#BlogCidadania23 – Aviso aos navegantes: Censura aqui não!

Um anuncia a censura ao cinema e ataca filmes nacionais como Bruna Surfistinha. Outro censura história em quadrinhos na Bienal com cena de dois personagens masculinos se beijando. Um terceiro manda recolher livros didáticos com orientação sexual para adolescentes. E seus seguidores se unem para cancelar exposições, para boicotar empresas, para difamar os críticos, para calar a imprensa, para demitir jornalistas.

A censura está de volta, ao arrepio da lei, com a criação de um index imaginário desta nova Inquisição. A perseguição aos supostos hereges é incentivada pelos representantes dessa onda retrógrada que sacode as redes, as ruas e as urnas. Assim como nos tempos medievais, as condenações populares tem um claro objetivo de dominação ideológica, econômica e social. Por enquanto, as fogueiras são virtuais. Por enquanto.

Os novos tribunais do Santo Ofício, que hoje funcionam pelo twitter, facebook e whatsapp, inventaram seu próprio “Index Librorum Prohibitorum” para investigar, julgar e punir quem ousar difundir conceitos que ameaçam a “nova direita”, a família tradicional brasileira e o fundamentalismo religioso, mas que na verdade são de difícil comprovação no mundo real, identificados apenas por fanáticos e lunáticos, como “ideologia de gênero”, “marxismo cultural” etc.

O curioso é que eles próprios não fazem autocensura. Esses inquisidores mequetrefes podem explorar a fé alheia, atropelar o bom senso e falar asneiras livremente. Eles usurpam do poder constituído para impor as suas verdades (muitas vezes, vejam a contradição, por meio de fake news), manipulam as instituições, burlam a Constituição.

O que incomoda mais, um beijo gay ou um presidente e ministros que chamam de feia a mulher de outro chefe de Estado? Um filme com nudez ou o presidente falando na TV quantas vezes você deve ir ao banheiro defecar? Um livro com orientação sexual ou o vídeo compartilhado nas redes perguntando o que é “golden shower”?

Aqui a nós cabe a resistência democrática, a defesa do estado de direito, a pregação dos princípios republicanos, a luta pelo respeito às minorias. Não calaremos diante de ameaças, nem de xingamentos ou agressões. A censura, o ódio, o preconceito, a violência e a intolerância não podem prosperar. Neofascistas, não passarão! (#BlogCidadania23)

#BlogCidadania: #DireitosJá, Democracia sempre, Cidadania urgente!

Um fórum permanente pela democracia: isso é o #DireitosJá, movimento lançado na noite desta segunda-feira, 2 de setembro, no Tuca, o histórico teatro da PUC de São Paulo. Uma frente suprapartidária que nasce reunindo lideranças da sociedade civil e representantes de 16 partidos, claramente inspirada na campanha das Diretas Já e nas lutas pela redemocratização. Assista aqui algumas das manifestações.
 
Hoje os tempos são outros. O povo brasileiro elege livremente os seus representantes – e talvez aí esteja a principal contradição: é o presidente Jair Bolsonaro, seus apoiadores e o seu governo marcado pelo ódio, pelo despreparo e pela incivilidade que voltam a ameaçar a democracia, o estado de direito e as nossas instituições republicanas. Daí a necessidade deste movimento.
 
Estão unidos PT, PSDB, PSD, PV, PSB, PCdoB, PSOL, PTB, MDB, Solidariedade, Podemos, Rede Sustentabilidade, Novo, Democratas, Cidadania… Enfim, o mais amplo espectro de legendas de centro, esquerda e direita, com diferentes posicionamentos e visões de mundo, mas todas elas reunidas em torno de princípios democráticos e do respeito aos direitos fundamentais.
 
É isso que torna possível o diálogo e a união num mesmo movimento de diferentes lideranças como Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Flavio Dino (PCdoB), Marina Silva (Rede), Roberto Freire(Cidadania), Guilherme Boulos (PSOL), Eduardo Suplicy (PT), Marta Suplicy (sem partido), Soninha Francine (Cidadania), Geraldo Alckmin (PSDB), Antonio Anastasia(PSDB), Eduardo Jorge (PV), Rodrigo Maia (DEM), Márcio França (PSB), entre tantas outras personalidades.
 
Um ato que reúne jornalistas, políticos, artistas, intelectuais, estudantes, professores, sindicalistas, religiosos, advogados, movimentos sociais de negros, mulheres, LGBTs e índios. Que junta do cardeal e arcebispo de São Paulo Dom Cláudio Hummes ao filósofo e sociólogo norte-americano Noam Chomsky, com seus 90 anos de idade e um dos nomes mais respeitados da atualidade.
 
#BlogCidadania23 e o #ProgramaDiferente, como todos sabem, são declaradamente anti-bolsonaristas. Fazemos oposição e críticas substanciais a este desgoverno de lunáticos, ineptos, desqualificados e inimigos da democracia.
 
Em resumo: a nossa divergência com os petistas, com a velha esquerda ou com a política tradicional se dá no campo partidário, político, ideológico, ético, até moral. Mas com esses bolsonaristas, além das discordâncias políticas e ideológicas, temos aversão no aspecto humano, existencial.
 
Não é possível que essas figuras execráveis, asquerosas, repugnantes, saudosas da ditadura e idólatras de torturadores, representem a cara e a alma do novo Brasil que desejamos construir. Precisamos mostrar que somos melhores que tudo isso aí, talquei?
 
Por isso desejamos que esse movimento #DireitosJá prospere e se fortaleça. Todo o sucesso do mundo na luta pelos direitos e garantias fundamentais. E que a oposição unida cresça e apareça.
 
Direitos já, Democracia sempre, Cidadania urgente!

#BlogCidadania23: Ministros à altura do meme que virou presidente

Não que seja novidade a ruindade, o despreparo e a incapacidade deste governo, a começar pelo meme que virou presidente, Jair Bolsonaro.

Mas os exemplos diários da falta de decoro, do ódio, do preconceito, do desequilíbrio e da canalhice demonstrados pela linha de frente do seu ministério, numa guerra ideológica contra inimigos reais e imaginários, é de causar repulsa, vergonha e indignação.

É todo dia um 7×1 contra para quem tem um time com Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Damares Alves(Família), Marcelo Álvaro Antonio (Turismo), Osmar Terra (Cidadania) e Abraham Weintraub (Educação) – isso para citar apenas 7 dos 22. Uma seleção de mediocridade, grosseria e incompetência.

O pior é que, seguindo os passos do chefe, eles se julgam no direito de (des)governar e opinar sobre qualquer assunto pelo twitter, numa overdose tóxica de estupidez, insensatez e falta de discernimento. Não é possível tolerar tantas asneiras e ofensas sem reação. Essa trupe bolsonarista depõe contra qualquer resquício de inteligência e republicanismo. Virou uma excrescência antidemocrática.

É inaceitável que esse ministro da Deseducação, Abraham Weintraub, um desqualificado, chame publicamente o presidente francês Emmanuel Macron de “cretino”“sem caráter” ou “calhorda oportunista”. O que é isso? Aonde vamos parar? Quem essa gente pensa que é? Isso é uma vergonha para o Brasil e para o povo brasileiro! Esse cara tem que sair do governo já!

 
O irmão do ministro, Arthur Weintraub, que é assessor especial da Presidência, segue a linhagem obtusa da família e do governo para atacar genericamente o presidente Macron (chamado por ele de Lacron), além de jornalistas e opositores (Lula, por exemplo, é o9dedos). Também agrediu a atriz Patricia Pillar, que criticou o irmão-ministro por postar um vídeo treinando tiro ao alvo.
 

“Não é normal uma coisa dessas!!! O que é isso? Um Ministro da Educação posta isso???”, escreveu a atriz. O irmão valentão rebateu, irônico: “Também achei que não é normal! Onde já se viu, errar um tiro em 20 com um alvo daquele tamanho?! Está enferrujado mesmo.”

O ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) também dispara pelo twitter, entre outras coisas, contra a “ideologia ambientalista”, segundo ele “instrumento de controle econômico e psicossocial”; a “ideologia de gênero, que nega a natureza humana e gera violência”, o “aquecimento global”, uma “mentirosa distorção”; e as “políticas genocidas” de Maduro, na Venezuela. Um primor de diplomata primata.
 
Outros ministros seguem a mesma linha bélica: Ricardo Salles culpa o petismo pela crise ambiental na Amazônia, dizendo que os governos petistas venderam a floresta para madeireiros “mal intencionados e gananciosos”. Também compartilha tweet em que Macron é chamado de “menino histérico”.
 
E por aí vai. Todos eles se seguem, curtem, compartilham e repetem o mesmo padrão de sandices. Baixo nível completo e absoluto. É simplesmente asqueroso, repugnante, vexatório, revoltante. Fica registrado o nosso repúdio e a nossa oposição declarada e intransigente a essa escória da política.

#BlogCidadania23: Vai cair a 1ª máscara de Jair Bolsonaro

A questão do projeto que pune o “abuso de autoridade” é crucial para o bolsonarismo.

1) Se vetar, Bolsonaro compra briga com parte considerável do Congresso (inclusive com Rodrigo Maia, que se mostrou ruim em matemática ao não conseguir contar 31 braços levantados, que garantiriam o voto nominal, quando a TV mostrou mais que isso).

2) Se não vetar, estará antecipado o divórcio com parte do eleitorado que votou em Bolsonaro circunstancialmente, mas é sobretudo anti-petista e lavajatista. Essa união de governistas com oposicionistas para restringir a ação de juízes, promotores e policiais atinge em cheio a confiança dos fãs da Lava Jato.

Ao contrário do Novo e do Cidadania, partidos que se posicionaram unidos contra esse projeto que parece ser um passa-moleque na turma de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o PSL de Bolsonaro não fechou questão e estava dividido na hora de garantir regimentalmente o voto nominal, em vez do simbólico, para a população saber, um por um, o pensamento de cada deputado.

E aí, Bolsonaro? Vai agradar e servir a quem? À base parlamentar ou ao povo brasileiro?

#BlogCidadania23: Socorro! Os idiotas já dominam o mundo virtual!

Mais atuais do que nunca as frases do imortal Nelson Rodrigues sobre os idiotas que dominariam o mundo. Ao menos no mundo virtual, das redes e aplicativos digitais, os idiotas já assumiram o poder e perderam a vergonha de mostrar a cara.

A eleição de Jair Bolsonaro foi um marco para tirar os imbecis do armário. Repetir asneiras, destilar preconceitos, defender abominações políticas, sociais, culturais, comportamentais, religiosas, virou regra geral destes tristes tempos.

O bolsonarismo é tão doentio e totalitário que ataca até mesmo quem se declara de direita mas apenas se recusa a ser um idiota fanático e procura manter alguma sensatez e espírito crítico.

Casos emblemáticos são os dos direitistas e anti-petistas Reinaldo Azevedo, ou Marco Antonio Villa, ou Carlos Andreazza, ou Marcelo Madureira, ou Lobão, ou o MBL, entre outros perseguidos pela horda bolsonarista raivosa nas redes sociais.

Quando vocês, bolsonaristas, vão entender que podemos criticar igualmente os erros do PT e de Bolsonaro? Que criticar Bolsonaro não nos torna petistas (ou vice-versa, ao criticar Lula)? Que o mundo não se limita a esses dois pólos? Que podemos ser ao mesmo tempo contrários às ditaduras de direita e de esquerda? Que a censura ou a tortura como instrumentos políticos e ideológicos, ou ainda de controle do Estado, são aberrações inaceitáveis em uma sociedade civilizada? Apenas reflitam.

Não é possível desprezar a ciência, admitir a censura, defender a tortura, tolerar ditaduras ou idolatrar torturadores. Defendemos a democracia e as garantias constitucionais. Não daremos trégua a idiotas, doentes, ignorantes, desinformados ou mal intencionados. Idolatrar Ustra, por exemplo, repetindo o gesto de Bolsonaro, é repugnante. Basta!

Um palpite: Bolsonaro é mero fantoche mas mãos de quem tem objetivos antidemocráticos e de dominação ideológica. Ele só repete aquilo que sua mente limitada lhe permite. É o mesmo paspalho que se elegeu deputado há 30 anos. Mas agora o Brasil piorou, fazendo da piada assunto sério e legitimado pelo voto. O meme virou presidente. É o “mito” de fanáticos descerebrados que seguem repetindo asneiras e fake news.

Um ressalva: merecem respeito os eleitores de Bolsonaro ou do PT, como quaisquer outros. Por outro lado, merecem nosso total repúdio e desprezo os fanáticos, lunáticos e milicianos virtuais da direita ou da esquerda. A esses, combateremos com as armas constitucionais, bom senso, informação e caráter. Se precisar, a gente desenha, aí até adoradores e replicantes de Lula e Bolsonaro vão conseguir entender.(#BlogCidadania23)

#BlogCidadania23: Trocamos o humor pelo terror no #Olhar23

Apresentamos mais um episódio do #Olhar23 (veja abaixo), o nosso olhar crítico, irônico e irreverente das sandices do bolsonarismo, esse fundo de poço atingido pela política brasileira. Mas, afinal, como fazer sátira de alguma coisa que no dia a dia é mais ridícula que qualquer piada? Nada é mais absurdo que a realidade paralela da família Bolsonaro.

Hoje repercutimos a indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada dos Estados Unidos, a sua incrível experiência fritando hambúrguer, para orgulho do papai Jair Bolsonaro e do titio Donald Trump, além da nossa expectativa pela nomeação de um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF. Ou seja, trocamos o humor pelo horror.

#BlogCidadania23: Vamos botar fogo no parquinho!

A quem interessa detonar Sergio Moro e a Operação Lava Jato?

A política não é para amadores!

Quem não sabe brincar, não desce pro play!

Vamos raciocinar, meu povo!

O que está acontecendo no Brasil, afinal? A quem interessa detonar Sergio Moro e a Operação Lava Jato?

E depois que o Intercept Brasil vazou as conversas privadas do ex-juiz com os procuradores, entraram no jogo também a Globo, a Folha, o Estadão e a Veja? Todos os veículos que os petistas chamavam de PIG, ou Partido da Imprensa Golpista? Toda a mídia que todos os governos amam odiar?

Pode isso, Arnaldo?

Botaram até o Faustão na história! Ô loco, meu!

Daqui a pouco vão mandar para a cadeia Moro, Deltan e Faustão e soltar Lula, Cunha e Cabral.

Estranha a indignação seletiva de alguns dos nossos legalistas. Não vemos o mesmo fervor que condenam Moro por atuar “parcialmente” para prender corruptos, com ministros do STF, por exemplo, que soltam empresários e políticos ao arrepio da lei.

Mais exemplos: condenados em 2ª instância, ou o estimado Zé Dirceu, ou o impune Aécio, ou os empresários da máfia dos transportes no Rio, entre outros réus privilegiados pelo grau de amizade ou pelas contas bancárias em paraísos fiscais, soltos sempre que recorrem ao “sistema”.

Por que parte da imprensa, lideranças políticas e formadores de opinião preferem condenar, nesse caso, o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol? Porque, dizem por aí, podemos também ser vítimas dos excessos da lei… Será?

O sistema jurídico que libera até saidinha do Dia das Mães para Suzane Richtofen não mobiliza nem causa tanta indignação quanto a suposta injustiça de termos um bando de políticos corruptos presos pela atuação tachada de “ilegal” de um juiz. Aliás, numa crítica bastante subjetiva. Pois há quem não veja ilegalidade (a não ser no vazamento de conversas privadas).

E assim caminha o nosso Brasil…

Mas é inusitado todo esse estardalhaço e a repercussão mundial com os diálogos vazados do Moro com os procuradores. Uns vêem crime. Outros, o cachorro correndo atrás do rabo: “Moro orientava ações da Lava Jato”. Que novidade, hein?

A questão é que Sergio Moro e Deltan Dallagnol sempre se posicionaram publicamente como protagonistas da Lava Jato. E o próprio Moro nunca se apresentou como imparcial. Construiu a imagem como caçador de corruptos. Ninguém nunca viu suas palestras, entrevistas, artigos, reportagens e livros sobre ele? Só agora isso espanta?

Legal ou ilegal (e há controvérsias, senão o caso já estaria liquidado), o juiz Sergio Moro sempre atuou parcialmente na Operação Lava Jato. Basta ver todas as suas falas públicas. Isso era visto com normalidade (menos pela defesa dos condenados). O que mudou com a #VazaJato? Estranho…

A partir dos diálogos vazados (e da posse de Moro como ministro) mudaram as análises sobre o posicionamento do então juiz. Bizarro. Ou estavam todos dormindo ou mudou a interpretação dos fatos. Afinal, existe posição definitiva sobre eventuais ilegalidades? Prosseguem as divergências.

Quem acompanha desde o início a Lava Jato sabia que havia uma ação coordenada dos agentes públicos e instituições do Estado e da Justiça contra a corrupção. Isso é ilegal? Fere o Estado de Direito? Como se enfrenta o crime organizado?

Em uma Operação desse porte contra todo um sistema mafioso, era novidade que o juiz agiria com parcialidade? Esperava-se imparcialidade ou o enfrentamento desse sistema, que busca brechas legais e todo tipo de manobras lícitas e ilícitas para brecar as investigações?

Na Lava Jato devemos exigir “normalidade” jurídica como se o réu fosse um ladrão de galinha? Somos ingênuos ou hipócritas? Algum inocente foi condenado? Houve favorecimento de algum réu? Provas adulteradas? Testemunhas ameaçadas? Ou a ação coordenada ficou no limite da legalidade?

Como combater a máfia encastelada no poder? Ou alguém acredita que havia outra forma (no caso, uma ação descoordenada) para enfrentar o crime organizado? Aliás, a Lava Jato, a partir da força-tarefa, não foi exatamente a soma de esforços dos agentes públicos para punir os corruptos?

O então juiz Sergio Moro puniu inocentes ou agiu de forma coordenada, nos limites da legalidade, com a força-tarefa do Ministério Público, da Receita e da Polícia Federal? Os condenados tiveram suas defesas cerceadas? Direitos foram violados? Não havia provas contra eles ou os processos foram adulterados? Foi feita justiça ou se cometeu alguma injustiça?

E, finalmente, façam o favor de não confundir o nosso apoio à Lava Jato ou o repúdio à execração do Moro e do Deltan com uma suposta adesão ao bolsonarismo. Longe disso! Xô, Bolsonaro! Me inclua fora dessa! Aliás, o maior erro do Moro foi justamente entrar para esse governo de retrógrados e lunáticos.

Dito isso, data venia, que todos os corruptos sejam punidos! Do PT, do MDB, do PSDB, do PSL, da PQP! (#BlogCidadania23)

#BlogCidadania23: Heróis ou vilões: você escolhe o seu lado na História!

Um ponto que não pode passar despercebido nas análises políticas que forem feitas sobre Sergio Moro: ele ainda é o “herói” para quem tem como “anti-herói” Lula. E vice-versa.

Não que precisemos de heróis, nem que existam de fato tais personagens na vida real, sobretudo no mundo político, mas eles sobrevivem imbatíveis no imaginário popular. E estão aí para enfrentar e vencer os inimigos.

Por isso, são rasas, míopes e puramente subjetivas as opiniões de quem decreta o “desMOROnamento” do ex-juiz. Ele segue forte, com seus superpoderes e habilidades inabaláveis, feito o herói de capa e máscara dos filmes e dos quadrinhos.

Não cabem apenas explicações racionais nesses episódios marcados fortemente pela comoção popular. A razão, pura e simples, não explica fenômenos eleitorais nem o surgimento de líderes populistas e carismáticos. Para o bem e para o mal.

Aliás, é necessário que se diga, o verdadeiro “mito” da política atual é Sergio Moro, não o aparvalhado Jair Bolsonaro. O atual presidente, eleito circunstancialmente em 2018, era a arma que estava à mão para o voto anti-petista. E a facada foi o golpe crucial para o enredo heroico que se construía. Mas o clamor popular era (e ainda é) por Sergio Moro.

Os diálogos vazados da Lava Jato só reforçam esse heroísmo para a parcela anti-petista. O ruído crítico à sua suposta vilania vem do outro lado, com viés de esquerda e credibilidade duvidosa. Soam como as tradicionais onomatopeias das brigas entre heróis e vilões (Crash! Zap! Pow! Boom!). Até que os dois se levantam e partem para o próximo confronto. Nenhuma novidade.

Assim como criou Bolsonaro (e a campanha #EleNão foi o erro crasso, ao nominar o inimigo), o petismo alimenta agora o “herói” Sergio Moro. Está consolidando o seu destino eleitoral. Moro é a essência dessa polarização, muito mais que Bolsonaro x Lula. E a tendência é que esses dois extremos continuem mobilizando opiniões, paixões e votos pelos próximos anos.

Não vamos nos enganar. O caminho do diálogo, do equilíbrio e da razão contra a polarização seguirá complicado. Praticamente interditado pelas milícias virtuais e pelas claques das redes sociais, carentes de heróis e vilões. Os atalhos ideológicos à direita ou à esquerda são muito mais atraentes.

O que se viu nas manifestações deste domingo foi que milhões de brasileiros saíram às ruas para um quase inédito – nessas proporções – ato de apoio a uma liderança emergente, protótipo de herói (ou vilão). Nem a imprensa se acostumou ainda a essa prática, chamada por alguns de “protesto a favor” (oi?).

O #LulaLivre mobiliza menos gente e vem sempre reforçado pela rejeição à direita e ao novo governo retrógrado. Os atos pró-Moro (muito mais fortes e amplos que os atos pró-Bolsonaro, que são mero repúdio ao PT) se assemelham ao que já se viu no Brasil apenas com “heróis” mortos: Tancredo em 1985 e Senna em 1994. Isso deve significar algo na História. (#BlogCidadania23)

#BlogCidadania23: Vamos começar a pensar nas eleições de 2020?

Acompanhar o noticiário político ou a renhida polarização nas redes sociais nos dá a impressão de estarmos vivendo um interminável 3º turno das eleições presidenciais.

Pior: ao que tudo indica, esse clima vai predominar também nas eleições municipais de 2020. Assim, parece bastante oportuno começarmos a pensar seriamente nas opções que temos para a Prefeitura e para a Câmara Municipal, para não repetirmos os mesmos erros nas urnas.

Vamos focar inicialmente no cenário de São Paulo, mas não dá para ignorar todo o contexto nacional. Queiramos ou não, a onda Bolsonaro ou anti-Bolsonaro, #LulaLivre ou #LulaPreso, seguirá influenciando o humor da população e interferindo diretamente nas intenções de voto. Pode apostar. O que nos resta, então? Embarcar em um dos lados dessa polarização extremada, que opõe os dois lados da mesma moeda desvalorizada da velha política, ou tentar construir uma proposta alternativa viável e consistente?

Essa opção mais equilibrada, equidistante dos dois pólos mais rançosos, rancorosos e intolerantes, mostrou-se um estrondoso fracasso em 2018. O eleitor fez do 2º turno da disputa presidencial praticamente um plebiscito – e não por acaso elegeu presidente aquele que melhor incorporou o figurino antipetista, refletindo o sentimento dominante da população.

Candidaturas de oposição sempre largam com significativa vantagem em São Paulo (especialmente na Capital, pois no Estado há uma perpetuação tucana desde 1994). Mas vamos analisar os resultados desde a primeira eleição direta, pós-democratização, para a Prefeitura de São Paulo. Em 1985, foi eleito o improvável Jânio Quadros para a sucessão de Mário Covas, último prefeito então chamado de “biônico”, indicado pelo governador Franco Montoro, contra o favoritíssimo Fernando Henrique Cardoso.

Começou aí uma incrível sequência de vitórias oposicionistas: primeiro viria outra surpresa, Luiza Erundina, atropelada em seguida por Paulo Maluf (que fez seu sucessor, o “poste” Celso Pitta), derrotado posteriormente de forma humilhante para Marta Suplicy; eleito o oposicionista José Serra, fez do vice Gilberto Kassab seu sucessor (que foi reeleito), para logo ser retomado o tabu da oposição com a eleição de Fernando Haddad e, na mão inversa, João Doria (agora com a ascensão do vice Bruno Covas).

O placar, após 9 eleições paulistanas: Oposição 7 x 2 Situação.

E o que teremos de opções nessa próxima eleição? Quem sai na frente, governo ou oposição? Quais as chances do prefeito Bruno Covas? Até que ponto os apoios do presidente Jair Bolsonaro ou do governador João Doria vão pesar na escolha do eleitor? E o PT, terá força para seguir polarizando como principal sigla oposicionista? Surgirá algum novo nome para surpreender?

Uma novidade nas regras, que não pode jamais ser descartada nos prognósticos para 2020, é a proibição das coligações partidárias para as eleições proporcionais. Ou seja, os partidos podem estar coligados na campanha à Prefeitura, mas cada um terá que lançar sua própria chapa à Câmara Municipal. Isso reforça a importância estratégica do chamado “cabeça de chapa” ao Executivo.

Já existem movimentações no Congresso para tentar emendar novamente a Constituição e voltar a liberar geral, permitindo as coligações também para o Legislativo. Os principais interessados são os partidos pequenos, preocupados com a própria sobrevivência, mas também os grandes partidos querem manter o poder de atração e influência sobre as legendas menores. A controvérsia permanecerá até o final deste ano, prazo máximo para definir as regras eleitorais de 2020.

Quem são os pré-candidatos?

Por enquanto, as peças que se colocam no tabuleiro são essas: Pelo PSDB, o ainda pouco conhecido Bruno Covas tenta a reeleição. Oficialmente, o governador João Doria apóia seu colega de partido e sucessor na Prefeitura. Nos bastidores, porém, estaria incentivando também os amigos e aliados Joice Hasselmann (PSL) e Filipe Sabará (NOVO). Isso, somado ao desgaste natural e à rejeição crescente do PSDB, pode pesar na campanha.

Rixas internas, contudo, não são exclusividade dos tucanos. No bolsonarista PSL, o nome da deputada Joice Hasselmann pode ser preterido inclusive por essa proximidade com o presidenciável João Doria, provável adversário de Bolsonaro em 2022. O senador Major Olímpio e o deputado Eduardo Bolsonaro trabalham para convencer o apresentador José Luiz Datena a disputar a Prefeitura. Seria o novato com maior potencial de gerar um tsunami de votos.

Corre por fora a deputada estadual Janaína Paschoal, recordista na história do Brasil com seus mais de 2 milhões de eleitores, mas ela própria desestimula as sondagens e acena para a pré-candidatura do colega de Assembleia Legislativa, Arthur do Val (Mamãe Falei), liderança do MBL e eleito pelo DEM – que certamente não o lançará à Prefeitura. Ou seja, voltamos à estaca zero.

O PT segue indefinido sobre como deve tentar se reerguer depois das derrotas de 2016 e 2018. Há três vertentes: uma ensaia lançar Fernando Haddad ou até mesmo sua esposa, Ana Estela Haddad; outra entende que chegou a vez de Jilmar Tatto; e ainda uma terceira, minoritária, defende que o partido apoie a candidatura do ex-governador Márcio França(PSB), unindo as forças de centro-esquerda para confrontar o PSDB de Doria e o PSL de Bolsonaro.

Outros nomes que sempre são cogitados como possíveis candidatos: Celso Russomanno(PRB), Andrea Matarazzo (PSD), Paulo Skaf (MDB), Henrique Meirelles (MDB), Eduardo Jorge (PV), Marta Suplicy (sem partido) e, surgindo no cenário como estreante promissora, Tábata Amaral (PDT). Quem mais? E para a Câmara Municipal, o que os partidos pretendem apresentar para melhorar o nível do nosso Legislativo? Afinal, quem nós queremos para nos representar? Sugestões?

 

#BlogCidadania23 – E você, já tomou partido no julgamento do Moro?

A polarização da moda é ser contra ou a favor o juiz Sergio Moro, que tem as suas conversas privadas publicadas a conta-gotas na imprensa, sob constante ameaça e expectativa de que algo mais explosivo e revelador ainda está por vir.

Não tem como separar a opinião pessoal que cada um tem deste caso dos interesses políticos que estão em jogo. Fala-se muito da suposta parcialidade do juiz e consequentemente da possível nulidade de suas decisões. Será isso mesmo? Ou tudo não passa de uma campanha mal disfarçada contra os resultados da própria Lava Jato?

Cobrar “imparcialidade” de um juiz em uma Operação com o ineditismo, as dimensões e a complexidade da Lava Jato, que pela primeira vez enfrentou e botou na cadeia alguns dos protagonistas do poder no Brasil, é ser ingênuo ou agir de má fé.

A atuação do juiz Sergio Moro, pelo que as gravações vazadas demonstram até agora, confirma aquilo que todo mundo já sabia: a força-tarefa atuou de forma coordenada para prender corruptos e garantir, dentro da lei, que não houvesse margem de manobra para chicanas jurídicas de advogados espertos para libertar os corruptos condenados, como sempre ocorreu.

Parcialidade do juiz, nesse caso, seria manipular os autos, “fabricar” ou adulterar provas, pressionar depoentes, prender gente inocente, chantagear testemunhas, chancelar ilegalidades ou coisas do tipo. Não é o que se vê nos diálogos grampeados.

A imparcialidade de um juiz, que a lei determina, é para garantir o julgamento justo de todos. Nesse caso, a “parcialidade” flagrada é para garantir a condenação dos culpados, que tiveram e tem ampla defesa em todas as instâncias. Tudo na obediência estrita aos ritos legais. O que seria a “imparcialidade”, então? Liberar os corruptos?

Tudo é política?

Será que viveremos um interminável 3º turno das eleições presidenciais? Tudo gira em torno de ser Bolsonaro ou anti-Bolsonaro, Lula ou anti-Lula.

Aqui, com a licença de leitores, seguidores e simpatizantes, reafirmamos que não somos Lula nem Bolsonaro. Mas isso é quase uma ofensa para a milícia virtual de ambos. Confrontar o pensamento binário que é tendência no Brasil virou um pecado mortal.

Pois aqui nos declaramos pecadores. Críticos de ambos, jamais “isentões”.

Aliás, quem é santo nessa história? Os bolsonaristas que defendem Sergio Moro por conveniência e oportunismo, para deixar Lula apodrecer na cadeia e manter a narrativa de que estão aí para “salvar” o Brasil dos comunistas, ou, na mão inversa, os petistas que o atacam exatamente por uma suposta perseguição ideológica ao PT e por essa condenação emblemática que, no fundo, seria mera prisão política?

Não estamos de um lado nem do outro, meus amigos (ou inimigos, tanto faz). Quem tem um pingo de racionalidade e isenção crítica a essa altura, com um inevitável toque de irreverência e sarcasmo, pediria “me inclua fora dessa”. Chega de polarização burra!

O que está na berlinda é o Brasil, a democracia, as instituições republicanas. Percebem?

Um último pitaco: o maior erro do ex-juiz Sergio Moro, de tudo o que foi revelado até aqui, não foi a suposta parcialidade na sua atuação à frente da Operação Lava Jato. Isso sempre pareceu óbvio em todas as suas ações, declarações, artigos, palestras, entrevistas etc. Erro mesmo, imperdoável (na nossa humilde opinião), foi tomar partido de Bolsonaro. Essa onda bolsonarista, retrógrada, idiotizada, vai passar e ele vai acabar pagando caro por isso. (#BlogCidadania23)

#BlogdoCidadania: Tentar envolver FHC nos escândalos da Lava Jato parece forçar a barra para justificar o #LulaLivre

Ao escolher o dia do aniversário de 88 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para soltar a conta-gotas mais um trecho das conversas vazadas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato, e, pior, anunciando como bombástico algo que não está expresso no material publicado na série #VazaJato, o jornalista Glenn Greenwald e o site The Intercept abandonam de vez o bom jornalismo para fazer política partidária e campanha #LulaLivre.

Ao afirmar que a Lava Jato “fingiu investigar” FHC, o que se faz é uma tremenda forçada de barra para envolver o tucano no escândalo e com isso tentar comprovar a tese de defesa de Lula, de que a caça aos corruptos é uma operação parcial, politizada, anti-petista, usando justamente o artifício que os advogados e simpatizantes do PT tanto criticaram e ironizaram, na frase atribuída até então aos procuradores: “Não temos provas, mas temos convicção.”

Quem tem lado, afinal? A #LavaJato ou a #VazaJato? Hoje não é difícil tirar conclusões. A edição deste material que apenas Gleen Greenwald teve acesso (com sua convicção anti-Moro) permite uma óbvia manipulação política: só vem a público aquilo que lhe interessa para a reação orquestrada dos formadores de opinião e da milícia virtual pró-Lula.

Se é de interesse público, jornalístico, por que não publicar todo o material de uma vez, permitir o acesso a outros jornalistas e veículos de imprensa, ou mesmo entregar a íntegra do conteúdo vazado das conversas privadas – se fossem mesmo tão comprometedoras, e ainda que a fonte seja preservada – às autoridades competentes para as providências cabíveis?

Desde o início defendemos aqui o interesse jornalístico do caso. Jamais embarcamos na estupidez do #DeportaGreenwald, na tentativa covarde e preconceituosa de desqualificação pessoal do jornalista norte-americano e do marido dele, o deputado federal David Miranda (PSOL), ou nas fake news que tentam mostrar que Gleen Greenwald  é financiado por organizações internacionais com interesses políticos na desmoralização da Operação Lava Jato.

Dissemos aqui: “Nem ataque nem defesa da Lava Jato se sustentam em argumentos racionais e consistentes“. Até porque a direita bolsonarista é burra demais e a velha esquerda (do PT e de seus satélites) deixa cada vez mais claras as intenções pela nulidadejurídica da condenação do seu corrupto de estimação. Aí é dose embarcar de um lado ou de outro dessa polarização! Não dá! #TôFora

Conclusões da #VazaJato
 
Pelo material publicado até aqui, frustrante diante de tamanho burburinho e expectativa, o tiro jornalístico (ou político) pode sair pela culatra para quem tinha esperança de soltar Lula ou desmoralizar a Lava Jato.
O apoio popular ao ex-juiz Sergio Moro e à força-tarefa de procuradores, promotores, auditores e policiais federais segue inalterado. Juridicamente também tudo pode permanecer como antes, apesar da tentativa de fritura midiática globalizada.
Convenhamos, se até agora já foram revelados os maiores “podres” de Sergio Moro, ele é quase um santo. Ainda vai acabar canonizado. Qualquer outra figura pública perderia fácil de 7×1. Imagine se a medida de honestidade de cada um de nós fosse expor publicamente as nossas conversas privadas dos últimos cinco anos? Barbaridade!
O que se tem até agora? 1) Um vazamento ilegal, mas de interesse jornalístico; 2) As conversas privadas que não provam nenhum crime ou fraude processual; 3) O conjunto da obra sem nenhum valor jurídico para quem defende o fim da Lava Jato.
Contra a corrente que reprova as ações de Sergio Moro, composta por alguns jornalistas renomados, juristas e formadores de opinião, é interessante ler as opiniões da ex-juíza Denise Frossard, do professor Modesto Carvalhosa e do ex-presidente do STF, Carlos Velloso, para citar apenas três exemplos do outro lado. São elucidativas para quem quer fazer seu próprio juízo de valor sem virar “Maria vai com as outras”. Tente. Faz bem.

 

Por aqui, o #BlogCidadania23 mantém o apoio à Lava Jato. Até que provem o contrário, é uma iniciativa importante, didática e necessária para a depuração da boa política. Vamos em frente! (#BlogCidadania23)

#BlogCidadania23 mantém o apoio à Lava Jato

Aqui neste espaço fazemos jornalismo e política, jamais religião ou mitologia. Portanto, não seguimos gurus nem idolatramos lideranças populares ou figuras midiáticas. Ao contrário, para citar os exemplos da polarização da moda, criticamos igualmente Lula e Bolsonaro e seus seguidores mais fanáticos e intolerantes.

Também não consideramos Sergio Moro um herói, mas um servidor público que desempenhou uma importante função como juiz e – pelo que entendíamos até ele assumir o ministério da Justiça – um dos idealizadores e responsáveis estratégicos pelo bom andamento da Operação Lava Jato.

Registre-se que sempre defendemos a democracia e o estado de direito.

Portanto, fica a dúvida: Estaremos desviando desses princípios ao manter o apoio à Lava Jato? Por que?

Precisamos responder com clareza e objetividade uma pergunta essencial, em meio a toda essa polêmica:

Consideramos criminosa a participação de Sergio Moro na coordenação das ações da Operação Lava Jato (comprovada agora por meio do vazamento de conversas privadas)? Sim ou não?

Se SIM, defendemos a nulidade de suas ações? Todas elas ou só aqueles que se referem à condenação do Lula, que são as que foram pinçadas das conversas vazadas e mereceram destaque no material publicado pelo The Intercept?

Se NÃO, é importante destacar que em uma Operação complexa e inédita como a Lava Jato parece natural que juiz e MP troquem informações sobre os caminhos jurídicos a tomar e que isso não significa nenhuma ilegalidade, nem tampouco indica fraude ou parcialidade que tenha interferência processual ou implique cerceamento na defesa do réu.

O #BlogCidadania23 é da segunda opinião. Mantemos o apoio à Operação Lava Jato. Entendemos que é fundamental para a democracia depurar a boa política.

Se há crimes, puna-se quem os cometeu. Excessos, ilegalidades, fraudes, idem. E isso vale para todos. Acusados e acusadores. Investigadores e investigados. Réus e vítimas. Corruptos e corruptores. Juízes, policiais, procuradores ou políticos envolvidos.

Até sobre a suposta perseguição exagerada ao Lula já comentamos por aqui, antes mesmo de todo esse escândalo das conversas vazadas, com uma posição bastante clara e objetiva: Chegou a hora de soltar o Lula: ou o Brasil prende todo político corrupto ou não prende ninguém, tá ok? (clique no link e leia até o fim antes de dar opiniões precipitadas e tirar conclusões pelo título, apenas).

Mas nada do que ocorreu até aqui é motivo suficiente para que nós entremos nessa campanha insana pela nulidade da Operação Lava Jato, que ganha corpo entre formadores de opinião e em alguns setores significativos da política e da sociedade.

Apoiamos a Lava Jato: no passado, no presente e no futuro.

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#VazaJato: Nem ataque nem defesa da Lava Jato se sustentam em argumentos racionais e consistentes

#BlogCidadania23: Morre o jornalista Clóvis Rossi

Um ícone do jornalismo, sem dúvida. Grande jornalista, excepcional repórter, ser humano de primeira qualidade.

Perdemos mais um dos insubstituíveis! Morre Clóvis Rossi. Morre um pouco a boa informação.

Triste. :´(

Vale reler seus artigos mais recentes, publicados na Folha de S. Paulo, outros tantos republicados neste blog, e relembrar alguns de seus pensamentos:

“Num pais de miseráveis não é surpresa a barriga vir na frente da ética e da moral.”

“Não adianta pregar aos convertidos, é preciso inventar e por em prática meios que arrebatem.”

“Jornalismo, independentemente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalha geralmente sutil e que usa arma de aparência extremamente inofensiva: a palavra, acrescida, no caso da televisão, de imagens. Mas uma batalha nem por isso menos importante do ponto de vista político e social. […] Entrar no universo do jornalismo significa ver essa batalha por dentro, desvendar o mito da objetividade, saber quais são as fontes, discutir a liberdade de imprensa no Brasil.” (#BlogCidadania23)

#VazaJato: Nem ataque nem defesa da Lava Jato se sustentam em argumentos racionais e consistentes

A direita é estúpida demais, insana, inconsequente e incapaz de apresentar uma defesa racional e isenta do trabalho realizado pela Operação Lava Jato sem apelar para esparrelas ideológicas (ou desqualificar o jornalista que publicou as conversas vazadas).

A esquerda, por sua vez, é hipócrita o bastante para fingir surpresa de saber que Sergio Moro atuava como mentor da Operação Lava Jato e trocava figurinhas com Deltan Dallagnol e outras estrelas ascendentes do MP.

Faltavam provas? Ora, santa ingenuidade, há dezenas de entrevistas, palestras, livros, artigos, matérias, filmes, documentários etc. sobre as semelhanças da Lava Jato com a Operação Mãos Limpas e a importância do trabalho estratégico coordenado pelo juiz, pelos procuradores e pelos policiais federais na investigação, na denúncia e na punição dos corruptos. Deles, os “pais” da Lava Jato.

Inclusive de como criar um cerco de proteção à Operação contra a reação que certamente viria, reforçada pelo espírito de corpo (e de porco) dos políticos suspeitos, investigados e condenados e de seus partidos cúmplices.

Enfim, o que as conversas vazadas revelam? Uma articulação para cercar e prender corruptos dentro das normas jurídicas do país. Eles se uniram contra os réus? Oh! Novidade! Mas alguém flagrou alguma tentativa de burlar a defesa dos acusados? Forjaram provas? Inventaram fatos inverídicos? Ameaçaram testemunhas?

Pegaram um juiz e os procuradores que se apresentam desde sempre como moralizadores da política e caçadores de corruptos conversando sobre – surpresa! – como moralizar a política e punir corruptos. Ora, ora…

Se esse papel caberia ou não a eles numa democracia idealizada é outra história. Mas querer a nulidade da Operação Lava Jato alegando terem surgido provas de que o juiz e os procuradores se articularam para encontrar o melhor caminho justamente para prender esses corruptos parece uma verdadeira piada nesta nossa singular republiqueta. (#BlogCidadania23)

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