Eliziane Gama diz que manter calendário do Enem aprofunda desigualdade educacional

Ministro da Educação diz que não vai adiar o prazo do exame porque crise de saúde não seguirá até a época da realização das provas, em novembro (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse nesta terça-feira (5) que a manutenção do calendário de provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em novembro aprofunda a desigualdade educacional no País. Para ela, o atual cronograma do exame prejudica os estudantes da rede pública de ensino que ficaram sem aulas e acesso à internet para acompanhar o conteúdo das matérias por meio remoto durante a quarentena da Covid-19.

Mas o ministro da Educação, Abraham Weintraub, se manteve contrário ao adiamento da data do Enem deste ano por mais seis meses, cogitado em virtude da pandemia, ao participar da reunião de líderes partidários do Senado, feita por videoconferência, nesta terça-feira (5), para explicar sua posição.

“Hoje 90% da juventude brasileira está no ensino público e 46 milhões de brasileiros não tem acesso à internet. Tivemos uma interrupção do calendário escolar, algumas escolas promovem aula online e outras não, em municípios onde a cobertura digital é praticamente inexistente. [Se o calendário de provas for mantido] vamos criar uma disparidade com os alunos da rede pública e impedir o acesso dos mais pobres ao ensino superior”, avalia.

Weintraub disse que não vai adiar o prazo do Enem porque crise de saúde não seguirá até a época da realização das provas, em novembro. 

“Fizemos esse apelo ao ministro de que não tem como se fazer esse Enem em novembro, mas ele está disposto a manter a data mesmo assim. [No entanto ele] abriu um precedente que é reavaliar [a data] no mês de agosto. Mas eu espero que ele realmente mude de ideia”, disse a senadora, ao alegar que a paralisação das aulas na rede pública prejudicou o aprendizado dos estudantes para o exame.

Desigualdade social

Eliziane Gama discordou também do posicionamento do minstro da Educação em relação ao alcance social do Enem.

“A argumentação do ministro de que o Enem não é um instrumento para redução da desigualdade social não é verdadeiro. É o acesso à universidade que vai fazer com que nos tenhamos a redução da desigualdade e automaticamente a melhoria do nosso País”, afirmou.