Paulo Guedes admite que a questão ambiental deixou imagem do Brasil ‘muito ruim lá fora’

Avaliação do ministro foi em resposta a questionamento da líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), durante audiência da comissão mista da Covid-19 (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

O ministro Paulo Guedes admitiu à senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) em audiência da comissão mista da Covid-19, nesta terça-feira (30), que a imagem do Brasil está ‘muito ruim lá fora’ com as rejeições impostas pelo Parlamento holandês, no caso do acordo com o Mercosul, e pelo Comitê de Revisão Orçamentária e Tributária dos EUA, que recusa qualquer negociação comercial com o governo brasileiro.

“Como é que está a ação do governo para reverter essa rejeição de alguns países europeus em relação a esse acordo, que é extremamente importante para a economia do País?”, questionou a parlamentar, que é coordenadora da Frente Ambientalista do Congresso Nacional.

“A sua preocupação com o meio ambiente é superválida. A nossa imagem está muito ruim lá fora. Uma parte porque nós também falamos mal de nosso próprio País lá fora. Eu não vou entrar na polêmica em si, porque não é a minha especialidade o caso do meio ambiente em si, mas eu percebo também que lá fora há um certo oportunismo protecionista”, disse Paulo Guedes.

Ainda segundo o ministro, os governos da França e Holanda usam esse pretexto para praticar protecionismo comercial.

“Eles são parceiros nossos, investem aqui, mas, ao mesmo tempo, não querem que a gente exporte produtos agrícolas para lá. Então, França, Holanda, a pretexto de que nós queimamos florestas, quando o índice de desmatamento ano passado foi abaixo do índice do ano anterior, eles, na verdade, estão disfarçando velhas teses protecionistas — quer dizer, contra o Brasil —, jogando uma pecha no Brasil, independentemente de haver embasamento factual ou não”, disse.

Paulo Guedes disse também que os Estados Unidos agem com a mesma atitude protecionista dos países europeus em relação aos produtos agrícolas do Brasil.

“Há sempre um problema do etanol americano, querendo entrar aqui, mas eles não querem receber o nosso açúcar lá. Nossa agricultura é eficiente, é forte, está alimentando o mundo inteiro, e eles então querem se proteger e criam essa barragem de fogo, dizendo que nós estamos desmatando tudo e, portanto, não devemos ser aceitos na comunidade de comércio”, disse o ministro da Economia.

Apelo

A senadora Eliziane Gama também fez um apelo ao ministro para que use seu prestígio junto ao presidente Jair Bolsonaro para convencê-lo a assumir o comando contra a pandemia no novo coronavírus.

“Eu lhe faria um pedido: que o senhor conversasse com o presidente, para que ele pudesse ter um diálogo mais próximo com os governadores, para que ele comandasse, de fato, esse processo neste momento no Brasil. Nós já estamos chegando a 60 mil mortos. Essa falta de comando e de articulação, infelizmente, pode resultar ainda em uma crescente dessa curva”, sugeriu a parlamentar, mas Paulo Guedes não se manifestou sobre o assunto.

Eliziane Gama questionou ainda o ministro sobre a prorrogação da reposição do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e do FPE (Fundo de Participação dos Estados); a execução de emendas parlamentares para a Saúde; a burocracia para o acesso Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e o seguro desemprego com o fechamento de milhões postos de trabalho durante a pandemia.

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