando de lado a boa informação. Feliz Dia das Mães!