Eliziane Gama propõe mutirão pela liberdade de imprensa contra escalada autoritária

Em debate virtual com jornalistas e lideranças políticas, a líder do Cidadania no Senado defendeu a unidade das forças progressistas para fortalecer a democracia no País (Foto: Michelle Maia)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), defendeu um ‘grande mutirão pela liberdade de imprensa’ no Brasil para unir as forças comprometidas com a democracia contra a escalada autoritária do governo Bolsonaro, ao participar nesta quarta-feira (3) do ato virtual ‘Imprensa Livre, Democracia Forte’ promovido pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Abraji  (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e a Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas), com jornalistas e lideranças políticas.

“Precisamos avançar um pouco mais, criar outros debates como esse, gerar uma sinergia de forma que possamos envolver as mídias estruturadas, as boas redes sociais, os blogs. Um grande mutirão pela liberdade de imprensa contra a desinformação, o nosso principal alvo”, disse, ao pregar a unidade das forças progressistas para fortalecer a democracia no País.

Jornalista formada pela UFMA (Universidade Federal do Maranhão), a parlamentar do Cidadania disse que se sentia animada com o debate virtual pela ‘junção de esforços’ contra as repetidas ações de intimidação ‘extremamente deliberadas’ do governo federal a jornalistas e órgãos de imprensa.

“Não podemos permitir que o ovo da serpente seja chocado. O que lá atrás pensávamos ser apenas uma suposição, hoje vejo que a cada dia esse governo caminha para a implantação de uma ditadura no Brasil de  forma muito clara. E só vamos vencer esse embate com a unidade e a junção de todos nós”, afirmou.

Elizane Gama manifestou ainda preocupação com a mídia estruturada diante dos ataques e da decisão de alguns grupos de informação, como Folha e Globo, de deixaram de fazer a cobertura no Palácio do Alvorada por falta de segurança.

“A questão mais grave no momento e o movimento [do governo] para acabar com as mídias estruturadas, que vivem um momento realmente difícil no Brasil. A luta pela preservação da liberdade de imprensa precisa unir todos nós, da direita democrática à esquerda, os trabalhadores e os empresários, e essa unidade precisa chegar à ruas”, defendeu a parlamentar.

Calero: “Ameaça” de Augusto Heleno merece resposta à altura

O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) reagiu ao alerta emitido pelo General Augusto Heleno, nesta sexta-feira (22), após o Supremo Tribunal Federal (STF) solicitar a apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro, no âmbito da investigação sobre possível interferência na Polícia Federal.

Para o parlamentar, a “ameaça” do ministro do Gabinete de Segurança deve ser enquadrada como crime de responsabilidade e receber resposta à altura. No comunicado, Heleno diz que a apreensão do celular “é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

“É inadmissível que um Ministro de Estado produza ameaça aos demais poderes da República. Trata-se de crime de responsabilidade, que deve receber resposta à altura por parte de nossas instituições democráticas. A escalada autoritária é mais do que evidente e precisa ser detida”, pontuou Calero.

Celso Rocha de Barros: Escalada autoritária

Bolsonaro passou a campanha falando em destruir a democracia brasileira

Justiça seja feita: se Bolsonaro não tentasse destruir a democracia brasileira, teria praticado estelionato eleitoral Foi isso que passou a campanha inteira dizendo que faria.

Durante todo o ano de 2018, Bolsonaro repetiu que não reconheceria uma derrota — isto é, que tentaria um golpe de Estado se Fernando Haddad tivesse sido eleito.

Seu filho Eduardo Bolsonaro, nosso futuro embaixador em Washington, declarou que, para fechar o STF, bastariam um soldado e um cabo.

Quando indagado, no programa Roda Viva, sobre seu livro de cabeceira, Bolsonaro citou, às gargalhadas, as memórias falsificadas do torturador Brilhante Ustra, que já havia homenageado na votação do impeachment.

Faltando uma semana para a eleição, com 20 pontos de vantagem sobre o opositor, Bolsonaro discursou dizendo que para a esquerda só restariam o exílio ou a prisão.

Sinceramente, vocês acharam que a Presidência desse sujeito ia ser o quê?

Nesses seis meses, não houve nenhum gesto de moderação. A deputada bolsonarista Bia Kicis propôs revogar a PEC da Bengala para permitir que Bolsonaro nomeasse mais ministros para o STF — um entre vários movimentos extraídos do repertório do ditador húngaro Viktor Orban.

Militares filmaram ostensivamente uma palestra na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência porque o palestrante tinha críticas à política ambiental de Bolsonaro.

O general Santos Cruz foi demitido de maneira humilhante porque entrou em conflito com a extrema direita bolsonarista.

Os ataques à imprensa começaram contra a Folha; prosseguiram — sempre sórdidos, sempre imundos — contra jornalistas do Estado de S. Paulo, da Globo e de toda a imprensa independente.

As universidades estão sob cerco, e toda a máquina governamental brasileira está engajada em uma guerra contra a ciência.

O Brasil passou a votar com a Arábia Saudita na ONU em todas as questões relativas a direitos humanos. Olavo de Carvalho começou a fazer doutrinação de graça para policiais, para a eventualidade de os militares se provarem democratas.

Depois da votação da reforma da Previdência, a escalada autoritária se acelerou.

Convicto de que a elite agora estava devidamente comprada, Bolsonaro tornou-se mais ousado. Os ataques contra Míriam Leitão foram o começo dessa ofensiva.

Mas foi coma guerra à Vaza Jato que Bolsonaro percebeu a possibilidade de destruir a democracia em nome do combate á corrupção. Não há combate nenhum, ê claro: há, sim, um acordão para livrar Flávio Bolsonaro, com Supremo, com tudo. Mas, na falta de uma reputação de honestidade própria, Bolsonaro parasitou a de Moro, que, coitado, acha que isso tudo é para defendê-lo.

Como parte dessa escalada, no último sábado, Bolsonaro cruzou uma linha: sugeriu que Glenn Greenwald, fundador do Intercept, havia se casado e adotado duas crianças para não ser deportado, acrescentando que o jornalista poderia “pegar uma cana” no Brasil.

É inaceitável e é mais um esforço bolsonarista de nos fazer cansar sob o peso do nojo.

Quanto antes os brasileiros entenderem que o bolsonarismo odeia tudo que neles é livre, maiores serão as chances de preservarmos a liberdade que nos resta. A escalada autoritária prossegue e é cada vez mais acelerada. (Folha de S. Paulo – 29/07/19)