Arnaldo Jordy diz que aumento de desmate da Amazônia em maio era previsível e mostra “loucura” do governo Bolsonaro

O governo Bolsonaro já traz grandes prejuízos ao meio ambiente e em especial a conservação da Floresta Amazônica. Segundo levantamento do Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real), utilizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para detectar ações de desmatamento, a floresta perdeu 19 hectares/hora no mês de maio de 2019. O volume de 15 dias é próximo a soma dos noves meses anteriores.

Para o ex-deputado federal, Arnaldo Jordy, do Cidadania do Pará, os dados eram previsíveis porque que o presidente Jair Bolsonaro, desde a campanha, se mostrava contrário a defesa do meio ambiente com a justificativa de que atrapalhava o pleno desenvolvimento do agronegócio.

“Isso [os dados do Inpe] é previsível. Porque esse governo praticamente destravou todas as travas preventivas que haviam sido acumuladas no sentido do combate ao desmatamento. Temos ministro declarando oficialmente que a legislação ambiental atrapalha o desenvolvimento da economia. É uma loucura”, criticou Jordy, que presidiu a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados em 2014. 

Dificuldades

Ao ser questionado se existe solução para impedir ações danosas da gestão Bolsonaro, Jordy, que sempre atuou em defesa do meio ambiente na sua vida pública, disse que o momento do País é de “muita dificuldade” na área ambiental pelo fato de o governo ter uma posição fechada sofre a questão da preservação, e de que boa parte do setor do agronegócio tem visão predatória.

“É um momento de muita dificuldade pelo fato de o governo estar nessa posição. Temos uma bancada [no Congresso Nacional] do agronegócio em que boa parte, com raras exceções, tem uma visão predatória do processo. Temos muitas pessoas, inclusive nesse meio, que acreditam que o aquecimento global é uma bobagem. Lamentavelmente a consciência de parte das elites econômicas do setor são muito atrasadas”, lamentou.

Desertificação

Arnaldo Jordy destacou que ir contra a proteção do meio ambiente é uma visão atrasada porque prejudica o próprio setor com a alteração climática e aumento do processo de desertificação dos biomas brasileiros, sobretudo da Amazônia.

“Eles não entendem que o sacrifício da biodiversidade e o colchão de florestas é fundamental para o equilíbrio hídrico que, inclusive, viabiliza a agricultura, o principal item de geração de empregos no Brasil. O agronegócio depende integralmente da preservação do clima, de chuvas e de uma série de outras coisas para prosperar. Isso [o desmatamento] contribui com o processo de desertificação que são visíveis nos biomas brasileiros, inclusive o amazônico”, disse.

O avanço do desmatamento

De acordo com os dados do Inpe, obtidos com exclusividade pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, trata-se do maior valor mensal para maio em uma década. O volume, de apenas 15 dias, é próximo da soma dos nove meses anteriores. Por outro lado, o número de multas aplicadas pelo Ibama contra o crime caiu 35% desde janeiro.

O País teve em 2018 os maiores números de desmatamento para a região em toda a história. Desde agosto, o desmatamento ilegal e criminoso continua e atinge em média 52 hectares da floresta por dia. Contudo, a preocupação é que em uma quinzena foram perdidos, oficialmente, 6880 hectares de mata preservada. O valor equivale a quase 7 mil campos de futebol. Como efeito de comparação, entre agosto de 2018 e abril de 2019 o desmate chegou a 8.200 hectares. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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