CPI do BNDES: Paula Belmonte critica diferença de tratamento do banco a empresários

A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) estranhou que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tenha agilizado aporte de recursos em poucos dias para o grupo JBS em 2008 e, no mesmo ano, tenha atendido tão tardiamente o frigorífico Independência a ponto de levar a empresa a pedir recuperação judicial, que desaguou no fim de suas atividades e na demissão de 12 mil funcionários. A parlamentar expressou sua indignação durante depoimento do empresário Roberto Graziano Russo à CPI que investiga ilegalidades na conduta do banco.

O Independência acertou com o BNDES uma participação da instituição de 21% no capital da empresa. Naquela época, o banco já fazia parte da composição societária de muitos frigoríficos, o que espantou muitos deputados, já que o negócio da estatal não é proteína animal. Pelas ações do frigorífico de Graziano, o BNDES iria pagar R$ 400 milhões, mas entregou aos empresários apenas R$ 250 milhões. Alegou que não tinha dinheiro para honrar o restante do contrato. Assim, o Independência afundou.

“Existem coisas legais e morais, e essas coisas não foram morais. Precisamos trazer a moralidade e resgatar os objetivos do BNDES”, disse Paula Belmonte ao avaliar os eventos ocorridos no período investigado pela CPI – de 2003 a 2015, como aqueles gerados pela política de campeões nacionais que vitimou o frigorífico de Graziano.

A deputada salientou que o BNDES visa o desenvolvimento econômico e social e não o lucro.

“Mesmo que visasse, os juros subsidiados para o JBS não foram lucrativos”, disse.

Graziano criticou a política de campeões nacionais dos governos Lula e Dilma. Disse que ela gerou perdedores nacionais e que ele era um deles.

“Quando o governo arbitra e usa o dinheiro dele para criar um campeão, todos os outros serão perdedores”, afirmou.

Paula Belmonte perguntou por que o BNDES concordou em investir R$ 400 milhões no Independência se a empresa já estava endividada. O empresário respondeu que o frigorífico valia R$ 2,2 bilhões e que não se tratava de empréstimo.

“Se o BNDES tivesse liberado o dinheiro antes, isso teria mudado o destino da empresa”, lamentou. Enquanto faltava para uns, sobrava para outros, como o grupo JBS, disse Graziano.

CPI do BNDES: Paula Belmonte questiona João Santana sobre campanhas eleitorais no exterior

Em depoimento à CPI do BNDES, nesta terça-feira (9), o publicitário João Santana disse, respondendo à vice-presidente da comissão, deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), que o ex-presidente Lula e a empreiteira Odebrecht influenciaram a campanha eleitoral de El Salvador em 2009.

“O candidato pressionou o presidente Lula para que ele me convencesse a  fazer a campanha e houve participação do PT e da Odebrecht”, relatou o depoente, sem dar mais detalhes.

João Santana contou a Paula Belmonte que, quando acabou o dinheiro da campanha, ele mesmo veio ao Brasil falar com Lula.

“Íamos perder a eleição, então pedi ao presidente Lula mais US$1 milhão. Ele me mandou falar com o Emílio Odebrecht, que me disse que preferia tratar desse assunto com o Italiano. Eu perguntei quem era e ele disse que era o Palocci”, contou.

O dinheiro foi viabilizado, informou o publicitário. A campanha em El Salvador custou US$ 3 milhões, uma quantia que Santana considera uma bagatela.

Mônica Moura

A publicitária Mônica Moura, mulher de Santana, também depôs na CPI. Ela relatou que Lula intermediou outros convites aos marqueteiros, como o da Venezuela. Lá, eles fizeram a campanha de reeleição de Hugo Chávez. Paula Belmonte disse a ela que aquilo que acontecia com as finanças das empresas brasileiras no exterior tinha a ver com o BNDES e por isso ela estava ali depondo. Entretanto, a publicitária afirmou não ter tido contato com qualquer informação sobre o banco de desenvolvimento.

A deputada do Cidadania perguntou ainda sobre as negociações entre a empresa de João Santana e Mônica Moura e o PT para as campanhas feitas dentro do país. Mônica disse que eram feitas entre os publicitários e Antonio Palocci. Ele era quem dizia qual empresa iria se responsabilizar pelo pagamento dos serviços de marketing. João Vaccari Neto, então tesoureiro do partido, também tratava com os publicitários sobre a parte de caixa dois da campanha.

Relator da reforma da Previdência acata proposta de Arnaldo Jardim e mantém recursos do FAT no BNDES

O relator da reforma da Previdência, deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP) acatou proposta do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) de manter os repasses do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) que vão para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Segundo Jardim, essa é uma importante vitória do setor agro, pois decisão de Moreira era no sentido de retirar esses recursos do banco de desenvolvimento e, consequentemente, de programas importantes, como o Moderfrota e o programa de armazenamento.

A Frente Parlamentar da Agropecuária, da qual Jardim é um dos dirigentes, estava acompanhando o assunto com atenção.

“Vínhamos dialogando, discutindo com o relator porque se essa decisão prevalecesse, poderia comprometer linhas [de financiamento] fundamentais para o setor agro. Hoje, apresentei a proposta, que foi aceita pela Frente, que se mostrou firmemente contra a decisão do relator”, contou Jardim.

Samuel Moreira, então, cedeu aos argumentos do deputado do Cidadania.

Respondendo a Paula Belmonte, Levy diz que decisão sobre empréstimos do BNDES era política

O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy disse que não autorizou operações que lhe causaram “desconforto” quando ele estava na presidência do BNDES. Levy fez a declaração quando respondia a pergunta da deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) na CPI que investiga irregularidades no banco. Ela se referia a empréstimos feitos pelo banco entre 2003 e 2015 a países que passaram a ter problemas para pagá-los.

Segundo a parlamentar, foram R$ 40 bilhões em empréstimos, com 10% de perda e 5% de inadimplência.

“Quando fui confrontado para decidir sobre um dos casos, não dei sinal verde”, afirmou o ex-presidente do banco.

O ex-ministro confirmou uma suspeita da comissão que não tinha sido atestada por nenhum dos dirigentes que depuseram: a decisão de fazer empréstimos a Cuba, Venezuela, Angola e Moçambique era política. Outros presidentes do banco disseram à CPI que o critério era técnico.

Paula Belmonte questionou também os aportes do dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) no banco. Levy disse que por um tempo 60% desses recursos foram colocados no BNDES. O percentual diminuiu para 40%, enquanto o aporte do tesouro nacional foi elevado.

“As consequências disso são controvertidas. Do ponto de vista fiscal, criou muita pressão”, disse, respondendo a Paula Belmonte.

Joaquim Levy afirmou ainda que há “enorme desconforto” com ilicitudes ocorridas no banco.

“Que as companhias de construção civil fizeram ilícitos não há dúvida. Não só com o BNDES”, disse, sem especificar sobre quais ilegalidades estava falando.

Monica De Bolle: O bordão da “caixa-preta”

Boa parte do meu livro sobre a era Dilma publicado em 2016 foi sobre o BNDES. Perdi a conta de quantos artigos escrevi sobre o banco. Só para esse jornal, devem ter sido mais de 20 ao longo de vários anos. Para sublinhar o ponto, em artigo publicado no dia 9 de janeiro desse ano, intitulado “O que pode avançar?”, escrevi esse trecho: “Sobre o BNDES em particular, perdi a conta do número de artigos que escrevi para esse espaço”. Entretanto, é impossível não escrever sobre o BNDES após a demissão do presidente do banco, Joaquim Levy, no último fim de semana.

É impossível deixar de escrever sobre o BNDES ante os espantalhos e factoides que o presidente da República insiste em criar e diante do “bordão da caixa-preta” – não confundir com o cordão da bola preta – que muitos de seus fiéis seguidores insistem em repetir como se rezassem o terço da seita bolsonarista. Levy é um técnico experiente, e como técnico experiente, se recusou a rezar o terço. Ao que tudo indica, essa é pelo menos uma das razões para que tenha sido tratado com rudeza e falta de profissionalismo pelo presidente no último fim de semana.

E aí, há caixa-preta no BNDES? Como outros pesquisadores, eu já trabalhei com dados do banco e já interagi bastante com seu corpo técnico. Em 2015 publiquei um estudo pelo Peterson Institute for International Economics em que apontava três distorções causadas pelo crédito subsidiado em abundância: a prática de emprestar barato para grandes empresas de baixo risco deixava para o mercado privado empresas de maior risco, induzindo aumento das taxas de empréstimos privados para compensar pelo risco adicional absorvido nos balanços de outras instituições; os repasses opacos do Tesouro para o BNDES, que criavam passivos para o governo na forma de subsídios – esses repasses que vigoraram durante os anos Dilma ajudaram a desequilibrar as contas públicas; a abundância de crédito barato do BNDES forçava o Banco Central a manter as taxas de juros mais elevadas, pressionado para cima a taxa de juros real.

Calculei que se o BNDES reduzisse seu balanço expressivamente e acabasse com o crédito subsidiado, a taxa de juros real poderia cair em pouco mais de um ponto porcentual. Foi o que aconteceu. Para chegar a essas conclusões, usei os dados disponibilizados no site do BNDES, que passou por profunda reformulação em 2015 com o objetivo de dar transparência às suas operações, além de ter acesso a técnicos do banco, que, com sua generosidade, ajudaram a esclarecer várias dúvidas. Muitos, na época, expressaram profundo desagrado com as práticas que haviam predominado durante boa parte do primeiro mandato de Dilma.

Mas, vejam: o BNDES é um banco estatal. Como banco estatal, ele é um instrumento do governo. Se o governo decidir expandir o crédito para grandes empresas a fim de dar impulso às suas políticas de campeões nacionais como na época de Dilma, o que o BNDES pode fazer é pôr seus técnicos para avaliar as operações a fim de reduzir os riscos para o banco. O BNDES, como instrumento do governo, não pode negar uma ordem do governo.

Portanto, se querem culpar alguém pelos excessos cometidos no passado, inclusive pelos empréstimos aos governos da Venezuela e de Cuba, culpem o governo que instruiu o banco a fazer os empréstimos, não o banco. É verdade que antes de 2015 pouco se sabia sobre as operações do BNDES – mas isso se devia à vontade do governo ao qual o banco está sujeito. De 2015 para cá houve mudanças na estrutura de governança do banco, além da abertura de seus dados. Basta entrar no site da instituição. Está tudo lá, disponível para quem quiser ver. Sem caixa-preta.

Ah, mas o BNDES estava demorando muito para devolver recursos ao Tesouro? Pois considerem: se o Tesouro foi irresponsável ao repassar recursos ao BNDES para que pudesse emprestar mais a longo prazo, o Tesouro, o governo, não podem agora ser irresponsáveis querendo que a instituição se desfaça às pressas desses recursos. Eles foram usados para empréstimos de longo prazo, que não têm, por óbvio, liquidez imediata. Portanto, desfazer os desmandos do passado é bem mais lento e difícil do que se imagina. Ah, mas o BNDESPar deveria se desfazer de suas ações para pagar o governo mais rápido.

Espera lá. O BNDESPar é uma gestora de recursos, ou o braço de investimentos no mercado do BNDES. Como toda gestora, o BNDESPar tem de ter cautela ao se desfazer de seus ativos. Sair vendendo ações a qualquer preço é prejudicial para o preço da ação da empresa em questão, assim como para a higidez da gestora, e, em última análise, para a do próprio BNDES. Se o governo apressadinho quiser tudo para já corre o risco de abalar a gestora, o banco, e os preços das ações de algumas grandes empresas brasileiras sem necessidade. Caso abale a solidez do banco, adivinhem o que acontece? O BNDES pertence ao governo, portanto, o ônus é do próprio governo. Tiro no pé, ou a velha máxima: apressado come cru.

Portanto, abaixo o bordão da caixa-preta. Viva a autêntica Marcha do Cordão do Bola Preta:

“Quem não chora não mama! Segura, meu bem, a chupeta Lugar quente é na cama Ou então no Bola Preta” (O Estado de S. Paulo – 19/06/2019)

CPI do BNDES: Paula Belmonte questiona Paulo Bernardo sobre empréstimos e propina

Em reunião da CPI do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), na tarde desta segunda-feira (17), a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) quis saber do ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo no governo do PT, que tinha assento na Camex (Câmara de Comércio Exterior), por que aprovar empréstimos para Cuba, Venezuela e Angola sabendo que a capacidade desses países de pagar era a menor na escala de adimplência e inadimplência. O depoente ponderou que havia seguro e que o Brasil não perdeu dinheiro nessas operações.

Paula Belmonte questionou, então, se o ex-ministro sabia de onde vinham esses recursos.

“Esse seguro é feito pelo Tesouro Nacional do Brasil, tirado do seguro-desemprego das pessoas”, respondeu a parlamentar.

“O senhor fala desse governo (Bolsonaro), mas a verdade é que o dinheiro do BNDES era segurado pelo dinheiro do povo, o que é muito sério, e o senhor nem sabia”, disse Paula Belmonte, autora do requerimento de convocação do ex-ministro.

A CPI foca nos empréstimos internacionais do BNDES de 2003 a 2015. Além de ter sido ministro do Planejamento do governo Lula, Paulo Bernardo comandou a pasta de Comunicação na administração Dilma Rousseff. Ele foi denunciado por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro e tornou-se réu por fraudar serviço de gestão de crédito consignado de funcionários públicos. Chegou a ser preso por quatro dias.

Propina da Odebrecht

A deputada perguntou a Paulo Bernardo sobre uma propina de R$ 64 milhões que teria sido paga pela Odebrecht – empresa que realizou as obas em Angola – por causa de empréstimo de US$1 bilhão do BNDES a esse país africano. O ex-ministro afirmou não ter conhecimento desse caso.

Outro questionamento foi a respeito da delação de Marcelo Odebrecht, que afirmou que Paulo Bernardo era o intermediário das campanhas eleitorais de 2014 e que operava com recursos advindos de propina.

“Não confirmo”, reagiu o ex-ministro.

Carmen Zanotto destaca o Programa BNDES Saúde para atendimento da população

Em pronunciamento nesta segunda-feira (17), a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) destacou a importância do Programa BNDES Saúde para a melhoria de atendimento da população no Sistema Único de Saúde (SUS). Lançado na semana passada pelo governo federal, o programa disponibiliza uma linha de financiamento de R$ 1 bilhão para as mais de duas mil entidades filantrópicas de saúde sem fins lucrativos parceiras do SUS, que estão espalhadas em 1.308 municípios.

“É uma injeção de ânimo no setor. Esses recursos vêm em boa hora. Com certeza, serão aplicados no soerguimento financeiro dessas entidades. Com isso, haverá melhoria dos serviços prestados aos usuários do Sistema”, afirmou a presidente da Frente Parlamentar Mista da Saúde.

A deputada catarinense reforçou que as entidades filantrópicas são responsáveis por metade dos atendimentos e procedimentos hospitalares de média e alta complexidade da rede pública de saúde.

“É importante destacar o papel dessas instituições na saúde pública brasileira. Somente em 2018, a rede filantrópica disponibilizou aos pacientes cerca de 130 mil leitos”, informou Carmen Zanotto.

Subfinanciamento

Crítica do subfinanciamento do SUS, a parlamentar do Cidadania defendeu ainda mais recursos orçamentários para a saúde pública. Segundo ele, os municípios e os municípios investem além do previsto na Constituição Federal.

“As prefeituras deveriam investir 15%, mas a grande maioria aplica 24% da receita e alguns chegam a 37%. Os estados já estão em 14%. Falta a União cumprir a sua parte”, disse.

Roberto Freire: Faltou compostura de Bolsonaro na demissão de Joaquim Levy do BNDES

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, disse que faltou compostura ao presidente da República, Jair Bolsonaro, pela forma que fez o anúncio da demissão de Joaquim Levy da presidência do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social). Para Freire, o chefe do Executivo tem necessidade de fazer humilhações públicas.

“Esse é o Bolsonaro. Pode demitir com tranquilidade o auxiliar mas necessita – quem sabe por um complexo qualquer – humilhar publicamente antes da demissão. Quanto a Levy espero que reaja a deslealdade e a falta de compostura presidencial”, disse nas redes sociais.

Demissão

Na última sexta-feira (14), Jair Bolsonaro demonstrou incomodo, em entrevista coletiva a jornalistas, com a atuação de Levy à frente do BNDES e por ter indicado Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. O incomodo seria pelo fato de Barbosa ter atuado como assessor do BNDES no governo PT.

Na entrevista, Bolsonaro teria dito que Joaquim Levy estaria com “a cabeça a prêmio”. Por conta das declarações, o ex-presidente do BNDES pediu a sua demissão do cargo ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi asseito de imediato.

http://www.pps.org.br/2019/06/17/com-saida-de-joaquim-levy-bndes-deve-ter-funcao-redefinida-diz-jornal/

Com saída de Joaquim Levy, BNDES deve ter função redefinida, diz jornal

Levy sai do BNDES e o banco deve ter função redefinida

Fabio Graner, Claudia Safatle e Carla Araújo – Valor Econômico

A “usina de crises” do governo entrou em ação novamente no fim de semana. A bola da vez foi Joaquim Levy, que ocupava a presidência do BNDES. No sábado, o presidente Jair Bolsonaro fez um ataque direto a Levy, cobrando que revertesse a nomeação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de mercado de capitais do banco porque ele havia trabalhado no governo do PT. As falas do presidente da República levaram ao pedido de demissão dos dois executivos, Barbosa e Levy.

Embora parte da equipe econômica já demonstrasse insatisfação com a gestão de Levy, a ação de Bolsonaro pode ser vista também como mais uma ingerência direta na área econômica, atropelando o ministro Paulo Guedes. Ele já interferiu antes na política de preços da Petrobras, na propaganda do Branco do Brasil e em sua política de juros.

Ex-presidente liderava discussão interna sobre tamanho necessário da instituição
A principal reclamação contra Levy era pela suposta lentidão dele em duas iniciativas: devolver recursos do banco ao Tesouro – Guedes quer R$ 126 bilhões neste ano – e vender ações da carteira do BNDESPar. Cobrava-se também de Levy a abertura de suposta “caixa-preta” do banco, onde estariam comprovados desvios ocorridos no governo do PT.

O ataque derradeiro, no sábado, veio em declaração pública de Bolsonaro com embalagem ideológica. O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga considerou “um absurdo” o veto ideológico a Barbosa, com quem já trabalhou.

Discreto, Levy pediu demissão a Guedes, divulgou nota e recusou-se a comentar a renúncia. “Esse assunto acabou”, disse ao Valor e informou que pretende se dedicar a alguns cursos que já vinha “namorando” desde o ano passado, sobre inteligência artificial e blockchain.

Ao escolher o novo presidente do BNDES, o governo terá de definir o que pretende fazer com o banco e seu papel no desenvolvimento do país, que perdeu importância nos últimos três anos – os financiamentos anuais caíram de R$ 180 bilhões para R$ 70 bilhões. No governo, há quem defenda a extinção do banco.

Nomes para o lugar de Levy começam a ser ventilados, como os dos secretários do Ministério da Economia Salim Mattar e Carlos da Costa, do ex-presidente do BC Gustavo Franco, que preside o conselho do BNDES, e de Solange Paiva Vieira, superintendente da Susep.

Paula Belmonte: Palocci prometeu voltar à CPI para contar tudo o que sabe

O ex-ministro Antonio Palocci frustrou os deputados da CPI do BNDES que esperavam ouvir dele os detalhes sobre operações nebulosas que deixaram muitos prejuízos para a instituição. Estava marcada a oitiva do ex-ministro para a tarde desta quarta-feira (29). Palocci não falou. Ao sair da reunião fechada onde só eram permitidas as presenças de paramentares da comissão, a vice-presidente da comissão, deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), afirmou que o ex-ministro prometeu voltar para contar tudo o que sabe.

Palocci disse aos deputados que gostaria de se pronunciar, mas teria que ficar em silêncio porque está esperando a homologação de um acordo de delação premiada pelo Ministério Público Federal e ainda hoje recebeu orientação da instituição para não falar. Foi a Procuradoria-Geral da República que deu parecer nesse sentido.

Paula Belmonte contou que Palocci chegou com boa vontade, educação e respeito pela comissão.

“Ele disse que tinha decidido falar e que tinha feito algumas anotações, mas hoje recebeu um documento com a posição contrária da procuradora-geral da República”, disse.

A deputada considera auspicioso o fato de o ex-ministro se colocar à disposição da CPI para falar a verdade, caso haja anuência do MP.

“Ele disse que, se houver essa concordância, vem amanhã, sábado, domingo, quando for marcado”, salientou.

Segundo a parlamentar os parlamentares da comissão tentaram falar com Dodge, sem sucesso. A procuradora-geral da República estava viajando.

“O ex-ministro é a espinha dorsal de um corpo que ainda tem cabeça, mas o processo era com ele”, definiu a deputada do Cidadania.

Ela informou que os relatórios que estudou mostram que “tudo foi organizado para que determinadas empresas fossem favorecidas nos empréstimos do BNDES”.

Muitas questões no âmbito político e também do regulamento interno do BNDES e da Camex (Câmara de Comércio Exterior) foram modificadas para permitir a vitória dessas empresas. “Chegou ao ponto de, depois que Palocci saiu do ministério, foi contratado por bancos e pelas empresas chamadas campeãs nacionais na época para defender os interesses delas”, explicou Paula Belmonte.

Palocci era maestro de orquestra da corrupção do BNDES, diz Paula Belmonte

A deputada federal Paula Belmonte, vice-presidente da CPI do BNDES, disse, nesta quarta-feira (29) que o ex-ministro Antonio Palocci era o maestro de uma orquestra de corrupção no banco de desenvolvimento do País.

“Ele defendia bancos e empresas e fazia a interlocução entre a política e os interesses da iniciativa privada”, afirmou a parlamentar.

Paula Belmonte adiantou que os deputados da CPI esperam que Palocci venha para a comissão hoje (veja aqui) “com boa vontade, que não fique em silêncio e que ajude a mostrar que houve, sim esse conjunto harmonioso que mudava legislação, orientação, procedimentos para atender alguns interesses de pouquíssimas empresas que eram chamadas de campeãs nacionais”.

O ex-ministro vai depor hoje à tarde, numa sessão reservada. O requerimento de convocação dele é de autoria da deputada do Cidadania.

Sobre o programa de campeões nacionais, do governo Lula, que financiava empresas de grande porte com recursos do BNDES, Paula Belmonte disse que é favorável a que as grandes empresas do país se tornem ainda maiores e conhecidas no mundo inteiro, “mas não com dinheiro público, um dinheiro que foi, muitas das vezes, para campanhas eleitorais, para caixa dois, para superfaturamento”.

A deputada se disse inconformada com o fato de a reunião que vai ouvir Palocci ser fechada.

“Isso significa que a imprensa não pode entrar, nem deputados que não são da CPI e significa também que o que for falado na oitiva vai ser guardado sob sigilo”, lamentou.

Segundo ela, essa providência quer dizer que “questões importantíssimas serão trazidas à CPI, mas ficarão em segredo, embora digam respeito ao dinheiro público”.

A pedido de Paula Belmonte, Palocci depõe nesta quarta-feira na CPI do BNDES

A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) é a autora do requerimento de convocação do ex-ministro Antonio Palocci. Ele vai depor, nesta quarta-feira (29), a partir das 14h, na CPI do BNDES, em sessão reservada, conforme decisão da Justiça. Paula Belmonte defende sessão aberta para a oitiva.

Palocci é o centro dos acontecimentos investigados pela comissão parlamentar de inquérito, pois, se de um lado foi ministro, autoridade que, em última instância autorizava financiamentos do BNDES, por outro prestava consultoria às empresas que recebiam os empréstimos, após deixar o ministério. Foi consultor, inclusive, da JBS, que teve toda sua expansão nacional e internacional financiada pelo banco de desenvolvimento, em operações investigadas pela CPI.

Paula Belmonte faz questionamentos incisivos a Mantega na CPI do BNDES

A vice-líder do Cidadania na Câmara, deputada federal Paula Belmonte (DF), foi incisiva ao perguntar ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega por que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) determinou, em 2003, que os países integrantes do CCR (Convênio de Pagamento de Créditos Recíprocos) ascendessem do risco de inadimplência sete para o um. Quando maior a nota, mais presente o risco. Com essa mudança, disse a parlamentar, foram emprestados, em 2015, US$ 11 bilhões em 140 operações.

Mantega fez uma gracinha: “A gente não conseguia exportar para a Suíça, mas conseguíamos exportar para a Venezuela”.

A deputada reclamou e disse que todo o dinheiro dispendido nas operações era público, fruto dos aportes do Tesouro Nacional.

“Eram recursos do povo e o senhor não devia fazer piada com isso”, disse.

O ex-ministro acrescentou que essa política consistia em incluir entre os parceiros no comércio exterior países não tão sólidos quando os de primeiro mundo, pois o Brasil queria ser hegemônico na região.

Empresas no exterior

Outra questão colocada por Paula Belmonte estava embasada em relatório do TCU (Tribunal de Contas da União). A instituição atesta que não foram encontrados documentos que comprovem que houve a prestação do serviço ou até mesmo a compra de empresas no exterior. Mantega afirmou que existe uma tabela que prova o cumprimento do contrato pelas empresas brasileiras que tomaram empréstimos do BNDES.

Outra dúvida levantada pela deputada: se o ex-ministro ia a São Paulo se encontrar com Joesley Batista, do grupo JBS, levando o presidente do BNDES com ele. Paula Belmonte questionou ainda a superavaliação dos preços de empresas compradas por companhias brasileiras, o que levava prejuízo ao BNDES e aos acionistas minoritários. Esse ponto ficou sem resposta.