Roberto Freire: Prêmio Monteiro Lobato será ode às luzes num governo medieval

Acordo assinado em 2017 pelo então ministro da Cultura aguarda apenas promulgação para virar realidade e premiar autores de literatura infanto-juvenil de países lusófonos 

A aprovação do Prêmio Monteiro Lobato de Literatura para a Infância e a Juventude pelo Senado Federal é uma resposta do Legislativo ao culto à ignorância do governo Bolsonaro, do que a proposta de aumentar o imposto sobre o livro é só um dos exemplos. A avaliação é do presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire.

Pelo lado brasileiro, Freire foi um dos idealizadores do prêmio, que é internacional e será concedido, a cada dois anos, a autores e ilustradores oriundos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). O acordo foi assinado com Portugal em 2017, quando o ex-deputado era ministro da Cultura, e aprovado em 28 de abril deste ano no Senado.

“Quem diria que uma premiação que nasceu em parte como uma crítica ao anacronismo de julgar Monteiro Lobato pelos olhos do presente seria aprovada num momento em que a cultura, a ciência, o saber, os livros estão sob ataque inclemente da estupidez bolsonarista. Que o prêmio sirva como contraponto”, pondera ele.

Freire ressalta ainda o papel de seu assessor à época, Adam Jayme Muniz, diplomata e então diretor do Departamento de Promoção Internacional do Ministério, responsável pela negociação do tratado. “É bom fazer esse registro porque também o Itamaraty, que abriga algumas das melhores cabeças pensantes do país, teve seu papel diminuído e enxovalhado nesse governo”, observa Roberto Freire.

A premiação funcionará nos moldes do Prêmio Camões. Um júri a ser escolhido pela Fundação Biblioteca Nacional (Brasil) e pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (Portugal) fará a seleção. A primeira reunião deve ocorrer em abril do ano que vem. Serão dois nomes brasileiros, dois portugueses e um dos demais países da CPLP.

São eles Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O valor do prêmio será definido a cada edição. “Não será difícil que algum dos autores que venha a ser premiado trate da questão do racismo. É com processos assim que avançamos no combate à discriminação, não com revisionismo histórico”, conclui.

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