Eliziane Gama critica indefinição sobre continuidade do auxílio emergencial em 2021

“O posicionamento contraditório do governo sobre a continuidade do auxílio emergencial só aumenta a insegurança dos mais pobres e fragilizados pela pandemia”, afirma a senadora do Cidadania (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), criticou nesta terça-feira (24), na comissão especial do Congresso Nacional que acompanha a situação fiscal e orçamentária do combate à Covid-19, a indefinição do governo sobre a continuidade do auxílio emergencial, que acaba em dezembro.

O benefício é fundamental para a manutenção de milhões de brasileiros atingidos pela pandemia do novo coronavírus e o  Executivo até agora não apresentou uma saída para mantê-lo em 2021.

“O posicionamento contraditório do governo sobre a continuidade do auxílio emergencial só aumenta a insegurança dos mais pobres e fragilizados pela pandemia. E diante da incerteza de um calendário de vacinação da Covid-19, a prorrogação do auxílio tem sim de ser levada em conta”, defendeu a parlamentar em postagem no Twitter.

Eliziane Gama reconhece os ‘graves problemas fiscais’ enfrentados não só pelo Brasil como pela maioria dos países em função da pandemia, mas cobra uma definição dos integrantes do governo sobre o programa.

Ela atribui a indefinição a “uma falta de entendimento de comunicação, tanto do governo federal quanto dos estados brasileiros, até mesmo da sociedade brasileira, de ter um nível de conversação e de comunicação de uma forma mais plena” para tratar o tema.

“O governo está muito perdido nessa posição específica. Não temos, na verdade, uma resposta clara, um programa claro e uma posição transparente do governo federal em relação à continuidade da ajuda emergencial, que é fundamental, sobretudo para as populações minoritárias”, afirmou Elizane Gama, ao cobrar uma definição do Executivo e da equipe econômica.

Para a senadora, a continuidade do programa é fundamental mesmo diante de incertezas econômicas e fiscais no ano que vem.

“Não podemos deixar de considerar um plano para manter a renda dos invisíveis e trabalhadores informais em 2021. Ainda mais com a previsão do ministro Paulo Guedes de que o País deve fechar aproximadamente 300 mil  vagas de trabalho com carteira assinada em 2020”, disse Eliziane Gama na rede social.

68 milhões de beneficiários

Desde abril,  o auxílio emergencial beneficiou 118 milhões de brasileiros, ou 56% da população, de forma direta ou indireta. Ao todo, foram 68 milhões de beneficiários atingidos pelo programa, totalizando R$ 258 bilhões em transferências.

De acordo com os dados apresentados hoje (24) na comissão mista da Covid-19 pelo secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, o gasto do governo até agora com o enfrentamento da pandemia foi R$ 615 bilhões,  valor equivale a 8,6% do PIB (Produto Interno Bruto).