Com herança maldita deixada pelo governo Dilma, economia encolhe 0,2% no primeiro trimestre

O Brasil continua sofrendo e patinando na questão econômica e o problema ficou, mais uma vez, evidente no resultado do PIB (Produto Interno Brasileiro) do primeiro trimestre de 2019, que registrou queda de 0,2% na comparação com o último trimestre do ano passado, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (30).

Foi a primeira queda após o último trimestre de 2016,  quando a atividade econômica registrou retração de 0,6%. O resultado interrompeu uma lenta trajetória de recuperação e traz novamente o risco de recessão técnica ao País.

Ao analisar os dados, o economista e dirigente do Cidadania, Demétrio Carneiro, afirmou que o número é resultado da herança maldita deixada pelo desgoverno da gestão lulopetista, sobretudo, do governo Dilma Rousseff.

“Não dá para culpar Bolsonaro com cinco meses de governo. Podemos culpá-lo pela expectativa futura, já que ainda não foi capaz de mostrar para o mercado, e para a sociedade, o nível de confiabilidade necessário. Contudo, isso ainda é herança da Dilma [Roussef]. Se analisarmos os semestres anteriores, veremos que já vinha em um processo de queda”, disse.

A baixa do PIB registrada pelo IBGE foi seguida de altas de 0,5% no terceiro trimestre e de 0,1% no quarto trimestre de 2018. De acordo com os dados, a economia cresceu 0,5% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado e 0,9% no acumulado de 12 meses.

O principal responsável pelo recuo do primeiro trimestre de 2019 foi o setor industrial, que registrou queda de 0,7%. A agropecuária também obteve queda de -0,5%. O setor de serviços, por outro lado, registrou crescimento de 0,2%.

Retomada

Demétrio Carneiro afirmou que a retomada da economia só ocorrerá após o poder público adotar “medidas fortes”. Para ele, a reforma da Previdência é apenas um primeiro passo e que serão necessárias outras iniciativas para colocar o País no rumo do crescimento.

“O baque no final do governo Dilma foi muito forte. Para retomarmos a economia precisamos de medidas fortes. Não é só a reforma da Previdência. Ela é apenas um primeiro passo. Falta todo o resto, uma transformação institucional e legal. São necessárias diversas outras reformas que precisam ser feitas para fazer deslanchar a economia. Enquanto isso não é feito, a economia fica travada. Isso é um consenso entre os economistas”, disse.

Taxa de investimento

O IBGE também informou que a taxa de investimento foi de 15,5% do PIB no primeiro trimestre de 2019, acima do observado no mesmo período de 2018 (15,2%).

Imposto de Renda: Economista diz que governo precisa mostrar números antes de alterar tabela

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), disse que pretende corrigir a tabela do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) pela inflação e que solicitou a realização de um estudo para o Ministério da Economia. A tabela não é alterada desde 2015. Na prática, a defasagem significa que o contribuinte paga mais imposto.

Contudo, a medida anunciada pelo chefe do Executivo tem o potencial de prejudicar a arrecadação da União, cujo orçamento apresenta hoje um deficit de R$ 139 bilhões, já que a medida enquadraria um número maior de trabalhadores isentos do IRPF.

Ao ser questionado sobre a declaração de Bolsonaro, o economista e dirigente do Cidadania, Demétrio Carneiro, afirmou que antes de qualquer discussão é preciso analisar os números referentes ao IRFP.

“Acredito que se a proposta progredir de fato, a Receita Federal deverá apresentar os números. Está na hora de a Receita botar esses números na mesa. Nessa história você tem dois olhares: do contribuinte, que pode ser beneficiado ao cair na tabela de desconto, e o segundo olhar que é o da arrecadação do tributo e o impacto que isso causará. O que falta nessa discussão [de correção da tabela] são os números”, disse.

Demanda antiga

O economista lembrou que a correção da tabela de Imposto de Renda, em si, é uma demanda antiga de toda a sociedade. Para ele, a mudança da tabela, em tese, representa uma vantagem para uma maior parcela da sociedade.

“É uma demanda antiga. O argumento da Receita [Federal], ao escultar uma entrevista recente, é que para o indivíduo não faria muita diferença. A impressão que tenho é que se corrigir aumentará o número de pessoas isentas, mas a discussão é muito técnica. A queda da arrecadação, por outro lado, segundo essa mesma entrevista, não seria tão substancial. O que leva a pergunta: se não é substancial, porque até hoje não corrigiram a tabela? Temos que saber a realidade dessa história. Bolsonaro está bom de fazer declarações e não acontecer nada”, criticou.

Simulação

De acordo com simulação feita pelo Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil), caso a ideia seja colocada em prática, a faixa de isenção contemplará quem tem renda mensal de R$ 1.980,90. Atualmente não paga o IRPF quem ganha até R$ 1.903,98. Ainda segundo a mesma simulação, o reajuste também aliviaria as faixas de contribuição. A faixa mais alta de cobrança, que é de 27,5%, valeria para aqueles com rendimentos superiores a R$ 4.853,13 e não mais para aqueles que recebem R$ 4.664,68.