Joice Hasselmann acusa Flávio Bolsonaro de ser um dos líderes de ataques virtuais nas redes sociais

Deputada disse também na CPMI das Fake News que seu objetivo “não é arruinar a imagem do presidente” (Foto: Reprodução)

“Eduardo Bolsonaro é um dos líderes dos ataques virtuais”, diz Joice

Constança Rezende – UOL

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) acusou hoje (04), em depoimento na CPMI das Fake News, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o chamado “gabinete do ódio” de liderar os ataques virtuais nas redes sociais feitos contra pessoas consideradas inimigas da família.

“Eduardo está amplamente envolvido e é um dos líderes desse grupo que chamamos de milícia virtual”, disse Joice. A deputada também detalhou o que disse ser o método utilizado nesses ataques. Segundo ela, escolhe-se o alvo, combina-se o ataque, entram pessoas de verdade e, depois os robôs, para disparar as mensagens.

“Em questão de minutos, temos uma informação espalhada para o mundo inteiro. A sensação que é passada é para que muitos fiquem aterrorizados com o levante da internet”, disse.

Ela afirmou que a rede social de Eduardo é uma das que mais influenciam os ataques, com a colaboração de assessores. Ela citou, por exemplo, o perfil “Bolsofeios”, que seria do assessor de Eduardo, Carlos Eduardo Guimarães.

Disse também que, segundo peritos acionados por ela, há 1,4 milhão de seguidores robôs no perfil do twitter do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e 468.775 no do filho Eduardo.

“São quase 2 milhões de robôs seguidores. Quero crer que o presidente não sabe disso”, disse.

O deputado Eduardo Bolsonaro, que costuma participar das sessões da CPMI das Fake News, está fora do país, em uma viagem à Cisjordânia pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Valores gastos

Joice também afirmou haver uso de R$ 500 mil de dinheiro público para os ataques de “perseguições de desafetos” da família, incluindo a utilização do “gabinete do ódio”. Segundo ela, para fazer cada disparo por robôs, uma hashtag, gasta-se R$ 20 mil.

“As publicações são pautadas e influenciadas por políticos. Eduardo e assessores ativam as militâncias políticas. Muitos perfis são fakes para dificultar a responsabilização desses conteúdos. A expansão para a vida real é feita por robôs”, disse.

Todos são alvos

A deputada afirmou que “qualquer um pode ser alvo dos ataques, seja de direita, esquerda ou centro”. “Somos considerados traidores porque não entramos nesse jogo de ataques ou porque discordamos de algo”, afirmou, acrescentando que muitos dos ataques vêm de pessoas ligadas a Olavo de Carvalho, escritor que exerce influência sobre a família Bolsonaro e integrantes do governo.

Joice disse também que seu objetivo “não é arruinar a imagem do presidente”: “Ajudei a eleger o presidente e parte da bancada. Meu objetivo é mostrar o fruto de uma investigação que fiz depois que virei alvo coordenado de ataques na internet coordenados, e, infelizmente, com dinheiro público”, afirmou.

Para ela, o “esquema criminoso não se trata de tias do Whatsapp”, mas afirmou que “preservaria” a Presidência da República em sua apresentação, por conta da “estabilidade do país”.

Na sua opinião, os ataques são coordenados por vários grupos e funcionam igual para todos os alvos. De acordo com ela, há também uma tabela com cronograma de dias de qual grupo do gabinete do ódio fará o ataque da vez.

“Abin paralela”

A deputada disse ainda que teve a informação de que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) chegou a propor a criação de uma “Abin paralela” no governo, que funcionaria como um órgão clandestino, nos moldes da Agência Brasileira de Inteligência do Brasil, que incluiria a instalação de grampos telefônicos.

Ela sugeriu que a comissão chame para depor o ex-ministro da Secretaria-Geral da República Gustavo Bebianno, hoje no PSDB, que saberia do caso e teria discordado da ideia de Carlos.

Roberto Freire critica nas redes sociais defesa de “novo AI-5” feita por Eduardo Bolsonaro

“Um golpista na verdadeira acepção da palavra. Atenta claramente contra a Democracia no País”, afirma o presidente do Cidadania (Foto: Robson Gonçalves)

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, criticou nas redes sociais em nota pública (veja aqui), as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de que “se a esquerda radicalizar” a resposta “pode ser via um novo AI-5”, o Ato Inconstitucional número 5 baixado pela ditadura militar (1964-1985). Para ele, o posicionamento do filho do presidente da República representa um atentado contra a democracia e mostra perfil golpista.

Freire defendeu que a Câmara dos Deputados faça censura pública a Eduardo Bolsonaro.

“Um golpista na verdadeira acepção da palavra. Atenta claramente contra a Democracia no País. Cabe a Câmara dos Deputados exigir do Deputado Eduardo Bolsonaro respeito ao Estado de Direito censurando-o publicamente. Se houver insistência medidas legais mais firmes se impõe. Nada justifica pregação golpista e de apoio a ditadura. A posição do Bolsonaro filho é abjeta e merece total condenação.”, afirmou.

O presidente do Cidadania criticou ainda os seguidores de Bolsonaro nas redes sociais que defendem as declarações de Eduardo e apoiam um novo golpe militar no País.

“Agora não é apenas exacerbados e radicais bolsonaristas defendendo o inepto com histeria e agressões. Estão pululando nas redes os bolsonaristas apoiadores do golpe e da ditadura nos termos totalitários do AI 5 do deputado Eduardo Bolsonaro”, criticou.

Entrevista

Eduardo Bolsonaro afirmou em entrevista à jornalista Leda Nagle publicada nesta quinta-feira (31) em canal do Youtube que, se a esquerda “radicalizar” no Brasil, uma das respostas do governo poderá ser “via um novo AI-5”. Eduardo deu a declaração ao falar sobre os protestos de rua que estão acontecendo em outros países da América Latina.

“Novo AI-5”: Não vamos admitir retrocessos, afirma Alessandro Vieira

“A defesa de soluções autoritárias é um reflexo do profundo despreparo de alguns”, disse o senador sobre a declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), reagiu à entrevista em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu a edição de um novo AI-5 (Ato Institucional número 5) para conter a “radicalização da esquerda”.

O AI-5 foi editado pela ditadura militar (1964-1985) e impôs ao Brasil um recrudescimento do regime de restrições democráticas.

“A defesa de soluções autoritárias é um reflexo do profundo despreparo de alguns, que se mostram incapazes para enfrentar uma disputa democrática de ideias e argumentos. Já vivemos uma ditadura. Qualquer análise equilibrada aponta os profundos danos sofridos pela sociedade brasileira. Não vamos admitir retrocessos.”

Invocar “novo AI-5” é atentar contra a Constituição, diz Rubens Bueno sobre declaração de Eduardo Bolsonaro

O vice-presidente do Cidadania, deputado federal Rubens Bueno (PR), classificou nesta quinta-feira (31) de “um atentado contra a Constituição” a afirmação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que em entrevista cogitou a edição de um novo AI-5 para conter a radicalização da esquerda e manifestações contra o governo no país.

“Trata-se de uma estupidez política, uma ameaça de golpe que precisa ser rechaçada por todos os democratas. Invocar o AI-5 é atentar contra a nossa Constituição que rejeita qualquer instrumento de exceção. Somos um Estado Democrático de Direito e um parlamentar não pode nem mesmo aventar uma possibilidade desse tipo. Creio que cabe até uma reprimenda pública por parte da Câmara ao deputado Eduardo Bolsonaro”, afirmou Rubens Bueno.

Para o parlamentar, declarações como a de Eduardo Bolsonaro mostram que sua família tem dificuldade para encarar o debate democrático e, vez por outra, ameaça recorrer a instrumentos autoritários.

“Somente nesta semana Eduardo Bolsonaro flertou com a volta da ditadura duas vezes ao defender um novo AI-5 e o ataque duro da polícia contra manifestantes. Os que pensam que vão passar por cima da Constituição, do Parlamento, do Judiciário e das forças democráticas deste país estão muito enganados”, reforçou o deputado.

Rubens Bueno: Declaração de Eduardo Bolsonaro é atentado à Constituição e ao Estado Democrático de Direito

Parlamentar afirmou que os democratas não podem, sob nenhuma hipótese, aceitar colocações como a do filho do presidente (Foto: Robson Gonçalves)

O deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) disse, nesta quinta-feira (31), que a declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendendo a adoção de “um novo AI-5” no País é “um grave atentado à Constituição e ao Estado Democrático de Direito”. O ato institucional foi baixado pela ditadura militar e impôs ao País um recrudescimento do regime de restrições democráticas.

Eduardo Bolsonaro fez a declaração à jornalista Leda Nagle no último dia 28, mas a profissional só publicou a entrevista no YouTube nesta quinta-feira (31).

Rubens Bueno afirmou que os democratas não podem, sob nenhuma hipótese, aceitar colocações como a do filho do presidente.

“Com veemência, não apenas rechaçamos a declaração, mas também deixamos claro que estamos dispostos a defender a constituição e o Brasil da forma como ele está: livre, preparando-se para um novo momento para crescer e se desenvolver”.

Marcelo Calero critica Eduardo Bolsonaro por postagem de fake news

Diplomata de carreira, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) fez críticas à atitude do também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) que publicou, nesta quarta-feira (25), nas redes sociais, uma imagem manipulada da ativista ambiental, Greta Thunberg.

Segundo a postagem do deputado no Twitter, Greta seria financiada pelo bilionário húngaro-americano George Soros. A foto também foi alterada. Trata-se de verdadeira fake news.

O filho do presidente Jair Bolsonaro pode ser indicado para ser embaixador nos Estados Unidos.

“Esta atitude é incompatível com a função pública que ele [Eduardo Bolsonaro] exerce e a que pretende exercer. A verdade e a lealdade são elementos essenciais para a diplomacia”, afirmou o parlamentar do Cidadania.

Marcelo Calero é autor de um projeto de lei, em tramitação na Câmara, que estabelece que apenas servidores de carreira do Itamaraty possam ocupar cargo de embaixador.

O Cidadania também entrou na Justiça com mandado de segurança para tentar suspender a nomeação de Eduardo para o posto.

Alessandro Vieira: Eduardo Bolsonaro repassou ‘fake news’

Senador Alessandro diz que Eduardo Bolsonaro repassou ‘fake news’

Blog do Max- Max Augusto

O senador por Sergipe, Alessandro Vieira (Cidadania), acusou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) de repassar ‘fake news’. Em seu Twitter, Alessandro rebateu Bolsonaro, que havia feito críticas à tentativa de instalação da chamada “CPI da Lava Toga”.

Bolsonaro @BolsonaroSP havia tuitado: “Muito tem se falado sobre a CPI da Lava Toga. Muitas dúvidas são respondidas neste vídeo da @profpaulamarisa em que ela te convida para uma reflexão falando de @FlavioBolsonaro , senadores e ministros”.

Em uma sequência de postagens no Twitter, Eduardo compartilhou ainda um vídeo onde Olavo de Carvalho diz que a Lava Toga é “uma bobagem fora do comum”. Alessandro @Sen_Alessandro respondeu afirmando:

“Repassando fake news para tentar encobrir a covardia e o acordão? Falta de vergonha na cara. A real é que o sistema está usando o rabo preso da sua família para barrar o combate à corrupção. Quem quer mudar o Brasil apoia a CPI. Quem quer mamata em embaixada fica com mimimi”.

Alessandro ainda defendeu a CPI da Lava Toga, disse que a família de Bolsonaro tem rabo preso e que existe um “acordão” no Congresso Nacional, para barrar a CPI. Ele também publicou em seu Twitter:

“Fulano está protegendo Beltrano, impedindo que as investigações sobre ele avancem.

Beltrano está em campanha aberta contra a CPI.

Ligue os pontos. Será que Fulano e Beltrano não estão se protegendo mutuamente?”

Corrupção

Alessandro Vieira ainda garantiu que estamos testemunhando “ações diretas para reduzir a potência do combate à corrupção e tentar devolver o Brasil para aquele estado anterior, onde existiam poderosos que jamais poderiam ser investigados”.

“Está claro para os brasileiros a necessidade de uma CPI que apure as irregularidades cometidas pelas cortes superiores neste país. Também está cada vez mais claro o acordão em Brasília para deixar tudo como está”, tuitou o parlamentar que representa o estado de Sergipe.

 

“Brasil é motivo de chacota” por indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada, diz Marcelo Calero

Marcelo Calero: “O Brasil é motivo de chacota”

Deputado critica a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos EUA e diz que presidente enfraquece instituições

Thaís Moura – Correio Brazieliense

O deputado federal, diplomata e ex-ministro da Cultura Marcelo Calero (Cidadania-RJ) criticou a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, para a embaixada brasileira nos Estados Unidos. “O meu conselho para o Eduardo Bolsonaro é que ele se prepare para o concurso do Instituto Rio Branco”, disse Calero, em entrevista ao CB Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília. O Cidadania recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a indicação. Calero ainda criticou o projeto de lei sobre abuso de autoridade e as recentes medidas do presidente da República em relação à cultura. Em contraponto, o ex-ministro elogiou alguns aspectos da pauta econômica do governo, como o encaminhamento das reformas da Previdência e tributária, e a Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica.

A indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos EUA passa no Senado?

Eu espero que não passe, que o Senado cumpra seu papel constitucional. Meu partido ingressou com ação no STF contra a indicação. O ministro Lewandowski entendeu que o partido não tinha legitimidade para propor uma ação sobre o tema. Estamos, agora, na fase de recurso. Precisamos deixar claro que se trata de nepotismo, embora o presidente venha usando uma retórica para dizer que não é. É um caso inédito na democracia, não apenas no Brasil. Isso acontece em ditaduras. O Itamaraty é uma das instituições mais respeitadas da República, pelas razões que sabemos: um corpo técnico extremamente bem formado, que tem sempre compromisso com os interesse nacionais, e não dos governos de plantão. O Estado não serve para atender aos caprichos e ao voluntarismo presidencial.

Na sua avaliação como diplomata, como o Brasil está sendo visto no exterior por essa indicação e pelas declarações do presidente na área do meio ambiente?

O Brasil está sendo motivo de chacota internacional. Credibilidade você demora muito tempo para construir, mas para destruir é num passe de mágica. O presidente está arrumando confusão e conseguindo se antagonizar com parceiros históricos.

O presidente tem dito que Eduardo está se preparando para o posto. É possível se preparar para ser embaixador dos EUA “a jato”?

Meu conselho para Eduardo Bolsonaro é que ele se prepare para o concurso do Instituto Rio Branco. Ele pode começar a se preparar agora. Inclusive, posso dar algumas dicas sobre o que ele pode ler e estudar.

Nesses oito meses, o que houve de positivo no governo Bolsonaro?

Nosso partido apoia a reforma da Previdência, entendendo que é necessária para o país. Apoiamos também a MP da Liberdade Econômica. Nós temos a reforma tributária sendo avaliada também, eu estou na comissão da reforma tributária, inclusive. Há uma pauta econômica que pode realmente destravar o Brasil, mas de nada adianta esse esforço da equipe econômica se o presidente não colabora, criando um clima de pacificação, de concórdia.

Como vê o projeto de lei do abuso de autoridade?

Meu partido se posicionou muito fortemente contra o projeto. Entendemos que é importante discutir abuso de autoridade, que ocorre quando um agente público se vale de algum subterfúgio legal e determina uma investigação que não cabia, ou uma penalização que não seja aplicável, para constranger o cidadão. Mas, da maneira como o projeto foi construído, pode servir como uma ferramenta de impunidade, porque você coloca juízes, promotores e delegados em uma posição defensiva extrema.

A classe jurídica acredita que a lei é um instrumento de enfraquecimento da Lava-Jato.

Eu entendo que serve a esse propósito. Pode até não ter essa intenção em sua origem, mas acaba servindo a esse objetivo. Entendemos que é uma discussão relevante, mas que da maneira que foi feita, vai trazer prejuízos à Lava-Jato.

O artigo 30º pune o início da investigação “sem justa causa fundamentada”, um conceito subjetivo. Isso é grave?

É muito grave. Não é à toa que meu partido fez um destaque para suprimir esse artigo do projeto. Vários outros artigos contêm imprecisões como essa, mas esse nos pareceu o pior de todos. O que é justa causa, qual é esse conceito? Você deixa para uma interpretação pessoal e faz com que os membros do Ministério Público e da magistratura comecem a pensar duas vezes antes de agir. E você os investiga justamente para ter elementos que possam levar à persecução penal.

Na sua avaliação, como está o tema “cultura” no governo Bolsonaro?

Esse é um dos piores aspectos da política do Bolsonaro. Ele cria inimigos imaginários e passa a combatê-los. O presidente vê a cultura como adversária. O setor de cultura é responsável pela geração de milhares de empregos no Brasil, e tem um potencial enorme, porque a nossa população é extremamente criativa, o que resulta de sua própria diversidade. Se a gente pensar na economia do século XXI, em todos os negócios que são criados a partir da trajetória cultural de um país, e imaginar que o Brasil vai ficar atrás novamente, isso é muito ruim. Hoje, inclusive, por determinação do presidente, o ministro Osmar Terra revogou um edital, tirando filmes com a temática LGBT do financiamento da Ancine. É uma censura prévia. A gente não pode flertar com essas coisas, é um indício muito grave do enfraquecimento da nossa democracia, que não é consolidada. Essa censura que ele está fazendo na cultura é típico de ditaduras, querendo direcionar a produção cultural de um país. Nem o PT, que tem um viés autoritário, ousou chegar a tanto, inclusive queriam criar uma agência para regular o setor, mas desistiram. O presidente enfraquece as instituições, a Ancine, a Receita Federal. O presidente da República quer nomear o delegado da Receita Federal em Itaguaí. Qual interesse ele tem nisso?

Qual é sua avaliação sobre a transferência do Coaf para o Banco Central?

Não faço nenhum comentário desairoso em relação ao presidente do BC, pessoa em quem eu confio, nem ao servidor que foi colocado como o presidente dessa nova unidade. Agora, não é oportuno fazer esse rearranjo no momento em que o Coaf estava investigando o filho do presidente. Quer dizer que agora o Brasil está refém dos interesses da família Bolsonaro? Aí você começa a querer intervir também na Polícia Federal. Ou seja, é um todo muito grave que significa enfraquecimento das instituições.

Correio destaca parecer solicitado por Alessandro Vieira sobre indicação de Eduardo Bolsonaro

BRASÍLIA-DF – CORREIO BRAZILIENSE

Denise Rothenburg

O nó é na CRE

Aliados de Eduardo Bolsonaro estão em busca de um parecer que possa se contrapor ao solicitado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania -SE) à consultoria da Casa, que qualificou a nomeação de “nepotismo”. O receio dos senadores aliados ao governo é de que os indecisos quanto ao voto usem esse parecer como justificativa para votar contra a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro ao cargo de embaixador em Washington.

Para consultoria do Senado, indicação de filho de Bolsonaro para embaixada é nepotismo

Indicação de Eduardo Bolsonaro à embaixada seria nepotismo, diz Consultoria do Senado

Parecer, assinado pelos técnicos da Casa, considera que o cargo de embaixador é comissionado, o que vedaria a indicação de parentes até o terceiro grau

Amanda Almeida e Natália Portinari – O Globo

A Consultoria Legislativa do Senado deu parecer enquadrando a provável indicação de deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à embaixada do Brasil em Washington como um caso de nepotismo .

O texto argumenta que o cargo de chefe de missão diplomática, a que Eduardo seria indicado, é um cargo comissionado comum. Nesse tipo de cargo, é vedado o nepotismo, por um decreto de 2010 e por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2008.

“A proibição se estende a parentes até o terceiro grau, o que, obviamente, inclui filhos da autoridade nomeante, cujo vínculo de parentesco é o mais próximo possível”, diz o texto assinado pelos técnicos do Senado —os indicados às embaixadas brasileiras precisam ser aprovados pela Casa.

Caso o cargo de embaixador fosse meramente político, como o de ministro ou secretário, o parecer esclarece que poderia haver uma exceção à regra do nepotismo. Os cargos políticos mais próximos ao Poder Executivo não precisam obedecer à regra geral dos comissionados.

O parecer, assinado pelos consultores Renato Monteiro de Rezende e Tarciso Dal Maso Jardim, é de 13 de agosto. A Consultoria Legislativa produz as notas técnicas a pedido de senadores para respaldar suas decisões sobre projetos e indicações.

Os técnicos do Senado dizem ainda que “o nepotismo e o filhotismo, como manifestações do patrimonialismo, são fenômenos observáveis desde os primeiros tempos da colonização do Brasil e que se estendem aos dias atuais.”

Citando o jurista Paulo Modesto, o texto qualifica a prática como “uma forma de autopreservação e autoproteção das elites”.

O nome do deputado ainda não foi formalizado por Bolsonaro. Presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS) ainda não escolheu o relator da futura indicação.

O clima na comissão é de divisão. Na conta de integrantes, há oito votos contra Eduardo; sete a favor; e quatro indecisos. O voto no colegiado e no plenário é secreto.

Eduardo já está em campanha pela aprovação de seu nome e tem visitado senadores em seus gabinetes. Sua priorirdade são os parlamentares que compõem a CRE.

Nas conversas, ele argumenta o mesmo que vem dizendo em público: tem proximidade com o presidente Donald Trump, já morou nos Estados Unidos, foi presidente da Comissão de Relações Exteriores na Câmara, entre outros predicados.

Renúncia ao cargo

Na última quarta-feira, o GLOBO mostrou que a Consultoria Legislativa havia entregado outro parecer a Nelsinho Trad, no qual técnicos da Casa dizem que um deputado federal só precisa renunciar ao mandato no caso de ser aprovado pelo Senado e nomeado embaixador.

A conclusão é repetida nesse novo parecer — ou seja, a eventual renúncia não precisa ser no momento da indicação.

Segundo Trad, no parecer anterior, os técnicos não foram enfáticos sobre o caso configurar nepotismo ou não. O parecer mais recente teve como alvo especificamente a dúvida de senadores sobre a questão do nepotismo.

Essas avaliações dos técnicos são feitas de acordo com os questionamentos feitos pelos parlamentares, e as anteriores não abrangeram o tema.

A Presidência da República foi procurada para comentar o parecer do Senado, mas respondeu que não irá comentar.