Roberto Freire: Faltou compostura de Bolsonaro na demissão de Joaquim Levy do BNDES

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, disse que faltou compostura ao presidente da República, Jair Bolsonaro, pela forma que fez o anúncio da demissão de Joaquim Levy da presidência do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social). Para Freire, o chefe do Executivo tem necessidade de fazer humilhações públicas.

“Esse é o Bolsonaro. Pode demitir com tranquilidade o auxiliar mas necessita – quem sabe por um complexo qualquer – humilhar publicamente antes da demissão. Quanto a Levy espero que reaja a deslealdade e a falta de compostura presidencial”, disse nas redes sociais.

Demissão

Na última sexta-feira (14), Jair Bolsonaro demonstrou incomodo, em entrevista coletiva a jornalistas, com a atuação de Levy à frente do BNDES e por ter indicado Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. O incomodo seria pelo fato de Barbosa ter atuado como assessor do BNDES no governo PT.

Na entrevista, Bolsonaro teria dito que Joaquim Levy estaria com “a cabeça a prêmio”. Por conta das declarações, o ex-presidente do BNDES pediu a sua demissão do cargo ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi asseito de imediato.

http://www.pps.org.br/2019/06/17/com-saida-de-joaquim-levy-bndes-deve-ter-funcao-redefinida-diz-jornal/

Marco Aurélio Nogueira: Guinada não é líquida e certa

A demissão de Vélez Rodríguez não pegou ninguém de surpresa. Dada como certa, abriu uma janela de oportunidade para o governo Bolsonaro. Antes de tudo, porque limpou um território minado. O governo se desgastava ao permanecer sancionando o despreparo de Vélez e deixando-se contaminar pelas disputas entre “olavetes” e militares – e agora pode começar a pensar a Educação como dimensão estratégica, dando a ela um mínimo de atenção.

A guinada, porém, não é líquida e certa. O novo ministro, Abraham Weintraub, um bolsonarista de primeira hora, também é jejuno em gestão educacional, ensino médio e educação básica. Não se trata de um técnico da área, um intelectual ou um articulador político, qualidades sempre preciosas no complicado mundo da Educação. Além disso, gosta de se apresentar como adversário do “marxismo cultural”, o que poderá levá-lo a alimentar a guerra ideológica de Olavo de Carvalho, de quem se diz um admirador e um “adaptador”.

A decisão presidencial puxa um freio de arrumação no MEC, mas não se sabe se esfriará a influência de Olavo. Se o novo ministro, à diferença de seu antecessor, apresentar um plano para gerir a Educação no País, ajudará a dar ao governo um eixo que até agora não foi encontrado. Se permanecer agarrado ao doutrinarismo, a janela de oportunidade não passará de uma fresta, que logo se fechará.(O Estado de S. Paulo – 09/04/2019)

Marco Aurélio Nogueira, cientista político do Núcleo de Estudos e Análises Internacionais da Unesp